Contrato assinado por antiga gestão do Cruzeiro garante mais de R$ 25 milhões a Dodô

Victor Martins
·3 minuto de leitura
Dodô chegou a treinar no Cruzeiro nos primeiros dias de 2020 (Fernando Moreno/AGIF)
Dodô chegou a treinar no Cruzeiro nos primeiros dias de 2020 (Fernando Moreno/AGIF)

Por determinação da Justiça do Trabalho o lateral-esquerdo Dodô está de volta ao Cruzeiro. Contratado por empréstimo na temporada passada, o jogador tinha um pré-contrato assinado pela antiga gestão que garantia a renovação por mais quatro anos, desde que a Raposa somasse 15 pontos no Campeonato Brasileiro. E esse é o motivo da disputa entre o atleta e o clube. O contrato em questão pode custar mais de R$ 25 milhões para o Cruzeiro.

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Os valores são completamente fora da atual realidade financeira da Raposa. O rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o acumulo de dívidas e gestão temerária do ex-presidente Wagner Pires de Sá deixaram o clube sem condições de arcar com os contratos assinados antes de 2020. Tanto que vários jogadores deixaram a Toca da Raposa nos últimos meses e alguns estão recebendo apenas parte do pagamento, com o compromisso que o saldo restante será quitado a partir de maio do ano que vem.

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A diretoria atual do Cruzeiro até tentou uma renegociação com Dodô, porém o atleta não se mostrou interessado em abrir mão do que estava acertado desde o começo do ano passado. Somente com luvas pela assinatura do contrato o lateral-esquerdo tem R$ 8,8 milhões a receber. Esse valor se explica pelo fato de o clube mineiro assumir uma dívida que a Sampdoria, da Itália, tinha com o jogador.

Além disso, o contrato de quatro temporadas prevê o pagamento mensal de R$ 330 mil, fora o direito de imagem, como consta no processo movido pelo lateral. Portanto, somando luvas, salários e imagem, Dodô tem direito a receber mais de R$ 25 milhões do Cruzeiro até dezembro de 2023.

Dodô chegou a participar dos primeiros dias da pré-temporada, até o conselho gestor (responsável por cuidar do clube até eleição de Sérgio Santos Rodrigues) entender que o Cruzeiro não tinha de cumprir o que estava acordado, apesar de a meta de 15 pontos conquistados no Brasileirão ter sido atingida. O lateral entrou com a ação em março e desde então tenta fazer reconhecer a legalidade do acordo.

Dívida com a Sampdoria pode gerar nova ação na Fifa

Dodô chegou ao Cruzeiro ano passado, emprestado pela Sampdoria, da Itália. Para contratar o lateral-esquerdo, a Raposa desembolsou 200 mil euros (R$ 850 mil na cotação da época). Pelo contrato firmado na antiga gestão, o clube mineiro teria de pagar mais 300 mil euros (R$ 1,3 milhão na cotação de janeiro do ano passado) aos italianos, para ficar com o jogador em definitivo, caso atingisse 15 pontos no Brasileirão.

Tanto que a Sampdoria entende que já vendeu Dodô ao Cruzeiro. A equipe europeia se baseia na cláusula do contrato assinado no ano passado. Mas, como a diretoria celeste não se viu obrigada a cumprir o que estava acertado e pede nulidade do acordo na Justiça, obviamente que o pagamento pela compra do jogador não ocorreu. Por isso, caso não aconteça um acordo entre os clubes, a tendência é que o Cruzeiro seja acionado na Fifa mais uma vez, para que pague os 300 mil euros pela aquisição de Dodô.

E dívidas cobradas na Fifa então entre os grandes tormentos recentes do clube celeste. A equipe iniciou a Série B com seis pontos negativos em função do não pagamento de R$ 5,3 milhões para o Al-Wahda, dos Emirados Árabes, referente ao empréstimo do volante Denilson. E, de acordo com o presidente Sérgio Santos Rodrigues, somente nesta temporada o Cruzeiro já pagou mais de R$ 30 milhões em débitos antigos na Fifa.

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