Coronavírus atrapalha tráfico de drogas de PCC e Comando Vermelho, diz site

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Marcola e outros líderes do PCC são transferidos para Brasília
Marcola e outros líderes do PCC são transferidos para Brasília


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O pandemia do novo coronavírus travou o tráfico internacional de drogas realizado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) e pelo CV (Comando Vermelho), as duas maiores facções criminosas do Brasil.

Segundo reportagem do portal UOL, a importação de entorpecentes feita desde países andinos diminuiu com o fechamento das fronteiras terrestres e a fiscalização mais rigorosa. O lucro das organizações criminosas com a venda ilegal de maconha e cocaína caiu consideravelmente.

Policiais federais e civis de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará afirmam afirmam que o preço da maconha nas cidades, no atacado e no varejo, aumentou. A cocaína, exportada pelo PCC por meio de navios cargueiros, teve seu tráfico local em países como Espanha e Itália dificultado pela ausência de pessoas nas ruas.

De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente (SP), "certamente o PCC está com dificuldade de trazer a droga para o Brasil": "A produção que vinha por via terrestre está praticamente parada, embora ainda tenha pequenos aviões que tragam essa droga, que chega até São Paulo".

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A pandemia, de acordo com o especialista, atrapalha outros grupos organizados, como cartéis sul-americanos e máfias europeias: "É um resultado natural do fechamento das fronteiras. Não tem como mandar droga para fora se a droga não está chegando normalmente. A tendência neste período é diminuir".

Desde o início da pandemia até 19 de abril, as forças policiais que atuam na fronteira do Brasil apreenderam 15,7 toneladas de drogas. No mesmo período, 6,7 milhões de maços de cigarro contrabandeados também foram apreendidos.

O coordenador geral de fronteiras do Ministério da Justiça, Eduardo Bettini, revela estratégias e rotas alternativas das facções para a entrada ilegal dos entorpecentes: "Buscamos intensificar essas ações onde havia mais porosidade. Eles [criminosos] têm uma gama de alternativas ali e o que nós fizemos foi fortalecer o policiamento nessas rotas".

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que, desde o fechamento das fronteiras, o programa Vigia (especializado em situações complexas) está reforçando a fiscalização nas "cerca de 20 'cidades gêmeas', municípios cortados pela linha de fronteira, seca ou fluvial, das 33 existentes no país".

"O reforço, além de aumentar a fiscalização nessas áreas e combater o crime organizado, reduz riscos à saúde relacionados aos problemas sanitários decorrentes da circulação de pessoas, manutenção de linhas de suprimento de itens essenciais, garantia do abastecimento e manutenção do fluxo de comércio em rodovias. Neste sentido, desde o fechamento das fronteiras, houve um aumento nas apreensões de drogas e cigarros", diz a pasta.

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