Governo volta a sugerir CPMF, se contradiz e ouve 'não' de Rodrigo Maia

Yahoo Finanças
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Em um período de apenas 24 horas, líderes do governo federal sugeriram e se contradisseram a respeito do retorno e um imposto nos moldes da extinta CPMF - um tributo sobre transações financeiras que parte da equipe econômica acredita ser a chave para o equilíbrio das contas públicas.

SIGA O YAHOO FINANÇAS NO INSTAGRAM

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

BAIXE O APP DO YAHOO FINANÇAS (ANDROID / iOS)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (18) que o governo estuda incluir na reforma tributária um imposto sobre transações financeiras em meios digitais, mas não quis comparar com a CPMF. Nesta quinta-feira (19), o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, jogou um balde de água fria nas pretensões do governo.

Leia também

"A resposta da Câmara vai ser não", afirmou a jornalistas em reunião na residência oficial da Câmara. "Imposto sobre movimentação financeira, com o nome que se queira dar, é não. Pode dar o nome que você quiser, apelido", disse.

"Já falei com eles [equipe econômica] que não passa. O que digo a eles é que o DEM está nisso desde 2007, quando foi derrubada a CPMF. Não posso ter ficado contra a CPMF no governo do PT e no governo em que a agenda econômica é mais convergente com a que eu penso, defender a CPMF, seria uma incoerência."

Na quarta, Guedes voltou a defender a criação de um imposto nos moldes da CPMF, mas com alíquota e vigência diferentes. "A CPMF virou um imposto maldito, o presidente falou que não quer esse troço. Se ninguém quer, CPMF não existe", disse.

Porém, o ministro ponderou que sua equipe continua examinando formas de ampliar as bases de incidência dos tributos como forma de compensar uma futura redução do encargo trabalhista, o que classifica como o mais cruel e perverso de todos os impostos.

De acordo com Guedes, as transações por meios digitais e instantâneos vão ganhar cada fez mais força e o governo precisa encontrar meios para viabilizar a tributação.

"Nunca foi a CPMF, sempre foi transações. Como tributamos isso? Tem transações digitais. Você precisa de algum imposto, tem que ter um imposto que tribute essa transação digital", disse.

“O último que falou isso foi demitido”, afirmou Guedes, referindo-se ao ex-secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, demitido a pedido do presidente Jair Bolsonaro ao defender a proposta de criação de um imposto sobre movimentação financeira. “Quem falar em CPMF está demitido. Isso não é CPMF.”

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro entrou em contradição quando, na mesma fala, criticou, porém não descartou a volta da CPMF. “A CPMF... Todas as cartas estão na mesa, mas é um imposto que está demonizado”, disse ele na saída do Palácio da Alvorada.

Leia também