Corrida de verdade com vitória de Herta em Austin mostra que presente e futuro da Indy estão garantidos

GABRIEL CURTY, GABRIEL CARVALHO
Grande Prêmio

A Indy passou por um intenso processo de reconstrução da imagem desde que a CART e a IRL se fundiram. Foram mais de dez anos em um duro trabalho para se desenvolver esportivamente e tentar retomar o prestígio que tinha antes da ruptura. Hoje, em 2019, a categoria já provou que, se não vive seu auge, está muito próximo dele.

E o final de semana no Circuito das Américas foi daqueles que vão ficar guardados na memória dos fãs da Indy. Para começar, basta dizer que a inclusão da pista no calendário foi um sucesso absoluto. Indo além, diversos pilotos brilharam, com destaque para o mais jovem vencedor de uma prova na história.

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Na semana em que completa 19 anos de idade, Colton Herta brilhou intensamente. Na pista em que liderou a pré-temporada quase inteira, o americano fez ótima classificação, grande largada e teve um ritmo de corrida espetacular. Ah, teve também sorte, aquela sorte que costuma acompanhar os bons, quando uma bandeira amarela o lançou do degrau mais baixo para o mais alto do pódio.

Só que as grandes notícias para a Indy não pararam por aí. Além de Herta, muita coisa aconteceu em Austin. Podemos dizer que foi uma corrida de verdade. A diversão foi completa, o traçado casou perfeitamente com a categoria e os pilotos estavam inspirados. 

Colton Herta deu um show em Austin (Foto: Indycar)




Sem querer saber dos tais 'track limits', a Indy liberou quase que toda a área externa da pista e as disputas aconteciam em praticamente todas as curvas. Foi inclusive numa dessas que James Hinchcliffe e Felix Rosenqvist se encontraram e causaram a bandeira amarela que tirou Will Power e Alexander Rossi dos primeiros lugares já nas voltas finais.

O estilo de corrida foi o mais Indy possível, foi exatamente no estilo que cativa os fãs da categoria. Some isto ao fato de que Herta, Rossi, Power, Graham Rahal e o também moleque Pato O'Ward tiveram desempenhos espetaculares. Temos uma Indy que se encontrou hoje e que tem um futuro muito promissor pela frente com seus circuitos e pilotos.

"Isso realmente aconteceu, pessoal?", perguntou um enlouquecido filho de Bryan Herta no rádio após cruzar a linha de chegada em primeiro. Aconteceu, Colton, e foi lindo. 


"Que corrida, estou esgotado. O que fiz? Nunca fiz uma relargada com pneus vermelhos, foi algo novo pra mim. Acho que tivemos um bom ritmo no começo e que caiu no término dos stints. Com dez voltas para o fim e sem desgaste nos pneus, ali quando veio a amarela, estávamos em um bom lugar", comentou um pouco mais sereno o vencedor.

O pódio em Austin (Foto: IndyCar)

Um dos mais acostumados aos holofotes do grid, Newgarden não teve um dia de muito brilho, apesar do segundo lugar. Só que o americano valorizou o próprio trabalho e o que fez a Penske para sair com o melhor resultado possível pela falta de ritmo.

 

"Foi um bom evento. Gostei de correr aqui, estou grato por conseguirmos o segundo lugar. Os caras fizeram um grande trabalho, apenas não tínhamos o suficiente para buscar o Herta, mas foi uma corrida divertida. Um bom público aqui no Circuito das Américas pra este evento. Apenas estávamos tentando pegar o Colton, foi isso que pudemos fazer, o segundo lugar", reconheceu o líder do campeonato.


A Penske que realmente andou bem no Texas foi a de Power. Pole, com boa largada e o melhor dos ritmos, o australiano viu tudo mudar na reta final. Com a bandeira amarela causada por Rosenqvist e Hinch, Will já teria naturalmente caído no pelotão. Mas as coisas pioraram quando o carro apagou e não ligou mais durante o pit-stop.

Will Power liderava até ter problemas (Foto: IndyCar)


"Foi uma tremenda frustração. Você lidera todas as voltas, faz o trabalho todo no final de semana e se posiciona ali para ganhar, aí vem isso. Não fosse a bandeira amarela, seria o problema nos boxes. Mais um problema grande no começo de campeonato, só queria ter uma temporada sem problemas. O pessoal me deu um grande carro, fomos muito bem", lamentou o australiano.




"Não foi nossa melhor corrida. Na verdade, nem sei o que dizer. Estou muito frustrado e sem ter o que dizer além disso", desabafou um Scott Dixon que não fez absolutamente nada na corrida e até cometeu alguns erros. Tirando um stint mais veloz, aliás, a Ganassi não conseguiu fazer valer o que prometia para Austin.

O rival de Dixon em 2018, por outro lado, apareceu muito na prova. Rossi era quem estava brigando com Power antes do incidente que provocou a amarela e, após ser jogado para o meio do grid, partiu sedento pela reação e empilhou ultrapassagens para salvar ainda um nono lugar.

Alexander Rossi lidera pelotão (Foto: IndyCar)


"O carro estava incrível. Will e eu estávamos em uma corrida só nossa. Nos primeiros dois terços de corrida, eu e eles vínhamos sozinhos, principalmente no terceiro stint, que abrimos para os outros. Seria um duelo muito interessante com os dois de macios, mas aí veio a bandeira amarela. O dia meio que acabou ali, agora é hora de seguir em frente", disse Rossi.


Na brasilera Foyt, o cenário de sábado foi invertido. Tony Kanaan se recuperou da última posição do grid e chegou em 12º, enquanto Matheus Leist esteve no grupo dos que não tinham parado antes da amarela e, no fim, foi parar em 17º.

 

"Foi um dia decente depois de um final de semana duro. Não tínhaamos o ritmo na classificação, mas a corrida juntou as coisas. Fizemos um bom trabalho nos boxes e tivemos um pouco de sorte com a amarela no fim, aí consegui manter o 12º lugar, foi o que deu. Temos de onde melhorar a partir daqui, Matheus teve uma corrida bem promissora. Acho que podemos nos classificar melhor, se isso acontecer, podemos melhorar para Barber e aí buscar um top-5", afirmou Tony.

 

“Definitivamente não foi a maneira como queríamos terminar a corrida no Circuito das Americas. Tivemos bom ritmo em parte da prova, em outra sofremos um pouco, mas no geral acabamos sendo prejudicados pela entrada da bandeira amarela no pior momento para nossa estratégia, que era igual a dos líderes. Poderíamos terminar no top-10, mas não havia nada o que pudéssemos fazer com o safety-car. Agora vamos ver se melhoramos o carro para ser mais rápidos para a próxima corrida”, explicou Leist.


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