Coronavírus: Itália registra recorde com 627 mortes em 24 horas

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
An ambulance car outside Cotugno Hospital in Naples, Italy on March 20, 2020. (Photo by Paolo Manzo/NurPhoto via Getty Images)
Ambulância em Hospital de Nápoles. (Foto: Paolo Manzo/NurPhoto via Getty Images)

A Itália registrou, nesta sexta-feira (20), o maior número diário de mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia: 627. Ao todo, o número de vítimas de Covid-19 no país chegou a 4.032, em 47.021 infectados.

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A Itália representa agora 36,6% de todas as mortes pelo vírus no planeta. A região da Lombardia, onde os hospitais estão lotados, continua pagando o preço mais alto, com mais 381 mortes (2.549 no total).

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Foram detectados no país cerca de 6.000 novos casos, mais um número inédito. A Itália tem mais de 66 mortos por um milhão de habitantes, uma proporção que chega a mais de 250 na Lombardia, principal zona econômica do país.

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Para conter a disseminação do novo coronavírus, o governo da Itália impôs restrições na circulação em todo o país. Italianos não devem sair de casa, a não ser em caso de extrema necessidade — na maioria dos casos, é preciso levar uma declaração de punho próprio para apresentar às autoridades, em caso de abordagem.

VELOCIDADE DO CONTÁGIO

A velocidade de propagação do novo coronavírus no Brasil repete o padrão dos países que mais sofrem com o avanço da covid-19, demonstram gráficos produzidos pela BBC News Brasil com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O crescimento de casos confirmados segue um ritmo parecido com o de países como Alemanha, França e Reino Unido.

A pedido da reportagem, um analista de dados e um médico que acompanham o avanço do coronavírus na Itália analisaram o gráfico.

"Na Itália, estamos assistindo a um filme idêntico ao que vimos na China, e a batalha será a mesma em todos os outros países do mundo, mas com dias ou semanas de atraso", afirma Nino Cartabellotta, médico e presidente da Fundação Gimbe, organização não governamental que promove a difusão de informações científicas confiáveis para a realização de políticas públicas.

"O Brasil tem a chance de jogar sabendo o resultado da outra partida, porque já viu o filme italiano. Comparar a curva de diferentes países não é um problema, muito pelo contrário", diz Cartabellotta.

Para Lorenzo Pregliasco, sócio-fundador da empresa de pesquisas Quorum, o Brasil "está alinhado com a maior parte dos países observados", apesar de seguir "um pouco atrás" na curva de crescimento: "Particularmente, me parece que o ritmo de contágio possa seguir a trajetória da França."

Em apenas 10 dias, a França saltou de 50 casos para mais de mil. Depois disso, mandou seus 67 milhões de habitantes ficarem em casa, a não ser em caso de deslocamentos essenciais.

Comparar o avanço epidemiológico em países diferentes, no entanto, não é uma conta exata, explica Pregliasco. Até agora, cada nação tomou medidas diferentes de contenção da covid-19. Além disso, a origem dos focos iniciais de cada nação pode interferir nos cálculos: "Na Itália, a disseminação precoce e muito rápida dos contágios provavelmente ocorreu por causa da contaminação inicial em hospitais. Então, dependendo de quantos e quais são os focos, a tendência de cada país pode ser muito diferente."