Cruzeiro tenta reduzir salários de jogadores que ainda nem chegaram

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de anunciar a saída do diretor Alexandre Mattos, cuja contratação nem sequer havia sido oficializada, o Cruzeiro pode também se despedir prematuramente de reforços que não chegaram a desembarcar em Belo Horizonte. É o caso do zagueiro Sidnei, ex-Real Betis (ESP).

O choque de gestão prometido por Ronaldo Nazário ao se tornar sócio majoritário da equipe mineira passa pela renegociação de acordos fechados pela diretoria antes da venda das ações. A meta do Fenômeno é enxugar a folha salarial do departamento de futebol em 60%.

As conversas com os empresários já foram iniciadas, e algumas delas podem até parar na Justiça. Os interlocutores de Sidnei e do também defensor Ramon, por exemplo, sinalizaram que não aceitariam a redução dos valores acertados previamente.

Conduzida por Mattos, a contratação de Sidnei foi anunciada nas redes sociais. "A temporada 2022 promete, Nação Azul", publicou o Cruzeiro em 13 de dezembro. Agora, o clube comunicou ao atleta que não poderá arcar com os salários e prêmios prometidos.

O jogador de 32 anos atuou na Europa nas últimas 13 temporadas, com passagens por Benfica, Besiktas, Espanyol, Deportivo La Coruña e Betis. Ele receberia os maiores vencimentos dentre os novos reforços do time mineiro.

Na avaliação dos empresários, Sidnei tem outras opções no mercado e não ficará no Cruzeiro se o acordo for descumprido. Nesse caso, eles indicaram que deverão cobrar uma indenização na Justiça.

Os representantes de Ramon, contratado em março do ano passado, também recusam a redução oferecida. O vínculo com o zagueiro de 26 anos vai até 2023, e, portanto, ele terá valores pendentes a receber em caso de dispensa.

As tentativas de corte nos gastos abrangem os jogadores mais caros do atual elenco --como Ramon, o goleiro Fábio, o volante Rômulo e o atacante Marcelo Moreno-- e os novos reforços negociados pela antiga gestão.

Além de Sidnei, foram anunciados o goleiro Jailson (Palmeiras), o lateral Pará (Santos), o zagueiro Maicon (Al-Nassr), os meias Filipe Machado (Grêmio), Pedro Castro (Botafogo), Fernando Neto (Vitória) e João Paulo (Atlético-GO) e o atacante Edu (Brusque).

A programação do clube previa a apresentação oficial do elenco na semana que vem.

Responsável direto pelas tratativas, Alexandre Mattos defendeu as ações realizadas durante sua passagem pelo cargo. Segundo o ex-dirigente, todos os salários eram adequados ao orçamento do clube para o próximo ano, de R$ 4,5 milhões mensais.

"Tudo autorizado pelo presidente, pelo [setor] financeiro, a pedido da comissão [técnica]. Aliás, o custo continuaria o mesmo, porque sairia mais do que isso da folha. Agora tem dono, dono quer lucro. Hoje é outra realidade, outro pensamento, e o torcedor terá que compreender. Ronaldo está certíssimo de cortar tudo. Agora, a paciência do torcedor estará à prova", afirmou.

SAÍDAS CONFIRMADAS

O departamento de futebol do Cruzeiro está sendo amplamente reformulado por Ronaldo e sua equipe. Prova disso são as saídas já confirmadas de peças antes consideradas fundamentais pela antiga gestão.

Na terça-feira (28), o clube anunciou as despedidas do técnico Vanderlei Luxemburgo, do diretor técnico Ricardo Rocha, do auxiliar Maurício Copertino, do preparador físico Antônio Mello e do fisiologista Emerson Silami. Foi confirmada também a demissão do coordenador das categorias de base, Gustavo Ferreira.

"Acabei de ser comunicado de que não continuo. Recebo com muita tristeza, mas aceitaria qualquer decisão. Desejo sorte ao clube e que consiga o seu objetivo. Com certeza, estarei torcendo", declarou Luxemburgo em vídeo publicado nas redes sociais.

Contratado em agosto, o treinador encerra a terceira passagem pelo clube celeste com oito vitórias, 11 empates e quatro derrotas. A equipe terminou a Série B na 14ª colocação e disputará a segunda divisão do Campeonato Brasileiro pelo terceiro ano consecutivo em 2022.

Ricardo Rocha também se despediu por meio das redes sociais e destacou a sensação de dever cumprido pela "missão de não cair para a Série C".

"Precisávamos de jogadores e não podíamos contratar. Fiz questão de olhar a base, trouxemos para o time principal alguns nomes. Entendo que os novos gestores queiram seguir outro caminho. Pudemos fazer muito dentro daquilo que era possível", publicou Rocha.

Em nota, a diretoria do Cruzeiro argumentou que foi orientada a não renovar com a comissão técnica devido à "nova realidade orçamentária" do clube.

"Desde a instauração de auditoria interna, o Comitê de Transição analisa todas as operações, procedimentos e contratos a fim de desenvolver uma gestão eficiente. A nova comissão será anunciada nos próximos dias. Em paralelo, outros desligamentos estão em curso. O Cruzeiro agradece imensamente a todos os profissionais pelos serviços prestados", diz o comunicado.

Antes disso, no último dia 22, o Cruzeiro também havia divulgado o desligamento de Alexandre Mattos, apesar de o diretor jamais ter sido anunciado oficialmente. Ele trabalhava informalmente e atuou no planejamento e nas contratações anunciadas na primeira quinzena de dezembro, antes da chegada de Ronaldo.

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