Coronavírus: Médicos celebram fechamento dos hospitais temporários 'mostrando os rostos'

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Em vídeo, médicos chineses celebraram o fechamento dos hospitais temporários revelando seus rostos. (Foto: Reprodução/Twitter)
Em vídeo, médicos chineses celebraram o fechamento dos hospitais temporários revelando seus rostos. (Foto: Reprodução/Twitter)

Médicos chineses celebraram o fechamento dos hospitais temporários criados emergencialmente para controlar a disseminação do coronavírus em Wuhan, cidade de origem da doença. Em um vídeo divulgado pela Embaixada da China no Brasil, os profissionais aparecem tirando as máscaras de proteção e revelando seus rostos.

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No dia 10 de março, o último dos 16 hospitais, construídos em tempo recorde para atender pacientes, foi oficialmente fechado. Pela cidade, há vários indícios de que o cotidiano dos 11 milhões de habitantes, submetidos a uma quarentena sem precedentes desde janeiro, começa a voltar ao normal.

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Funcionários do aeroporto voltaram a trabalhar e o número de novos casos diários registra queda há várias semanas. Nesta terça-feira, o governo chinês reportou apenas 19 novos casos de Covid-19, frente a 40 anunciados ontem.

O número ainda marcou o terceiro dia consecutivo sem casos novos transmitidos domesticamente na China continental fora da província de Hubei, da qual Wuhan é capital, apesar de a doença se alastrar rapidamente em outros países, como Itália e Estados Unidos. A efeito de comparação, o governo italiano, país mais afetado na Europa, anunciou na segunda-feira 1.800 novos casos de contágio.

A província de Hubei anunciou nesta terça-feira a flexibilização de parte das restrições de deslocamento imposta aos moradores. A região, assim como a cidade, está isolada desde janeiro, com quase 56 milhões de pessoas em quarentena. O governo provincial anunciou que utilizará um aplicativo para smartphones para atribuir um código de saúde aos moradores.

As pessoas com um código verde — que significa que não estiveram em contato com pessoas infectadas — e que moram em zonas consideradas de risco médio ou baixo serão autorizadas a viajar dentro da província. Os casos confirmados ou suspeitos têm código vermelho, enquanto o código amarelo indica um contato próximo com um caso confirmado.

Não há indicações, no entanto, de que as pessoas poderão sair da província e também não foi anunciado o fim das medidas de contenção em Wuhan. Qianjiang, outra cidade de Hubei, disse que todos os postos de verificação de tráfego serão retirados, que o transporte público será reativado e que as empresas voltarão ao trabalho no futuro próximo, de acordo com uma reportagem de um site oficial.

O presidente da China, Xi Jinping, fez nesta terça-feira sua primeira visita a Wuhan desde o início da epidemia, em um sinal de que os esforços das autoridades para controlar o vírus estão funcionando. A notícia da visita de Xi animou as ações chinesas. O índice blue-chip encerrou o dia com alta de 2,1% depois de chegar a ficar negativo no pregão da manhã.

Xi Jinping, que não apareceu no início da crise, é mostrado desde fevereiro como o líder da luta contra o novo coronavírus, com "instruções" e "discursos". Em Wuhan, o presidente visitou o hospital Huoshenshan, construído em apenas 10 dias por um exército de operários, informou o canal oficial CCTV.

— É óbvio que Xi não poderia ter visitado Wuhan antes porque o risco de ele contrair o vírus lá era muito alto inicialmente — disse Zhang Ming, professor da Universidade Renmin de Pequim, à Reuters. — Ele está lá agora para colher o que plantou. Ele estar lá significa que o Partido Comunista Chinês pode declarar vitória contra o vírus em breve.

A China foi criticada interna e externamente por sua reação inicial ao surto, suprimindo informações e minimizando seus riscos, mas seus esforços de controle draconianos, incluindo a interdição de Wuhan e da província de Hubei, têm sido eficazes na contenção da epidemia.

Durante sua viagem a Wuhan, Xi "visitará e expressará apreço pelos agentes médicos, militares e soldados, agentes comunitários, policiais, autoridades e voluntários que vêm combatendo a epidemia na linha de frente, além dos pacientes e moradores durante a inspeção", informou a agência estatal de notícias Xinhua.

A "visita de inspeção" de Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes, também inclui reuniões com moradores, líderes políticos e funcionários públicos responsáveis pela aplicação da quarentena.

— No auge da epidemia, Xi evitou visitar o epicentro porque não queria ser criticado — declarou à AFP Bruce Lui, professor na Universidade Batista de Hong Kong. — Mas agora a situação melhorou e faz a visita para receber elogios.

Apesar da aprovação às medidas draconianas do governo chinês por parte da população, o governo foi criticado pela reação inicial lenta e pela detenção de pessoas críticas, acusadas de propagar boatos. A morte do médico Li Wenliang, que denunciou a existência do coronavírus e foi vítima da doença em fevereiro, provocou muitas críticas ao regime e, inclusive, pedidos de liberdade de expressão.

A viagem de Xi Jinping acontece poucos dias depois da principal autoridade da cidade ter afirmado que os moradores deveriam expressar "gratidão" ao Partido Comunista pela gestão da crise, o que provocou piadas dos internautas. A cidade já havia recebido as visitas do primeiro-ministro Li Keqiang e da vice-primeira-ministra Sun Chunlan.

— Sua visita serve para voltar a mobilizar a população e para demonstrar que é o momento de retomar uma vida normal e o trabalho — declarou à AFP Hua Po, um analista político independente de Pequim.

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