Coronavírus: Governo de SP reforça distanciamento social e não descarta 'lockdown'

Yahoo Notícias
Governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa. (Foto: Sergio Andrade/Divulgação/Governo de SP)
Governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa. (Foto: Sergio Andrade/Divulgação/Governo de SP)

O governo de São Paulo reforçou, na coletiva de imprensa desta quinta-feira (26), a necessidade do distanciamento social como medida para conter o avanço do novo coronavírus no Brasil, inclusive mencionando a possibilidade de um ‘lockdown’ caso seja preciso.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

O discurso do governador João Doria (PSDB) enfatizando a restrição da circulação das pessoas segue a linha adotada em acordo com os outro 26 governadores, e vai na contramão do que pediu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.

Leia também

Na avaliação da Secretaria de Saúde de SP, as medidas de restrição de mobilidade adotadas até agora têm sido suficientes e colaborado com o freio no número de mortes e casos no estado. “Éramos 90% dos casos no Brasil e agora somos perto de 30%, mas todos os dias há acréscimo no número de casos e mortes. Tem dias com mais acréscimo e dias com menos, mas a pandemia segue crescendo”, explicou o secretário de Saúde, José Henrique Germann.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

O secretário destacou que o número das mortes cresceu 20% entre terça e quarta. Com o aumento diário nas mortes e confirmações para a Covid-19, Germann não descartou “apertar o cinto” nas medidas restritivas.

“Existe uma gradação nas ações que estamos tomando. Agora há um distanciamento social e não isolamento total. O próximo passo, se tiver necessidade, será o isolamento social, o isolamento domiciliar Se tiver que apertar mais ainda esse cinto, será preciso um ‘lockdown’, inclusive com com uso de força policial para que permaneçam em casa”.

ISOLAMENTO É A ‘VACINA QUE TEMOS’

A coordenadora do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, a infectologista Helena Sato, reforçou a necessidade de ficar em casa.

“Temos de manter e reforçar a postura de ficar em casa. Não podemos ter aquela ideia de ‘ah, meu vizinho está saindo e vou fazer o mesmo porque não estão aumentando o número de casos. O conhecimento que temos de outros países apontam que os casos vão aumentar se não trabalharmos em conjunto desde o começo, no dia a dia. Temos que reforçar com vizinhos e amigos: ‘fiquem em casa’. É a vacina que temos no momento”, disse Sato.

O governador afirmou que é cogitada a possibilidade de abordagem de idosos nas ruas pela polícia. "Se nós continuarmos ainda vendo em ruas nas áreas de circulação pessoas visivelmente com mais de 60 anos, elas poderão ser abordadas por policiais como por agentes da GCM recomendando que sigam para suas casas", disse. "Já temos mais 70 veículos da Polícia Militar com alto-falando circulando por áreas adensadas pedindo que pessoas com mais de 60 anos fiquem em casa".

Doria também anunciou repasse de R$ 218 milhões para 80 municípios com mais de 100 mil habitantes no estado. Segundo ele, ainda serão anunciados repasses para a capital paulista e cidades menores nos próximos dias.

O tucano afirmou que a medida tem como objetivo ajudar no combate ao coronavírus e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade.

Doria vem fazendo entrevistas coletivas diárias, nas quais tem buscado se diferenciar do presidente Jair Bolsonaro, que minimiza a crise do coronavírus. Apesar de o tucano ter minimizado as críticas ao presidente nesta quinta, o tom pedindo para que as pessoas não saiam às ruas segue o embate travado entre governadores e Bolsonaro.

Na coletiva de quarta, Doria citou a pesquisa do Datafolha para afirmar que as ações tomadas por Bolsonaro no combate ao coronavírus mais “atrapalham do que ajudam”.

Em seu pronunciamento, realizado na terça, Bolsonaro pediu o fim do confinamento em massa. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?”, questionou Bolsonaro.

O discurso de Bolsonaro foi repetido, posteriormente, pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Mandetta falou em racionalidade e afirmou que as determinações sobre quarentena foram feitas de forma desorganizadas, precipitadas e ocorreram muito cedo. Ele defendeu que haja melhores critérios conversados entre o Ministério da Saúde e governadores. "Temos que melhorar esse negócio de quarentena, foi precipitado, foi desarrumado", disse.

O ministro também afirmou que as restrições de circulação podem comprometer, inclusive, o sistema de saúde. O ministro participou de entrevista coletiva realizada de forma remota, mas fez apenas uma fala inicial. Ele se retirou antes de atender as perguntas encaminhadas pelos jornalistas.

CASOS NO BRASIL E EM SP

O estado de São Paulo possui o maior volume de mortes e casos confirmados no Brasil. São 48 óbitos e 862 confirmações de pessoas com Covid-19, segundo balanço divulgado na quarta-feira (25) pelo Ministério da Saúde. O índice de mortalidade do novo coronavírus em São Paulo é de 5,6%.

Além das mortes confirmadas, São Paulo tem outras 20 mortes de pacientes possivelmente vítimas da Covid-19 e que estão sendo investigadas. Há casos ainda da confirmação de cinco diagnósticos da doença obtidos apenas depois do registro das mortes.

Ao todo, são 57 mortes e 2.433 casos confirmados no Brasil.


Leia também