Coronavírus: Embaixada da China no Brasil redobra atenção, mas mantém emissão de vistos ao país asiático

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Foto: AP Photo/Patrick Ngugi
Foto: AP Photo/Patrick Ngugi

O ministro conselheiro Qu YuHui, porta-voz da embaixada da China no Brasil, alertou nesta sexta-feira (31) que brasileiros evitem viajar para as zonas mais afetadas pelo coronavírus, como Wuhan, na província de Hubei. No entanto, a emissão de vistos ao país não foi suspensa. 

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Já chineses que vêm ao Brasil são orientados a comunicar imediatamente qualquer sintoma da doença, como febre.

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“Acreditamos que podemos vencer essa batalha dura, com a cooperação da comunidade internacional. A China tem experiência em situações epidêmicas e já estabeleceu medidas de prevenção e tratamento da doença”, destacou.

Qu YuHui afirmou que a embaixada está cooperando com as autoridades brasileiras em relação à epidemia causada pelo coronavírus, em especial com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A Anvisa tem atuado em pontos de entrada ao país, como portos, aeroportos e fronteiras.

Ele disse que a procura por informações na embaixada aumentou bastante nos últimos dias. Além de intensificar os contatos com as autoridades brasileiras para garantir a prevenção ao novo vírus, chineses que moram no Brasil estão preocupados com a situação na China e buscam notícias na embaixada.

O ministro conselheiro chinês acredita que o Brasil não será muito afetado com a propagação do coronavírus, embora ressaltou que é preciso aprofundar as pesquisas e entender melhor qual ambiente é mais favorável ao vírus.

“Hoje 99% dos casos estão concentrados na China, enquanto que 1% corresponde a casos de fora, mas principalmente em países com maior intercâmbio, como os países que fazem fronteira com o território chinês e os Estados Unidos”, ponderou.

Qu YuHui confirmou que hoje são quase 10 mil casos confirmados da doença em todo o mundo. Até o momento, 213 morreram (todas na China).

Na avaliação do representante da embaixada da China no Brasil, ainda há falta de informação sobre o coronavírus, por se tratar de um vírus novo. ”China e outros países estão tentando entender como ele funciona, as causas de transmissão, como deve ser o tratamento, mas estamos em interação com as organizações mundiais de saúde e confiantes no controle da doença”. 

No Brasil, o ministro conselheiro disse que não viu uma situação de pânico nem de preconceito a chineses e asiáticos de um modo geral. “Esperamos que não aconteça”, completou.

A embaixada reiterou os esforços do governo chinês em montar uma estrutura de defesa contra o coronavírus. Wuhan, epicentro do novo vírus, está isolada. Há dez dias, cerca de 56 milhões de chineses – uma população maior que a do estado de São Paulo – estão em quarentena.

O país também enfrenta restrições no transporte público, grandes aglomerações foram proibidas e pontos turísticos estão fechados.

Além disso, o governo está construindo dois hospitais em Wuhan, com 5.300 leitos no total destinados aos cuidados de pessoas infectadas. O plano é que os centros de saúde comecem a funcionar nos dias 2 e 5 de fevereiro. Ainda foram direcionados para as áreas afetadas mais de 1.600 médicos e enfermeiros.

Para evitar a disseminação nas fronteiras, passageiros são submetidos a triagem de temperatura, exames médicos e investigação médica. 

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, até o momento, nove casos se enquadram na atual definição de caso suspeito para o novo coronavírus. De acordo com o estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, para ser considerado caso suspeito, é necessário apresentar febre, pelo menos um sinal ou sintoma respiratório e ter viajado para a China nos últimos 14 dias.

Os sintomas causados pelo vírus são febre, infecções de vias aéreas superiores semelhantes ao resfriado (com coriza, febre e dificuldade para respirar) e até casos graves com pneumonia e insuficiência respiratória aguda, com dificuldade respiratória.

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