20 km de percurso e linha de chegada a 4.300 de altitude: conheça a "corrida para as nuvens"

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(Foto: Divulgação)
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Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Algumas corridas possuem características únicas. No estado do Colorado, nos Estados Unidos, por exemplo, há uma que obriga os pilotos a cruzarem a linha de chegada a mais de 4.300 metros de altitude. Trata-se da Subida Internacional de Pikes Peak - também conhecida como "a corrida para as nuvens". Uma disputa de tirar o ar (literalmente).

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A prova acontece anualmente desde 1916 no último domingo de junho em Pikes Peak, uma montanha no condado de El Paso, 16 km a oeste de Colorado Spring. Automóveis e motocicletas dão largada a 2.862 metros de altitude para percorrer um trajeto de quase 20 quilômetros e 156 curvas com ribanceiras de centenas de metros ao lado.

A subida leva em média menos de 10 minutos, mas os pilotos enfrentam ao longo do percurso o ar rarefeito que retarda os reflexos e absorve a força mental e muscular, além de diminuir em até 30% a potência dos motores. Às vezes, animais surgem como obstáculos inesperados. A temperatura varia bastante e a mudança repentina do vento também pode dificultar ainda mais as ações ao levar areia para a pista.

"Nunca sabemos quais momentos incríveis se tornarão parte da história da corrida", define Megan Leatham, diretora executiva da prova.

O trajeto sinuoso nas montanhas é bastante tradicional. A Pikes Peak International Hill Climb, como é chamada a corrida originalmente, é o segundo evento automobilístico mais antigo dos Estados Unidos, atrás somente das 500 milhas de Indianápolis, que teve a primeira edição cinco anos antes da PPIHC, em 1911.

A disputa conta com diversas categorias de duas e quatro rodas. A divisão é feita de acordo com as especificidades técnicas de cada veículo. A 97ª edição da corrida foi realizada no dia 30 de junho deste ano e teve 85 competidores - 58 automóveis e 27 motocicletas. No entanto, a corrida vai além da competição entre os pilotos. Acima de tudo, é um desafio contra a montanha.

"Pilotos e veículos devem estar em ótima forma e condição para simplesmente completar a corrida, quanto mais ganhar", define o próprio evento em seu site oficial.

Em resumo, as habilidades como piloto não bastam. É necessário também saber lidar com as adversidades do ambiente e fazer as escolhas corretas para conseguir concluir o trajeto ladeira acima.

O piloto Rafael Paschoalin foi o único representante brasileiro na prova em 2019 e venceu na categoria intermediária entre as motos. Ele completou o percurso em 10m43s880. O mais rápido a completar a subida entre os carros foi o britânico Robin Shute (9m12s476), enquanto o australiano Rennie Scaysbrook levou a melhor na classificação geral das motocicletas (9m44s963).

Além da competição, o evento também realiza um festival na sexta-feira que antecede a corrida. Milhares de pessoas se reúnem no centro de Colorado Springs para curtir uma festa que toma conta de dez quarteirões.

"A prova traz milhares de visitantes à nossa cidade ano após ano e continua sendo uma tradição orgulhosa em Colorado Springs. A subida mais prestigiosa do mundo tem sido uma parte significativa da história da nossa cidade por mais de um século, e energiza toda a nossa comunidade com o evento", avalia o prefeito de Colorado Springs, John Suthers.

"A corrida ainda oferece uma grande oportunidade para mostrar nossa beleza natural aos visitantes e espectadores de todo o mundo", acrescenta Suthers.

Neste ano, uma nota triste também fez parte de Pikes Peak. O americano Carlin Dunne, quatro vezes campeão da corrida entre as motos (2011, 2012, 2013 e 2018), morreu ao sofrer uma queda no último trecho do percurso. Ele não resistiu ao sofrer múltiplas fraturas e lesões no acidente.

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