Coronavírus: Itália registra recorde com 627 mortes em 24 horas

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Ambulância em Hospital de Nápoles. (Foto: Paolo Manzo/NurPhoto via Getty Images)
Ambulância em Hospital de Nápoles. (Foto: Paolo Manzo/NurPhoto via Getty Images)

A Itália registrou, nesta sexta-feira (20), o maior número diário de mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia: 627. Ao todo, o número de vítimas de Covid-19 no país chegou a 4.032, em 47.021 infectados.

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A Itália representa agora 36,6% de todas as mortes pelo vírus no planeta. A região da Lombardia, onde os hospitais estão lotados, continua pagando o preço mais alto, com mais 381 mortes (2.549 no total).

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Foram detectados no país cerca de 6.000 novos casos, mais um número inédito. A Itália tem mais de 66 mortos por um milhão de habitantes, uma proporção que chega a mais de 250 na Lombardia, principal zona econômica do país.

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Para conter a disseminação do novo coronavírus, o governo da Itália impôs restrições na circulação em todo o país. Italianos não devem sair de casa, a não ser em caso de extrema necessidade — na maioria dos casos, é preciso levar uma declaração de punho próprio para apresentar às autoridades, em caso de abordagem.

VELOCIDADE DO CONTÁGIO

A velocidade de propagação do novo coronavírus no Brasil repete o padrão dos países que mais sofrem com o avanço da covid-19, demonstram gráficos produzidos pela BBC News Brasil com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O crescimento de casos confirmados segue um ritmo parecido com o de países como Alemanha, França e Reino Unido.

A pedido da reportagem, um analista de dados e um médico que acompanham o avanço do coronavírus na Itália analisaram o gráfico.

"Na Itália, estamos assistindo a um filme idêntico ao que vimos na China, e a batalha será a mesma em todos os outros países do mundo, mas com dias ou semanas de atraso", afirma Nino Cartabellotta, médico e presidente da Fundação Gimbe, organização não governamental que promove a difusão de informações científicas confiáveis para a realização de políticas públicas.

"O Brasil tem a chance de jogar sabendo o resultado da outra partida, porque já viu o filme italiano. Comparar a curva de diferentes países não é um problema, muito pelo contrário", diz Cartabellotta.

Para Lorenzo Pregliasco, sócio-fundador da empresa de pesquisas Quorum, o Brasil "está alinhado com a maior parte dos países observados", apesar de seguir "um pouco atrás" na curva de crescimento: "Particularmente, me parece que o ritmo de contágio possa seguir a trajetória da França."

Em apenas 10 dias, a França saltou de 50 casos para mais de mil. Depois disso, mandou seus 67 milhões de habitantes ficarem em casa, a não ser em caso de deslocamentos essenciais.

Comparar o avanço epidemiológico em países diferentes, no entanto, não é uma conta exata, explica Pregliasco. Até agora, cada nação tomou medidas diferentes de contenção da covid-19. Além disso, a origem dos focos iniciais de cada nação pode interferir nos cálculos: "Na Itália, a disseminação precoce e muito rápida dos contágios provavelmente ocorreu por causa da contaminação inicial em hospitais. Então, dependendo de quantos e quais são os focos, a tendência de cada país pode ser muito diferente."

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