Costa do Marfim repete 1992 e conquista o bi na CAN

AFP

A seleção da Copa do Marfim sagrou-se campeã da Copa Africana de Nações pela segunda vez em sua história, ao derrotar o Gana nos pênaltis (9-8) depois do empate sem gols no tempo normal e na prorrogação, neste domingo, em Bata, na Guiné Equatorial.

Por ironia do destino, a final repetiu o roteiro da edição de 1992, quando os "Elefantes" também venceram o Gana na decisão, após uma longa e emocionante disputa de pênaltis (11 a 10).

Na ocasião, foram realizadas nada menos do que 24 cobranças. Desta vez, foram "apenas" 22, e a disputa terminou com um duelo entre goleiros.

Escalado no lugar do titular habitual Gbohouo, Boubacar Barry, que começou a competição como reserva, tornou-se o herói da conquista marfinense ao pegar a cobrança de Brimah Razak, antes de converter a sua.

Dono de quatro títulos (1963, 1965, 1978 e 1982), o Gana amargou seu quinto vice-campeonato. Com isso, perdeu a oportunidade de se vingar de 1992 e de acabar com um longo jejum de 33 anos.


Pelé na arquibancada

Já a Costa do Marfim chegou ao bi depois de bater na trave duas vezes nas últimas seis edições, em 2006 e 2012. Na ocasião, perdeu para a Zâmbia, então comandada pelo francês Hervé Renard, hoje técnico dos "Elefantes".

"Estou muito feliz por todo o povo marfinense, que esperava por isso há 23 anos. Os jogadores fizeram muito esforço e foram recompensados. Essa vitória é de todos os marfinenses. O futebol é mágico, porque une todas as etnias", comemorou o treinador, referindo-se aos conflitos que abalaram o país na última década.

"Ganhar com o seu clube já é incrível, mas coqnuistar um título com a seleção do seu país é simplesmente excepcional. Estou realizado e aliviado", desabafou o capitão Yaya Touré, que foi bicampeão inglês com o Manchester City.

A vitória deste domingo teve sabor de revanche, já que os "Elefantes" perderam duas finais nos pênaltis.

"Em 2012, meu irmão (Kolo Touré) deu azar na sua cobrança e fiquei tão abalado quanto se eu mesmo tivesse perdido o pênalti", lembrou o astro dos 'Citizens'.

A decisão contou com a presença ilustre de Pelé na tribuna de honra. O "Rei" parecia estar em forma, depois de assustar o mundo quando foi internado no final de novembro, por conta de problemas renais.

Ele presenciou uma final com desfecho emocionante, mas pouco espetáculo nos 120 minutos de bola rolando.

O jogo começou tenso, com marcação ríspida e lances violentos dos dois lados. Aos 16, o volante Serey Dié deu um pisão nas partes genitais de Wakaso e levou apenas um cartão amarelo.

Os "Elefantes" começaram melhor, mostrando mais iniciativa, mas as melhores chances do primeiro tempo foram de Gana.

Aos 26, Atsu, atacante do Everton, recebeu passe de Ayew e tentou chutar colocado de canhota de fora da área, mas acertou a trave.

Dez minutos depois, foi a vez de Ayew bater na trave, quando finalizou sem ângulo após receber um longo lançamento de Baba.

Barry se consagra

O segundo tempo foi ainda mais truncado, e a única real jogada de perigo foi da Costa do Marfim, com uma cobrança de falta venenosa de Tiené. A bola quicou na frente do goleiro Brimah Razak, que se transformou em jogador de vôlei para afastar de manchete.

Wakaso também teve uma boa chance em lance de bola parada, mas sua cobrança de falta passou raspando na trave de Barry.

Doumbia quase deu o título aos marfinenses no último minuto do tempo normal, mas Brimah fez outra decisiva para forçar a prorrogação.

Na disputa de pênaltis, o Gana chegou a ficar com o título em mãos quando Bony e Tallo desperdiçaram suas cobranças, mas Barry manteve a Costa do Marfim viva ao defender os chutes de Acquah e Acheampong.

Em seguida, todos os cobradores acertaram, até chegar a vez dos goleiros.

Barry se consagrou novamente, quando pegou o pênalti de Brimah, mas logo em seguida desabou no gramado, com câimbras. Mesmo assim, encontrou forças para levantar e converter a cobrança que deu o título à sua equipe.

"Ele está de parabens, passou por momentos difíceis, enfrentou críticas duras no nosso país", elogiou Touré.

O goleiro que jogou apenas porque o companheiro se lesionou virou herói nacional, em uma equipe que não contava com o principal representante da sua "geração dourada" Didier Drogba. Ele se aposentou da seleção depois da Copa do Mundo no Brasil.


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