'Críticas ao desnivel entre os times feminino é deslegal', diz Bárbara Fonseca, coordenadora do Cruzeiro

Valinor Conteúdo
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O Cruzeiro criou seu time de futebol feminino no início de 2019 e em menos de uma temporada conseguiu resultados expressivos, como o acesso à primeira divisão do futebol brasileiro e o título Mineiro, derrotando o América-MG na final.

As Cabulosas fizeram um ano digno no Brasileirão Série A1, apesar de não terem seguido para os mata-mata. E, novamente, estarão na decisão do Estadual, contra as Vingadoras, equipe feminina do Atlético-MG.

Para saber um pouco mais sobre o funcionamento da equipe estrelada, conversamos com a coordenadora Bárbara Fonseca. Confira a prosa abaixo.

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1 - Quais os planos do Cruzeiro para o restante de 2020, com o Mineiro e para o Brasileiro de 2021? Houve quais metas traçadas?

O Departamento já tinha como meta, desde o início da temporada, se manter na primeira divisão do Campeonato Brasileiro e o título do Mineiro. Sábado entraremos em campo com o objetivo de terminar a temporada alcançando todos os nossos objetivos. Sobre 2021, já estamos trabalhando em algumas frentes, mas teremos uma definição melhor após o término da temporada, que é o jogo do próximo sábado.

2- O elenco pode sofrer muitas mudanças em 2021? A equipe está focada em valores mais jovens para um trabalho de longo prazo ou conta com atletas mais experientes para equilibrar com a juventude?

Sim, sofrerá mudanças. Todo fim de temporada lhe traz duas situações, aquela em que a atleta se vê interessada em outras propostas e se desvincula, e também aquela que é a decisão da comissão técnica. O objetivo sempre será apresentar uma equipe muito competitiva, pois a camisa do Cruzeiro não merece menos que isso. Tendo oportunidade, vamos buscar aquelas com mais experiência sim.

3- Casos como da goleada de 29 a 0 do São Paulo sobre o Taboão geram mais críticas ao futebol feminino por um suposto desnível técnico. O que falta para que haja menos distância entre equipes grandes, como o Cruzeiro e outros, para projetos que parecem não se importar com a evolução da modalidade?

O que precisa é ter um número maior de competições e dentro delas a criação de séries. Temos no brasileiro masculino séries A, B e C com 20 equipes e a D com 68 equipes. As competições estaduais também precisam ser nesse desenho. Assim conseguiremos nivelar. Essa crítica ao desnível técnico é desleal. Se você colocar uma das melhores equipes do masculino contra uma equipe amadora, você verá grandes diferenças também. Precisamos entender que estamos desenvolvendo o futebol feminino como um todo, não somente a condição técnica das atletas. Isso passa pela gestão dos clubes, assim como o desenvolvimento dentro das federações e confederação.

4- O Cruzeiro é o único time feminino de Minas na elite nacional e atual campeão estadual. O caminho do clube para os próximos anos prevê crescimento focado em que tipo de ações?

É de extrema importância e urgência que voltemos a trabalhar com a base. Enquanto departamento essa é a ação que mais damos importância.

5- Como funciona a coordenação do trabalho entre você e o técnico Marcelo Frigério? Como decidem os rumos das meninas dentro e fora de campo?

Sabemos trabalhar em conjunto, respeitando a competência de cada um, sempre em prol de aprimorar a performance e ajudar na estruturação de grandes mulheres. Somos bem parecidos, as conversas são sempre com muita energia e está sendo um casamento perfeito.

6- A pandemia parou várias atividades vitais do futebol. Isso afetou o momento do futebol feminino no Brasil, de ser mais reconhecido. Para 2021, crê que a modalidade irá seguir uma curva de crescimento?

A expectativa é essa, pois precisamos muito voltar a nos conectar com o nosso torcedor. Ele é a maior força no círculo de desenvolvimento de qualquer modalidade. Consolidar a modalidade passa por isso.