Cuidado que vou ser eleito governador, diz Eduardo Bolsonaro na Câmara

Deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) - Foto: Guilherme Hahn/Folhapress
Deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) - Foto: Guilherme Hahn/Folhapress

Em discurso exaltado nesta segunda-feira (11) em comissão da Câmara que debate prisão em segunda instância, o líder do PSL na Casa, Eduardo Bolsonaro (SP), sugeriu que deve concorrer a governador, sem especificar o estado e apesar de a Constituição vedar que seja eleito enquanto o pai, Jair Bolsonaro, for presidente.

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O deputado também acusou o PT de mandar matar o prefeito de Santo André Celso Daniel.

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As declarações foram feitas na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que, com um atraso de mais de quatro horas, começou a debater nesta terça a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de prisão em segunda instância, de autoria do deputado Alex Manente (Cidadania-SP).

Eduardo respondia a críticas da deputada Érika Kokay (PT-DF), que questionou onde estaria Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia do Rio de Janeiro que movimentou R$ 1,2 milhão em suas contas.

"Falou anteriormente aqui a deputada que virou ré na semana passada por rachadinha [desvio de parte dos salários de servidores do gabinete]. Está querendo falar de Queiroz", começou o filho do presidente Jair Bolsonaro. 

"O PT é o partido que mandou matar Celso Daniel. Todo mundo sabe disso", complementou, inflamando a oposição. A Polícia Civil de São Paulo concluiu que a morte do prefeito se tratou de crime comum. O Ministério Público de São Paulo, porém, sustenta que houve motivação política. Celso Daniel teria sido assassinado porque havia decidido acabar com o esquema de propina no transporte, cuja finalidade seria abastecer o caixa dois do PT. O partido sempre negou as acusações.

Nesta segunda, Eduardo negou que a PEC seja um esforço conjunto parlamentar para prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Agora, eles querem construir a narrativa de que nós estamos aqui trabalhando para prender o Lula", disse.

Deputados do PT reagiram ameaçando processar o filho de Bolsonaro. "Pode mandar. Só enche a minha bola. Cuidado que eu vou ser eleito governador. Fizeram isso com Jair Bolsonaro e não funcionou. Obrigado, PT. Quanto mais vagabundo estiver me acusando na Justiça, melhor para mim", disse.

Eduardo afirmou que a obstrução da oposição era um "subterfúgio" para tentar "maquiar" a realidade. "A gente está lutando aqui com medo desses milhares de presos que vão ser soltos", complementou.

Lula foi solto na última sexta (8), beneficiado por um novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo o qual a prisão de condenados somente deve ocorrer após o fim de todos os recursos. O petista, porém, segue enquadrado na Lei da Ficha Limpa, impedido de disputar eleições.

O ex-presidente foi condenado em três graus da Justiça sob a acusação de aceitar a propriedade de um tríplex, em Guarujá, como propina paga pela empreiteira OAS em troca de contrato com a Petrobras, o que ele sempre negou.

A pena do ex-presidente foi definida pelo Superior Tribunal de Justiça em 8 anos, 10 meses e 20 dias, mas o caso ainda tem recursos pendentes nessa instância e, depois, pode ainda ser remetido para o STF.

Nessa condenação, Lula já havia atingido em setembro a marca de um sexto de cumprimento da pena imposta pelo STJ. Por isso, mesmo antes da recente decisão do Supremo, ele já reunia condições para deixar o regime fechado de prisão.

Além do caso tríplex, Lula foi condenado em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem no caso do sítio de Atibaia (SP). O ex-presidente ainda é réu em outros processos na Justiça Federal em São Paulo, Curitiba e Brasília. Com exceção de um dos casos, relativo à Odebrecht no Paraná, as demais ações não têm perspectiva de serem sentenciadas em breve.

***Por Danielle Brant, da Folhapress

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