Motorista consegue se tratar da Covid após 4 avaliações erradas

Yahoo Notícias
23 June 2020, Mexico, Sao Paulo: Medical staff work at the Parelheiros public hospital. The number of corona deaths in Brazil is over 50 000. Photo: Lincon Zarbietti/dpa (Photo by Lincon Zarbietti/picture alliance via Getty Images)
23 June 2020, Mexico, Sao Paulo: Medical staff work at the Parelheiros public hospital. The number of corona deaths in Brazil is over 50 000. Photo: Lincon Zarbietti/dpa (Photo by Lincon Zarbietti/picture alliance via Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando começou a sentir os sintomas do novo coronavírus, o motorista Josafá Alves da Silva, 57 anos, resolveu procurar atendimento médico, mas teve sua situação agravada por erros de avaliação dos médicos que o atenderam em Cotia, na Grande São Paulo. E não foram uma nem duas, mas quatro vezes.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

No fim de abril, com muitas dores de cabeça e diarreia, ele foi enfraquecendo e não conseguia nem andar direito. A situação piorou com falta de ar, na pior fase da doença.

Leia também:

Com interino na Saúde há 40 dias, Brasil vê mortes por Covid-19 dispararem

Lava-Jato mira ex-ministro de Lula em nova operação

Obrigar alguém a usar máscara é ferir um direito?


"Em 18 dias eu estive duas vezes na UPA Atalaia com esses mesmos sintomas, estive em uma clínica particular, num dia em que passei mal e fiquei muito fraco na rua. Fui atendido, e eles me mandaram embora. E estive no Hospital de Cotia, onde fiz a tomografia e eles me mandaram embora para casa. Falaram que eu não tinha nada, que não tinha problema nenhum", conta Josafá, destacando que, assim que deu entrada no Centro de Atendimento da Covid-19 da cidade, no dia 14 de maio, o médico pediu a tomografia, feita no hospital, e verificou que ela já mostrava claramente que ele estava com a doença.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Ao todo, o motorista ficou oito dias internado na ala amarela do hospital de campanha, para pacientes com sintomas mais leves mas que necessitam de acompanhamento. "Fiquei no oxigênio e tomando medicamentos, como corticoide e antibióticos, e assinei documento [dizendo] que estava tomando cloroquina. Depois de quatro dias, com medicação intensa, fui melhorando."

Após a alta médica, no dia 22, Josafá afirma que ainda se sentia muito fraco, não conseguia andar direito e a alimentação não parava em seu estômago. Sem conseguir acompanhamento médico, acabou ele próprio tentando resolver sua situação.

"Quando tentei procurar a tenda [centro de atendimento] para me ajudar, fraco, com dor de cabeça forte, dor nos rins, eles me abandonaram. Então, falei: 'Tenho de cuidar da minha vida'. Aí comecei a forçar, a andar de bicicleta, e fui melhorando. Hoje estou melhor e só sinto as dores nos rins. Mas isso acho que com o tempo vai passar. Agora já carrego cesta básica o dia inteiro. Tudo pelo meu esforço", diz Josafá, explicando que a mulher, Lourdes, 57, teve pneumonia, mas não chegou a fazer o teste da Covid. Ela já está recuperada.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Da Folha de S.Paulo

Leia também