Corinthians só perdeu por quatro gols para a Ponte uma vez: em 1977

O ano de 1977 é certamente um dos mais importantes da história do Corinthians e talvez o que o torcedor da Ponte Preta mais quer esquecer devido à famigerada final do Campeonato Paulista, que encerrou um tabu de mais de 22 anos do Timão sem títulos de grande expressão. Vem dessa temporada, porém, a única ocasião em que a Macaca construiu um resultado sobre o clube do Parque São Jorge que lhe daria a chance de reverter os 3 a 0 recebidos em Campinas, no último domingo.

Foi naquele mesmo Estadual, ainda na segunda rodada, que o Timão sofreu sua pior derrota na história para os campineiros. Jogando no estádio Moisés Lucarelli, a mesma base que tiraria a equipe da fila meses depois e que acabara de ser vice-campeã no Brasileiro mostrou-se irreconhecível principalmente na defesa, como frisou a A Gazeta Esportiva do dia 14 de fevereiro, e perdeu por 4 a 0 para Oscar, Dicá, Tuta e companhia.

Ainda há registros de dois 3 a 0, resultado que levaria a decisão para os pênaltis no próximo domingo, em Itaquera, em partidas disputadas em 1979 e 1980, mas apenas um triunfo dos visitantes por quatro gols de diferença. Por isso, aquela “tarde negra” de 1977 é, por incrível que pareça, talvez a única inspiração para os ponte-pretanos na busca pela primeira taça de boa representatividade na história do clube.

Àquela época apontada como um time de poderio por vezes até maior do que o dos grandes, a Ponte já amedrontava o Timão antes mesmo de a bola começar a rolar. “Era mais do que prevista a derrocada corintiana”, começou o texto que relatou a goleada dos anfitriões, construída com gols de Rui Rei, Dicá, Jair e Parraga, ressaltando que o goleiro Tobias não teve culpa no revés desde o seu título.

“Seu meio de campo com Vanderley, Marco Aurélio era bem mais rápido do que Luciano e Ruço, que não acompanhavam a Basílio, sacrificado atrás com a forte pressão do time campineiro”, avaliou o periódico, reservando ainda uma nota especial para o técnico Duque, que sacou o zagueiro Ademir ainda aos 25 minutos de bola rolando, após o defensor cometer o pênalti que Dicá converteu para fazer o 2 a 0.

“Isso não se faz com o brio de um profissional sempre tido como um dos mais regulares”, reclamou Ademir, que foi aplaudido pela torcida apesar da má atuação e desencadeou uma série de reprovações ao treinador, demitido um mês mais tarde após novo revés, dessa vez para o Guarani. “A torcida viu em grande número que não foi o Ademir o culpado pelo resultado desastroso”, continuou o jogador.

Apesar da goleada, porém, a doce lembrança do revés para os corintianos fica por conta da derrocada  e demissão de Duque, abrindo caminho para o retorno do técnico Oswaldo Brandão. À época apenas comandante do título do Quarto Centenário, em 1954, o último antes do início da fila, o treinador, em uma história mais conhecida, chegou à conquista do mesmo Paulista, em outubro.

Além da escassez de goleadas sofridas para a Ponte, o Corinthians ainda se apoia no bom retrospecto em Itaquera, onde ainda não perdeu por mais de dois gols de diferença desde a inauguração, em 2014. Para completar, nas quatro vezes em que um time abriu 3 a 0 no primeiro jogo da final do Paulista, esse mesmo time terminou com o título na mão.