Criança atacada por santistas fez vídeo de desculpas escondido, diz pai

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SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Moisés, 37, ainda não consegue esquecer a cena que viveu no último domingo (7), nas arquibancadas da Vila Belmiro, quando um grupo de torcedores santistas hostilizou ele seu filho B.N., de 9 anos, após o garoto receber a camisa do goleiro Jailson, do Palmeiras, ao final do clássico vencido pelo time alviverde.

O menino, que joga nas categorias de base do Santos, gravou e publicou um vídeo em uma rede social, escondido do pai, no qual afirma ser santista, não palmeirense. Ele também pediu desculpas caso alguém tenha se sentido ofendido por ele ter recebido o uniforme do rival. A gravação viralizou na internet nesta terça-feira (9).

"É que eu gosto muito dele [Jailson]. Também gosto do Weverton, que é da seleção brasileira. Eu não sou palmeirense, eu sou santista", disse em trecho da mensagem.

"Ontem ele estava muito chateado, hoje não. Ele acordou, foi para a escola, mas não mexeu no telefone. Quando chegou em casa viu o que se tornou [a repercussão do caso]. Eu falei para ele fazer uma retratação, mas fui irônico. Saí para cozinhar, estava fazendo comida, enquanto ele pegou por conta própria o celular e gravou. Só soube uma ou duas horas depois", afirma Moisés.

Seu filho estava no alambrado atrás do gol que fica mais próximo à entrada dos vestiários do time visitante. Antes de entrar no túnel, o goleiro palmeirense Jailson tirou a camisa e a lançou para o menino. Em seguida, alguns torcedores do Santos cobraram o garoto e seu pai.

"Ele vai ao estádio desde os dois anos em todos os jogos. Isso me causou um trauma, não é uma coisa corriqueira. Na hora que aconteceu tudo, minha reação foi tirá-lo do estádio. Aglomerou, veio a polícia, e eu agarrei ele como pude, coloquei-o atrás de mim", relata Moisés.

O Santos afirmou em nota não compactuar com a atitude desse grupo de torcedores e disse ter convidado o garoto e seu pai para ver a próxima partida do time, contra o Red Bull Bragantino, nesta quarta (10), às 19h, em um dos camarotes da Vila -SporTV e Premiere transmitem o jogo.

"Aceitamos o convite do Santos. Lógico que estou com receio ainda. Amanhã [quarta] ele vai, mas completamente descaracterizado. Não vai usar a roupa que usa normalmente, nem camisa de time nas ruas. Vai com moletom, boné e máscara até a gente entrar. Vamos ficar em um lugar reservado", diz o pai do garoto.

"Acredito que isso pode mudar a relação do meu filho com o futebol. Só de estarmos conversando já vimos diferença no falar dele. Pela primeira vez ele falou 'não sei se vamos'. Nós não íamos no jogo de quarta, não íamos mais em jogo algum. O Santos fez um convite à família inteira, mas pode ser que a gente vá e não vá mais depois", completa.

Sobre o uniforme recebido de presente pelo goleiro Jailson, Moisés diz ter criado um trauma em razão do acontecimento. "Ele guardou a camisa. Para mim, virou um objeto não desejado, falei para ele se desfazer dela. Ele falou que foi muito difícil para conseguirmos e que não quer dar e nem vender por enquanto."

Após a derrota para o Palmeiras, o Santos voltou a se aproximar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Com 35 pontos, a equipe começa a rodada na 16ª colocação, com cinco pontos de vantagem para o Sport, primeiro time no Z4.

Para montar a equipe, o técnico Fabio Carille não poderá contar com o lateral direito Madson, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Ele anotou gols contra Fluminense e Athletico, duas vitórias seguidas que deram fôlego para o Santos na luta contra a queda.

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