Contratações e ideias táticas: como chegam os 5 maiores times da Premier League

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City levantou a taça da Premier League na última temporada (Laurence Griffiths/Getty Images)
City levantou a taça da Premier League na última temporada (Laurence Griffiths/Getty Images)

Por Leonardo Miranda (@leoffmiranda)

O maior campeonato do mundo vai começar! Manchester United e Leicester darão o pontapé inicial na bola às 16h hoje. A Premier League terá muitas novidades. É a primeira em 22 anos sem Arsene Wenger, que deixou o Arsenal. Será também a estreia de Maurizio Sarri, o badalado técnico italiano do Chelsea. E também a terceira de Jurgen Klopp, atual vice-campeão europeu.

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Apostas? Favoritos? O Yahoo Esportes fez um grande compêndio de como o chamado “Top 5” se preparou para a temporada.

O último suspiro de Mourinho num United em xeque

A lista começa com o vice-campeão da última Premier League. Se você está se perguntando por que o City não está aqui, tem motivo. Os olhos da Inglaterra e do mundo estarão mais focados do que nunca no United de Mourinho. A terceira temporada do polêmico treinador português é uma espécie de chance final. Um ultimato. A eliminação para o Sevilla na Liga dos Campeões e o futebol de baixa qualidade não coloca apenas o futuro do United em jogo, mas também faz questionar sobre a atualização de Mourinho frente a um futebol que evolui a todo instante.

Para piorar, essa é talvez a pior janela de contratações dos últimos tempos. Lee Grant veio para ser terceiro goleiro, Diogo Dalot chega como promessa e, de relevante mesmo, só Fred, que fez excelente temporada pelo Shakhtar. E olha, o elenco do United não é ruim. Existe um equilíbrio entre juventude e experiência e grandes meio-campistas, como Herrera, Matic e Pogba. O que está em jogo são as escolhas táticas de José Mourinho. Na pré-temporada, seu time mostrou mais do mesmo: um espaço imenso entre zaga e meio-campo, um ataque distante e sem se aproximar por dentro do campo, vários encaixes individuais e os mesmos problemas da zaga que ainda tem Smalling como titular.

Mou não deve sair do 4-1-4-1, até pelas inúmeras opções no meio-campo. Matic é supremo e querido pelo técnico por oferecer saída rápida e ganhar vários duelos na marcação. Ele é o “1” do sistema. Pogba é outro que não deve sair do time. Pela esquerda, faz os movimentos de infiltração e acelera com a bola. A briga está na direita, com Fred chegando para ser titula e Ander Herrera possivelmente no banco. Fellaini, McTominay e Pereira correm por fora. A coisa complica no ataque. Juan Mata atua aberto pela direita, na função de um armador que flutua pelo lado. Ele é o único jogador com características assim, enquanto Sánchez e Martial ocupam o outro lado, com Lukaku intocável na frente. A criação das jogadas foi e é o principal problema do United, que conta com muita gente para correr e apenas um grande pensador.

Como o Manchester United deve entrar em campo (Reprodução)
Como o Manchester United deve entrar em campo (Reprodução)

Com Mahrez, o drible que o jogo de passes precisou na Liga dos Campeões

O City de Guardiola bateu todos os recordes na Premier League. O conhecido jogo de passes do treinador, uma filosofia que vem desde o Barcelona, encontrou um ambiente favorável no campeonato. Guardiola soube adaptar a necessidade de ter um time mais físico, e em muitos jogos, o City jogou no contra-ataque. Muitos dos gols de Gabriel Jesus e Aguero vieram de transições rápidas, em sua maioria puxadas por Kevin de Bruyne, talvez o melhor jogador da Premier League passada, junto a Salah.

O sucesso faz o City contratar menos na janela, mas não com pouca qualidade. A Premier League era o grande objetivo de Guardiola, que assim com seu arquirrival Mourinho, terá os olhos do mundo sobre ele. Mas o desafio agora é manter a pegada na Premier League e ir além. Por isso o City foi atrás do artigo mais valioso do futebol hoje: o drible. Mahrez, vindo do Leicester, foi a única contratação de impacto do time. Explica-se: na temporada passada, Leroy Sané teve destaque puxando jogadas de linha de fundo. Sterling e Bernardo Silva não foram tão eficazes do outro lado.

Com Mahrez, Guardiola terá drible e incisividade nos dois lados. A bola chegará com velocidade a eles, já que a saída de bola será feita com três zagueiros – Stones, Walker e Laporte saem na frente. No meio, Fernandinho é absoluto, assim como De Bruyne, que vem cada vez mais atuando em todas as faixas do campo. Uma festa. Troca rápida de passes, laterais que podem ser zagueiros ou meio-campistas e Jesus pronto a empurrar a bola para o gol, como rende melhor. A Premier nunca é fácil, mas o City desponta como favorito não porque se reforçou mais, mas porque pensou com afinco seu grande reforço.

Como o Manchester City deve entrar em campo (Reprodução)
Como o Manchester City deve entrar em campo (Reprodução)

O Chelsea viverá a revolução de Sarri, e por isso é cedo para pensar em título

Após o furacão vivido com Conte na última temporada, o Chelsea irá se reconstruir. Tirou Maurizio Sarri do Napoli, considerado um dos técnicos mais originais da Europa. Junto veio Jorginho, um camisa 5 perfeito e que funciona como o grande articulador de jogadas. Se Courtois preferiu ir para o Real Madrid, Kovacic chega para liderar a camisa 10. E Hazard fica, assim como Fábregas e Kanté. Ou seja: o Chelsea tem tudo para dar certo na temporada.

Mas calma lá. Sarri é dono de ideias inegociáveis, o que por si só já gera instabilidade. A questão é que ele é muito diferente de Antonio Conte. Seu jogo é propositivo, mais afeito a ter a bola e pressionar o adversário a todo instante. Por isso será um desafio colocar essa filosofia num elenco que rende mais quando é regido pelos contra-ataques de Hazard e o pivô de Giroud ou Morata. Será que Abramovich terá a calma necessária para o excêntrico italiano conseguir trabalhar?

Podemos ver o Chelsea no 4-3-3 “sarrista” de sempre. Com a bola, triangulações e Jorginho flutuando o campo inteiro em busca de dar ritmo e controle a bola. Se faltam opções pelos lados, no miolo a briga é boa: Kovacic e Fábregas podem ser os criadores e Kanté é o destruidor. Na zaga, David Luiz e Rudiger devem ser titulares, até por saberem jogar melhor com a bola nos pés. Está na moda gostar de Sarri. Agora é esperar se um dos clubes mais cruéis do mundo dará tempo para ele propor seu jogo nada comum.

Como o Chelsea deve entrar em campo (Reprodução)
Como o Chelsea deve entrar em campo (Reprodução)

Arsenal: um novo treinador após 22 anos, mas angústias antigas

Nada foi mais triste (ou alegre) que a dispensa de Wenger do Arsenal. Afinal, foram 22 dedicados ao clube. Responsável por mudar a cultura do time e torná-lo um dos símbolos do futebol moderno, ele deu lugar a um surpreendente Unai Emery, vindo do PSG. Emery, tricampeão da Liga Europa, é um dos bons técnicos da Europa nos últimos anos e tem como especialidade se adaptar aos elencos que tem. É também um técnico que gosta de competir, apesar de não ter conseguido manejar os egos inflados da equipe francesa que tem Neymar.

Taticamente, Emery deve dar continuidade ao jogo de velocidade e criatividade do Arsenal. A presença de Bernd Leno no gol dá segurança a uma posição constantemente criticada, e Lucas Torreira veio para ser o iniciador de jogadas que faltava. Stephan Lichtsteiner veio a preço de ouro para ser uma opção de força física e chegada na lateral-direita, outra posição crítica. O Arsenal contratou pouco e bem. Buscou preencher suas carências não apenas com qualidade, mas experiência. Competitividade. Luta. Valores que esteticamente podem não ser de agrado, mas respondem exatamente o que faltou à equipe nos últimos anos.

Foram diversas formações testadas na pré-temporada, com destaque ao 4-2-3-1. O Arsenal não deve sair de uma linha de 4 atrás. É no meio-campo que a formação deve mudar, sempre pensando no adversário. Um dos principais traços do time foi a pressão que a equipe fazia quando perdia a bola. Com Xhaka e Ramsey (aliás, bastante talento nesse meio), Ozil pode se juntar à criação das jogadas ou pisar a área, que tem em Lacazette uma opção confiável em gols e jogadas de profundidade. Resta saber se tudo isso será competitivo e irá vencer jogos mais difíceis, a grande angústia do carente torcedor gunner.

Como o Arsenal deve entrar em campo (Reprodução)
Como o Arsenal deve entrar em campo (Reprodução)

Liverpool: segurança no gol e mais rock’n roll no futebol

Quase tudo deu certo para o Liverpool na temporada passada. A saída de Coutinho se provou um acréscimo na equipe e deu lugar para Salah brilhar na artilharia. O time ganhou na defesa, e Oxlade-Chamberlain virou um meio-campista de classe. A equipe de Jurgen Klopp, sempre num 4-3-3 com Mané, Firmino e Salah sendo um trio de ataque centralizado e muita pressão na bola, correu e competiu até não poder mais. Mas na final da Liga dos Campeões, Karius colocou tudo a perder. E a defesa, que demorou a se ajustar, foi responsável por uma não tão boa colocação na Premier League, grande busca do torcedor.

Alisson chegou para dar confiança ao gol. Aplaudido, fez algumas defesas nos amistosos. O trio de ataque permanece intocado, assim como a defesa. O Liverpool foi buscar opções para o meio-campo. Fabinho e Naby Keita chegaram porque são jogadores de fôlego. Marcam e atacam com a mesma intensidade, e têm na velocidade e nas jogadas de infiltração o grande forte. É o que Klopp quer. Não que Milner ou Wijnaldum não possam fazer. Mas o primeiro já se encontra em curva decrescente, e o holandês muitas vezes não acelera tanto a bola como pode.

Klopp gosta de um futebol de velocidade e de ataques toda hora. Keita e Fabinho chegam para dar velocidade a essas jogadas. Shaqiri, a outra contratação, é o banco perfeito: joga na de Salah e Mané, com as mesmas características. A inteligente janela do Liverpool supre as carências e dá um plus no jogo de muita velocidade do time. Repetir os feitos é a chave, mas as atenções estão na Premier League. Impor o frenético ritmo contra equipes muito fechadas é a chave para o Liverpool sofrer menos no interior do Reino Unido.

Como o Liverpool deve entrar em campo (Reprodução)
Como o Liverpool deve entrar em campo (Reprodução)

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