Covid-19: Inverno no Norte e Nordeste em fevereiro e outros erros do Ministério da Saúde

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Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, participa de reunião na Câmara dos Deputados (Foto: Najara Araújo/ Câmara dos Deputados)
Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, participa de reunião na Câmara dos Deputados (Foto: Najara Araújo/ Câmara dos Deputados)

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, recebeu diversas críticas, durante reunião técnica na Câmara, nesta terça-feira (9), as principais delas pela mudança de metodologia no registro de dados do novo coronavírus no Brasil e por declarações de que a pandemia já passou nas regiões Norte e Nordeste do país, por acompanharem o inverno do Hemisfério Norte. 

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Relatora da comissão externa de acompanhamento da Covid-19, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) chamou a mudança nos números divulgados de “quebra de confiança temporária” nos dados do Ministério da Saúde.

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Na audiência na Câmara dos Deputados, Pazuello negou a omissão de dados da Covid-19 pelo Ministério da Saúde. “A transparência nos dados é meu principal objetivo”, afirmou ao referir-se à mudança do modelo de divulgação dos números por parte do ministério, que agora informará casos e óbitos pelo dia de ocorrência, e não mais pela data de registro, como tinha sido feito até então. 

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Os deputados cobraram também que o novo sistema ainda não estava no ar.

“Acabei de verificar no site do Ministério da Saúde e não tem o somatório dos dados. O ministério não está cumprindo a transparência”, criticou o deputado Jorge Sola (PT-BA).

INVERNO NO NORTE E NORDESTE

O deputado apontou também dois outros “erros” na fala do ministro. O primeiro sobre a superação da pandemia no Norte e no Nordeste. O outro, “geográfico, não epidemiológico”: “Não temos inverno em fevereiro, março e abril no Brasil, mesmo nos estados próximos à linha do Equador. No Norte e Nordeste, é quente o ano inteiro. Tivemos uma grave crise com temperaturas acima de 25 graus”, destacou Sola.

O ministro interino da Saúde havia afirmado que “para efeito da pandemia, nós podemos separar o Brasil entre Norte e Nordeste, que é a região que está mais ligada ao inverno no hemisfério Norte”.

CLOROQUINA

Em resposta a questionamentos de deputados sobre a orientação do Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina em pacientes com Covid-19, Pazuello disse que a pasta apenas deu cobertura a médicos do SUS que já estavam prescrevendo o medicamento e deu aos mais vulneráveis a possibilidade de recorrer ao medicamento.

A orientação apenas dá a liberdade para o médico fazer a prescrição, não obriga nada, nem induz nada. Não é um protocolo, não é uma determinação, em hipótese alguma. A gente não poderia fazer isso”.

“Parece que vivemos uma distopia. Vivemos a pior pandemia da nossa geração. O país com o terceiro maior número de mortes. Não são números, são pessoas, pais, mães, filhos”, afirmou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Ela citou a falta de transparência e lembrou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que obriga o Ministério da Saúde a divulgar em seu site os casos e óbitos acumulados do novo coronavírus como vinha fazendo. Moraes acatou pedido protocolado pelos partidos Rede, PSOL e PCdoB.

“Se o senhor tivesse decência moral, teria pedido demissão quando o presidente Jair Bolsonaro pediu para não contar as mortes”, defendeu a deputada.

"ABSURDO”

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, considerou um “absurdo” a mudança no protocolo de atendimento a pacientes com Covid-19, apresentadas nesta terça pelo Ministério da Saúde. 

“Não vou discutir com quem não é da área, mas é um absurdo, por exemplo, um paciente entubado não estar em UTI, só com problema renal ou cardíaco”, disse o deputado federal ao questionar se o protocolo será pactuado com Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).

Em resposta, o ministro apenas afirmou que está em diálogo permanente com as entidades.

Padilha criticou também o baixo número de testes de diagnóstico realizados no Brasil.

Na audiência, o ministro interino considerou “razoável” a quantidade de exames feitos no país, em um total de 10 milhões, entre testes rápidos e PCR. 

No entanto, o deputado Alexandre Padilha discordou: “O Brasil é o segundo país no mundo em número de casos, o terceiro em número de mortes e o 131o em número de testes. Isso não é razoável”, disse. 

CURVA

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) questionou a curva da pandemia no Brasil e em qual momento nós estamos.

Pazuello disse que “cada local tem uma curva” da doença no Brasil.

“Não dá para fazer análise simples do país, com curva única”.

O ministro interino da Saúde afirmou que, se fosse prefeito ou governador, “estaria muito focado na curva específica da área”. 

Pazuello voltou falar que “a curva já subiu e desceu” em capitais do Norte e Nordeste, mas ressaltou: “Você pode projetar que não vai mais subir, que acabou ali? Importante entender a curva e acompanhar diariamente, ver qual foi a ação que o gestor fez e a consequência”. 

Ao ser cobrado pelos deputada da habilitação de 1.400 leitos em hospitais federais do Rio de Janeiro, o ministro interino respondeu que o estado é uma “preocupação” do Ministério.

DISPUTA POLÍTICA

Já o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) afirmou, na reunião, que algumas pessoas têm “prazer fúnebre” em destacar a pandemia, em vez de “destacar o trabalho que vem sendo feito pelo governo Bolsonaro”. No entender dele, a situação não passa de uma “disputa política patrocinada por alguns governadores”.

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