“Navegando às cegas”, diz ministro da Saúde, Nelson Teich, sobre crise do coronavírus

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Nelson Teich assumiu Ministério da Saúde após demissão de Luiz Henrique Mandetta, que tinha divergências com presidente Bolsonaro sobre medidas de isolamento (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Nelson Teich assumiu Ministério da Saúde após demissão de Luiz Henrique Mandetta, que tinha divergências com presidente Bolsonaro sobre medidas de isolamento (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

O ministro da Saúde, Nelson Teich, vem sofrendo duras críticas por sua atuação desde que assumiu a pasta. De um lado, se diz alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, que minimiza a alta de mortes no país e é contra o isolamento social. Por outro, Teich diz que, enquanto ministro, “nunca se posicionou para a saída do distanciamento”. Segundo ele, o Ministério não sabe quantas pessoas de fato foram acometidas pela Covid-19, nem quando será o pico da pandemia no Brasil.

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Em videoconferência no Senado, na quarta-feira (30), Teich afirmou que o posicionamento do Ministério da Saúde sobre medidas de isolamento não mudaram e que a falta de informações sobre a doença e a baixa oferta de testes dificultam saber qual o cenário real no país. No entanto, o ministro não apresentou para os senadores nenhuma proposta de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus

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“Não sabemos qual o percentual da sociedade acometida pela doença, quantos são assintomáticos, e se essas pessoas transmitem tanto quanto as mais graves. Os testes que a gente faz não permitem hoje saber essa realidade. Sem esse conhecimento, estamos literalmente navegando às cegas, essa é a verdade”.

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Diante dessas declarações, os senadores criticaram o ministro, por não ter sido enfático nas respostas e não ter definido diretrizes, principalmente, sobre isolamento social.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), que é médico, o ministro tem sido omisso e, desde que assumiu a pasta, não apresentou qualquer ação concreta para combater a pandemia de coronavírus no país. De acordo com ele, enquanto o número de mortes pela Covid-19 aumenta, o ministro segue em inação. 

“O Ministério da Saúde não tem agido como deveria para coordenar e articular o enfrentamento nacional à pandemia, mesmo estando há 10 dias no cargo, Teich sequer buscou se reunir com os representantes das secretarias de Saúde estaduais e municipais para debater ideias, discutir propostas e metas. O governo age agora sem transparência e não há qualquer articulação do ministro com a comunidade acadêmica”, afirmou.

Na audiência no Senado, Teich ressaltou que o ministério não mudou a orientação de distanciamento e ainda trabalha para definir uma diretriz sobre o tema.

“Perguntar se fica em casa ou se não fica em casa é algo simplista para um problema extremamente heterogêneo. O ideal é que a gente tenha os testes: quem é positivo vai ficar; quem for mais velho vai ficar; pessoas que tiveram contato vão ficar. Vai depender da curva que existe em cada região, vai depender de quantos casos houve em cada região. Eu posso responder a qualquer pergunta, só não posso responder superficialmente perguntas complexas”, disse.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) se considerou “tremendamente frustrado” com as respostas de Teich sobre a necessidade do isolamento social para combater a pandemia. 

“Estamos em um momento de início de explosão de casos de mortes. Não é momento para indecisão. É preciso ser claro e passar para o país uma mensagem da autoridade máxima do Ministério da Saúde: isolamento social, sim ou não? Se é por região, quais as regiões têm e quais não têm? Está dúbio, me desculpe dizer com tanta veemência”, disse.

Tasso relatou ainda reclamações de Secretarias estaduais de Saúde de que o Ministério da Saúde está praticamente parado desde que Teich assumiu a pasta.

A senadora Kátia Abreu (PDT-TO) também se disse insatisfeita com as respostas do ministro sobre o isolamento. Para ela, o ministro precisa se posicionar sobre o tema e mostrar que sabe o que está fazendo.

“Cadê o protocolo oficial? O que vou apresentar para o meu estado do Tocantins? O que devemos fazer? Os governadores precisam de orientação, ministro. Estamos esperando com ansiedade. Para quê? Para evitar as mortes”, afirmou a senadora.

Em resposta às críticas do senadores sobre o comportamento de Bolsonaro, Teich afirmou que a preocupação comum entre ele e o presidente “é com as pessoas”.

“Não vou discutir aqui o comportamento, mas eu posso dizer que ele está preocupado com as pessoas e com a sociedade. O alinhamento é nesse sentido. Quando eu fui chamado, aceitei porque existe um foco total em ajudar a sociedade, em ajudar as pessoas. Isso eu tenho certeza de que é a preocupação do presidente e eu fui trazido por causa disso, afirmou.

Boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta quarta apontou 449 novas mortes confirmadas pela Covid-19 nas últimas 24 horas. Com isso, o total de mortes registradas no país chegou a 5.466. O Brasil também já soma 78.162 casos confirmados da doença.

Na terça-feira, ao ser questionado sobre o aumento no número de mortes pela Covid-19 no país, Bolsonaro ironizou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

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