Covid-19: Bolsonaro pede gastos menores ao invés de 'notinha de pesar' sobre mortes

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Bolsonaro afirmou que gastos com mais parcimônia valem mais que 'notinhas' de pesar. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
Bolsonaro afirmou que gastos com mais parcimônia valem mais que 'notinhas' de pesar. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se manifestou, nesta segunda-feira (11), sobre o silêncio da Presidência após o país ter ultrapassado a infeliz marca de 10 mil mortes em decorrência do novo coronavírus.

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Bolsonaro cobrou uma utilização melhor dos gastos com os recursos públicos para o combate à pandemia ao invés de ‘fazer notinha de pesar’ pelas vítimas. Até este domingo (10), o Brasil contava com 11.123 mortes e 162.699 casos confirmados de Covid-19, segundo balanço do Ministério da Saúde.

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“Eu lamento a cada morte que ocorrem, a cada hora, lamento. O que nós podemos fazer, nós todos, é tratar com devido zelo o recurso público. Está tendo denúncias em tudo quanto é lugar, com gente sendo presa pela PF (Polícia Federal), de desvio. Ao invés de fazer notinha de pesar, que eu acho válido, sou pesaroso nessas questões, tem que dar o exemplo, tem gastar menos, gastar com qualidade o recurso. É isso que a gente precisa fazer”, afirmou Bolsonaro, ao retornar para o Palácio da Alvorada, no fim da tarde desta segunda.

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Diante da mesma questão, Bolsonaro já havia manifestado indiferença dizendo “e daí?” ao ser confrontado com o fato de o Brasil ter ultrapassado a China no número de mortes, em 28 de abril. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre​”, antes de dizer que cabe ao ministro da Saúde, Nelson Teich, uma explicação.

APURAÇÃO EM 11 ESTADOS

Desde abril, investigações por mau uso do dinheiro público ocorrem em, ao menos, 11 estados e o Distrito Federal. Um levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo junto ao MPF (Ministério Público Federal) apontou a existência de 410 procedimentos abertos de forma preliminar que podem originar processos criminais em investigações com suspeita de repasse da União.

Desde fevereiro, a legislação brasileira permite que gestores públicos comprem, sem fazer licitação, bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia. Os contratos passam a ser investigados quando Ministério Público e polícia notam indícios de irregularidades, como preços muito acima da média praticados por fornecedores ou demora para entregar mercadorias.

Em 30 de abril, Bolsonaro já havia acusado, sem apresentar provas, "alguns" governadores de desviarem recursos que seriam destinados ao combate da Covid-19. Bolsonaro não disse quais governadores seriam esses.

“Nós fizemos tudo que foi possível e mais alguma coisa. Agora, cabe aos governadores gerir esses recursos. O que mais nós temos, por parte de alguns estados, é desvio de recursos. É isso que está acontecendo. Por isso precisamos da Polícia Federal isenta, sem interferência, para poder tratar desse assunto, para poder coibir possíveis abusos”, disse ele, na ocasião.

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