Cusparada e Sylvinho como mentor: Fagner tem prova de fogo na seleção

DANILO LAVIERI E DASSLER MARQUES

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A suspensão a Daniel Alves surgiu em momento crucial para Fagner. Convocado por Tite quatro vezes em quatro listas para as Eliminatórias da Copa do Mundo, o lateral direito corintiano provavelmente será titular na terça-feira (28), diante do Paraguai, na Arena Corinthians. A primeira partida oficial pela seleção brasileira é como uma prova de fogo para o jogador, que conquistou a confiança e admiração da comissão técnica a serviço do Corinthians nos últimos anos.

Um episódio em especial, aliado ao desempenho dentro de campo, fez o conceito de Fagner subir com Tite e os auxiliares. Para as partidas decisivas, sobretudo pela América do Sul, o treinador valoriza os jogadores com capacidade de concentração, de resistir a provocações e com frieza para decidir. Em março de 2015, em Defensor-URU x Corinthians, ele deu essa demonstração de maneira muito clara.

"Eu mostrei (aos atletas) um vídeo em que o Fagner toma uma cusparada, é chamado de filho da p*** duas vezes", comentou Tite. "Ele não fala nada, abaixa a cabeça. Dá o lance, ele faz o cruzamento, Guerrero (atacante corintiano na ocasião) faz o gol", explicou o técnico. "Isso é dignidade. É caráter", completou.

AUXILIAR FOI VITAL

Admirada por Tite, a concentração de Fagner é fator positivo aliada ao crescimento pessoal dentro da posição. Se no passado foi alvo de críticas pelo comportamento defensivo, o jogador teve grande evolução nessa fase do jogo a partir de 2014. Nesse ano, Mano Menezes era treinador do Corinthians, mas foi o auxiliar e ex-lateral Sylvinho, hoje com Tite na seleção brasileira, aquele que trouxe ensinamentos importantes ao jogador.

Com bastante energia e dedicação, o que aliás é uma marca de seu trabalho, Sylvinho fez muitos treinamentos específicos com Fagner sobre o funcionamento da linha de quatro defensiva. O uso de vídeos, por parte da comissão técnica, também serviram para o crescimento pessoal do lateral. Mas foi o ex-jogador do Corinthians, do Arsenal-ING e da própria seleção quem se encarregou do aprimoramento.

"Eu acho que é querer aprender, querer evoluir. O jogador, o atleta, quando acha que está bom, entra numa zona de conforto, né? (Os treinamentos) também (são importantes), acho que sim. Uma grande característica que tinha era de avançar bastante e, quando eu vim para cá (Corinthians), você tem que entender bem o conceito da linha de quatro, de defender. Você também vai tendo o amadurecimento da idade", disse Fagner.

"Vimos nele um potencial para crescer", relatou Cléber Xavier nos tempos de Corinthians - hoje, com Tite na seleção. "Teve o mérito do atleta em querer se desenvolver e crescer defensivamente. Ele amadureceu como atleta", detectou.

A SOMBRA NO BANCO

Por mais que tenha em Fagner um jogador de sua confiança, a quem admira pela força ofensiva, concentração e intensidade que coloca dentro de campo, Tite tem refletido muito sobre a necessidade de não deixar a seleção brasileira estagnar. Mais do que isso, que os reservas estejam em nível muito elevado para exigir o melhor dos titulares. Por isso, durante o mês de fevereiro, mudanças no grupo foram avaliadas pelo treinador. Uma delas, na lateral direita.

Convocado na vaga de Daniel Alves, Mariano do Sevilla-ESP já poderia ter pintado antes no grupo de convocados. Tite ponderou até o minuto final entre Fagner e ele, mas optou por manter o corintiano no grupo. Com a suspensão de Daniel, a comissão técnica fez questão de buscar o substituto na Europa, mesmo com pouco tempo hábil para a parte logística. Sinal de que Mariano, em temporada elogiada na Espanha, é mesmo uma opção real de grupo.

Pela lógica das decisões de Tite, é impensável que Fagner não seja o titular na terça-feira (28), diante do Paraguai. Ele teve a oportunidade de atuar em janeiro no amistoso local contra a Colômbia, mas é verdadeiramente agora que tem sua prova de fogo. O palco para isso não poderia ser melhor para ele, habituado à Arena Corinthians.