Coutinho se enche de confiança, mas evita comodismo na Seleção

Philippe Coutinho repetiu a palavra “confiança” diversas vezes na entrevista coletiva que concedeu no sábado, após treinar no Morumbi. Para o meia do Liverpool, da Inglaterra, a segurança adquirida sob o comando do técnico Tite contribui para a Seleção Brasileira construir vitórias como a da última quinta-feira – uma goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, de virada, no tradicional Estádio Centenário.

“Confiança é quase tudo”, bradou Coutinho, assentindo com a cabeça ao ouvir que o Brasil tem jogado melhor em função do bom momento. “Quando você está confiante, tenta algumas jogadas, e elas dão certo. Para chegar a esse nível, o caminho é ganhar os jogos, tendo um bom desempenho. Isso gera um clima bom, confiança. Nosso time está bem confiante”, acrescentou.

Tite, no entanto, já começou a se preocupar com possíveis sinais de excesso de confiança. Após o bom resultado obtido em Montevidéu, o sétimo positivo em sequência nas Eliminatórias, e a iminente classificação para a Copa do Mundo, o técnico passou a adotar um discurso ainda mais cauteloso. Avisou que não espera facilidade contra o Paraguai, na terça-feira, mesmo jogando em Itaquera e contra um adversário que figura apenas na sétima posição do torneio sul-americano.

Coutinho entendeu o recado. Antes reserva de Willian e agora titular absoluto da ponta direita (atua do lado esquerdo quando está a serviço do Liverpool), o jogador adotou um tom comedido ao falar sobre a sua situação. “Não me vejo como titular. Temos um grupo muito bom, com grandes jogadores. Ninguém tem espaço garantido ou mais importância do que o outro. Sempre que venho para cá, tento buscar o meu lugar, fazer o meu melhor, treinar e aprender”, afirmou.

A luta contra o comodismo é coletiva. “Todo jogo é complicado e requer superação. Quem joga contra o Brasil vem para complicar. Conquistamos uma boa vitória contra o Uruguai, mas temos mais uma pedreira pela frente agora. Precisamos entrar focados para as coisas darem certo”, cobrou Philippe Coutinho.

“Dá a bola, que ele resolve”

Se a Seleção Brasileira realmente estiver em dificuldades contra o Paraguai, Coutinho já sabe a quem recorrer. O armador do Liverpool contraria o discurso de que não há um jogador mais importante do que o outro no plantel de Tite quando o assunto é o atacante Neymar.

“O Neymar é um craque, um cara que decide muitos jogos. Para o Brasil, é fundamental. Conheço ele há bastante tempo, desde quando jogávamos juntos nas Seleções de base”, disse Coutinho. “Jogar com o Neymar fica mais fácil. Dá a bola, que ele resolve. Continuando a jogar desse jeito, ganhará o título de melhor do mundo rapidamente, com certeza”, previu.