Cristiane brinca sobre como ganhar ouro inédito na Copa: “Carrinho e porrada”

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A experiente Cristiane já avisou que a Copa do Mundo da França deve ser a última de sua carreira. E ela quase ficou fora: vítima de recorrentes lesões nos últimos meses, a camisa 11 teve que correr contra o tempo para ficar 100% e entrar na lista de Vadão. Na sexta, após o último treino aberto para a imprensa antes do embarque para Portugal — onde a equipe fará a reta final da preparação —, a jogadora falou sobre como manteve a mente tranquila enquanto trabalhava duro para recuperar o corpo.

“Foi um período muito difícil. Toda vez eu ia, lesionava de novo e voltava 20 passos para trás [na recuperação]. Fiquei com aquela sensação, 'caramba, será que eu vou conseguir, será que vai dar tempo?’. É minha última Copa e veio lesão atrás de lesão. São coisas que fogem do controle do atleta, mas infelizmente a gente acaba tendo esses problemas pelo caminho”, contou Cristiane. “Aí chegou o ponto que eu falei: ‘agora vai ou vai’.”

“A comissão foi muito clara com a gente. Falaram ‘olha, a gente vai tentar, mas quem realmente não tiver condições realmente não dá para ir’. E é o certo, não dá para ir meia boca para uma Copa do Mundo, você precisa de todas as atletas 100%. Então consegui correr atrás, me dediquei bastante, coloquei a cabeça no lugar e deu tudo certo”, acrescentou a jogadora.

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(Lucas Figueiredo/CBF)
(Lucas Figueiredo/CBF)

Contratada pelo São Paulo no início da temporada, Cris ficou pouquíssimos minutos em campo pelo clube: apenas um tempo na vitória sobre o Inter de Franca, no dia 31 de março. Depois disso, a jogadora seria desfalque o time para defender a seleção brasileira nos amistosos contra Espanha e Escócia, no início de abril, mas acabou cortada por questões físicas.

E de 23 de abril até sábado passado ela ficou reunida com a comissão técnica em Itu para focar na recuperação física. Também participaram dos treinos específicos a atacante Bia Zaneratto, que fraturou a fíbula e se recuperou dois dias antes da convocação, e as zagueiras Bruna Benites e Rafaelle, que ficaram fora da lista.

“Quem acompanha sabe que praticamente não participei de jogos, mas o professor [Vadão] tem total confiança no meu trabalho, me conhece faz tempo e sabe no que posso contribuir no grupo, tanto dentro de campo quanto fora dele, com experiência”, contou a jogadora, que está a caminho de seu quinto Mundial e promete passar a experiência acumulada ao longo dos anos para o grupo, principalmente para as oito jogadoras que nunca disputaram a competição.

“Quero empolgar todo mundo, né? Viemos de derrotas, então é preciso dar aquele chacoalhão que é responsabilidade das mais velhas. Temos que passar confiança para meninas. ‘Primeira vez, tem nervosismo e cobrança, sei como é, já participei antes”, disse a atacante. “Mas quando entra dentro de campo tem que deixar isso de lado, senão atrapalha. Então é tentar fazer o grupo ficar realmente na pegada de Copa. Porque lá tudo muda. É importante passar tranquilidade, mas também a importância, porque não dá para entrar dormindo em uma Copa.”

O Mundial da França será também a última chance da camisa 11 conquistar o ouro inédito ao lado das parceiras de longa data, Marta e Formiga. O prestigiado trio bateu na trave com a prata em 2007, mas como brincou Cristiane, na última é quase um "vale tudo”.

(Lucas Figueiredo/CBF)
(Lucas Figueiredo/CBF)

“Falei com a Fu [apelido de Formiga] que vamos enfiar a porrada. No bom sentido, né, mas tem que ser assim. Acho que é minha última Copa e talvez de várias meninas aqui, ninguém se garante na próxima, então porque não a gente procurar dar o melhor agora, deixar tudo em campo? Dar carrinho onde não tem que dar, porque tem que ser esse o espírito”, disse Cris.

“É bacana ter essas meninas aqui comigo ainda, a Fu a Marta são as mais experientes de toda essa geração e vai ser gostoso. Como eu falei, minha roupa vai ficar lá no campo, não sei como vai ser, mas vou dar o máximo possível. A gente sabe que as pessoas criticam, cornetam muito, é natural, mas a gente sempre entra para dar o melhor e para vencer.”

Falando em cornetar, a jogadora reconheceu que é “natural” a torcida ver a seleção com desconfiança, ainda mais depois da sequência de nove derrotas consecutivas logo antes do Mundial. Porém, se mostrou confiante na virada de chave.

"As pessoas sempre ficam naquela expectativa, ‘ah, mas tem que ganhar’. Infelizmente as derrotas vieram, talvez no momento certo, então acho que a hora de começar a Copa é a hora de zerar, de dar um choque de realidade. Quando é Copa, Olimpíada, a gente se transforma dentro de campo, coloca o coração lá dentro”, disse a camisa 11, com um adendo.

“Claro que tem coisas para serem acertadas, isso é fato, ninguém é bobo de não ver, mas a hora que a gente coloca espírito dentro de campo tem que esquecer o que passou e simplesmente ser um recomeço. As pessoas realmente vão ter desconfiança, é natural, perdemos vários jogos, não tem como falar que ‘olha, vão levantar a taça’, mas vamos em busca de dar o melhor e deixar o que passou para trás. Tem tudo para dar certo, só depende de nós."

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