A cor da nossa paixão

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Jô FOTO Miguel Schincariol/Getty Images

O sogro de um amigo não come molho de tomate. Ele é Grêmio. Não pode nada vermelho da cor do Inter.

Um amigo jogou no lixo a primeira árvore de Natal montada pela mulher. Por ela ser natural - verde. Ele comprou no dia seguinte uma de plástico. Branca da cor do Corinthians. Onde o casal fez a festa de matrimônio.

Uma amiga não tinha plantas no apartamento. Elas eram verdes. Ela, alvinegra.

Eu já fui xingado no velho Palestra por ir trabalhar com uma calça preta (do uniforme da emissora onde eu trabalhava).

Você deve conhecer outras histórias do tipo. Algumas mais radicais. Outras mais "normais".

Mas a anormalidade bate bola com a paixão. Compreender, respeitar e não "tocar" em áreas sensíveis é questão de inteligência.

Nos tempos de chuteiras de todas as cores, essencial conhecer os códigos que não precisam ser escritos. Se o Corinthians não se pintou de verde nem na tragédia da Chapecoense, um atleta usar a chuteira da cor do maior rival não é preciso dizer que é desnecessário. Ainda mais em fase terrível dele e do time. Mesmo ele tendo tanta história de berço.

Tão evitável quanto o clube ter deixado Jô vestir a chuteira foi o ídolo usar a cor "proibida". Tão contornável quanto o clube ter que se pronunciar a respeito depois. Admitindo até a punição ao jogador mais jovem a marcar um gol pelo Corinthians.

Você pode achar tudo isso um exagero. Um recibo indevidamente passado por um débito inexplicável.

Mas não se espere racionalidade em campo. Não é futebol.

Ainda mais quando se discute se é verde ou azul turquesa. Ou azul Tiffany, como defende o atacante que tinha como ter tirado de letra - tirando a chuteira.

Da cor da joalheria do filme com Audrey Hepbburn.

Eu sou meio daltônico. Talvez sofra mesmo de acromatopsia. A incapacidade de distinguir cores. Tão complexa quanto distinguir sentimentos. Tão respeitável quanto não julgar sintomas, condições e doenças.

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