Corinthians de Tiago Nunes: passe e intensidade explicam saídas de Ralf e Jadson

“A opção por ele não permanecer é por características”, disse o técnico Tiago Nunes em sua apresentação oficial como treinador do Corinthians para 2020. O novo comandante se referia ao volante Ralf, um dos maiores ídolos da história do clube, que apesar de ter renovado o contrato até o fim deste ano não seguirá mais no Parque São Jorge.

A notícia surpreendeu especialmente os torcedores, gratos pela participação do jogador ao longo de títulos históricos de Brasileirão, Libertadores e Mundial, e foi o primeiro grande sinal da intenção de Tiago Nunes em fazer o que Fabio Carille, seu antecessor, não conseguiu em 2019: mudar o estilo de jogo do time, saindo do foco mais defensivo, dependente dos contra-ataques, para um modelo de maior domínio para ter a bola.

Questão física pesou para Jadson

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Jadson - Corinthians x São Caetano - 20/01/2019
Jadson - Corinthians x São Caetano - 20/01/2019
(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

E não é apenas Ralf que irá se despedir. Boa parte das peças do meio-campo de 2019 não seguirá no Corinthians em 2020: Junior Urso foi negociado com o Orlando City (EUA), Sornoza foi emprestado para a LDU (Equador) e Clayson foi para o Bahia. Aos 36 anos, Jadson não tem mais o físico que, na opinião da nova comissão técnica, é necessário para o novo estilo de futebol.

A reposição dos meias mais criativos veio com a chegada de Luan junto ao Grêmio, aliado à responsabilidade maior sobre os ombros de Pedrinho para a campanha que terá início. Mas se o meio-campo é o setor chave para ditar o futebol de posse de bola aliado à intensidade, que é a forma com a qual Tiago Nunes gosta de aplicar suas ideias, a saída de Ralf é o fator mais emblemático na construção deste novo Corinthians.

Não basta ser apenas um “cão de guarda”

Ralf Esteban Paredes Corinthians Colo Colo Copa Libertadores 29082018
Ralf Esteban Paredes Corinthians Colo Colo Copa Libertadores 29082018
(Foto: Getty Images)

Ralf foi o meio-campista mais recuado de um Corinthians que, nos últimos anos, tinha a solidez defensiva como grande força. Seus méritos para os títulos históricos conquistados estão além de qualquer suspeita, mas sua característica de jogo, assim como os 35 anos, decretaram a despedida.

Foco quase total em perseguir o adversário para roubar a bola, pouca participação no passe e chegadas raras ao campo de ataque. Este é um rápido resumo do estilo de jogo de Ralf. Um estilo que não se encaixa, especialmente por causa das ações com a bola nos pés, com o Corinthians de Tiago Nunes.

Cantillo e Camacho: as peças para o meio-campo em 2020

Para mostrar a diferença no jogo de Ralf para o que o torcedor corintiano pode esperar para 2020, levantamos alguns números junto à Opta Sports que traduzem esta questão de diferença no estilo de jogo.

Considerando Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, Ralf trocou menos passes (36 por jogo) até mesmo do que os zagueiros Gil e Manoel (44,8 e 50,3 respectivamente) em 2019. Roubou mais bolas (50) e chegou menos vezes ao ataque em comparação à dupla de zaga.

GFX Ralf Camacho Cantillo 07 01 2020
GFX Ralf Camacho Cantillo 07 01 2020

Na comparação com Camacho, que volta ao Corinthians após duas temporadas emprestado justamente ao Athletico-PR treinado por Tiago Nunes, e ao colombiano Víctor Cantillo, é possível imaginar um meio-campo com jogadores que saibam equilibrar melhor as funções defensiva e ofensiva.

Considerando o Brasileirão 2019, apesar de ter disputados menos jogos do que Ralf, Camacho (29 anos) trocava mais passes por jogo (45 a 36), inclusive no campo de ataque (27,5 a 18,5) e ainda teve aproveitamento melhor nos desarmes (80% a 64%).

Víctor Cantillo também teve aproveitamento melhor nos desarmes (77,5%) no Torneo Finalización da Colômbia, vestindo a camisa do Júnior de Barranquilla, além de ter chegado mais ao ataque, como comprovam os três gols e uma assistência.

A necessidade pela intensidade decretou o fim da história de Jadson no Corinthians e também permeou a saída de Ralf, cuja despedida simboliza de vez a guinada do clube em busca de um novo padrão de jogo.

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