Covid-19 causa 'epidemia' de cancelamentos de matrículas em escolas em Manaus

Redação Notícias
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Agência Brasil
Mas ele afirma que não tem como avaliar se esses estudantes migraram para a rede pública ou se ficaram totalmente sem aulas (Foto: Agência Brasil)

Um levantamento feito pelo Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Amazonas) mostrou que uma média de de 20% a 30% dos pais cancelou a matricula dos filhos em escolas particulares em Manaus ao longo de 2020 por conta da pandemia do coronavírus.

O assessor jurírico da entidade, Rodrigo Melo, afirmou ao jornal A Crítica que até segunda-feira (1º), 40% das matriculas em escolas particulares permaneciam em aberto. Ou seja, 4 a cada 10 alunos ainda não foram matriculados para o ano letivo de 2021.

Segundo Melo, os dados não querem dizer que estes alunos deixaram de estudar no ano passado ou que deixarão de estudar em 2021. Mas ele afirma que não tem como avaliar se esses estudantes migraram para a rede pública ou se ficaram totalmente sem aulas.

“A migração da rede privada para a pública não representa uma preocupação para o Sindicato, a nossa maior preocupação, na verdade, é que ocorra a perda do ensino. A grande preocupação é de que essas crianças permaneçam matriculadas, por que já foi mais do que provado no mundo inteiro que o contato com a escola é fundamental, seja pelo modo remoto ou híbrido”, afirmou.

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A entidade ainda avalia que o momento é favorável apenas para aprendizagem remota, à distância, e é contraria ao retorno presencial.

“Em nenhum momento nós quisemos forçar o retorno, ninguém quis antecipar nada, tanto é que nós estávamos no 4º ciclo de reabertura das atividades essenciais no ano passado. Aproveitamos esse período para reforçar os cuidados nas escolas particulares, tanto é que não tivemos proliferação de Covid-19 em nenhuma instituição associada”.

“E com relação ao decreto, nós entendemos a crise que a nossa cidade passa, o colapso da rede pública, o temor dos pais, e aqueles que tem o direito de informar que nós devemos voltar, nós voltaremos com o presencial, enquanto isso, nós permaneceremos no ensino remoto”, finalizou.

Colapso em Manaus

O Ministério Público de Contas teve acesso a documentos que mostram que ao menos 31 pessoas morreram por falta de oxigênio nos dias 14 e 15 de janeiro, quando começou o colapso de oxigênio hospitalar vivido por Manaus. O insumo é utilizado no tratamento de pacientes com Covid-19.

Foi no dia 14 de janeiro que Manaus viveu cenas caóticas nas ruas com famílias correndo por conta própria em busca de cilindros para internados, recorde de casos de Covid-19 e necessidade de enviar pacientes para outros estados.

Segundo o G1, o maior número de óbitos foi registrado no SPA e Policlínica Dr. José Lins. Um ofício assinado por Raimunda Gomes Pinheiro, diretor da unidade, registra sete óbitos no dia 14 e 4 no dia 15. O documento mostra que pacientes estavam internados e morreram pela falta de oxigênio.

Outra instituição, o SPA e policlínica dr. Danilo Correa, registrou sete mortos. Nesta unidade, Patrícia Castro, informou que as mortes ocorreram nos dias 14 e 15, mas a chamada “causa mortis” não indica asfixia.

Outras unidades como SPA Alvorada (6 mortes), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) (4 mortes) e Fundação de Medicina Tropical (3 mortes) também mostram óbitos por interrupção do fluxo de oxigênio hospitalar, de acordo com apuração do G1.

No dia 25 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou formalmente a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no colapso do sistema de saúde de Manaus.