Contratação de Cristiano Ronaldo gera greve em patrocinadora da Juventus

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Chegada de Cristiano Ronaldo causou problemas para a Fiat (Foto: AP)
Chegada de Cristiano Ronaldo causou problemas para a Fiat (Foto: AP)

Cristiano Ronaldo foi confirmado como reforço da Juventus por 100 milhões de euros. Porém, nem todos os italianos estão felizes com a chegada do jogador português. O sindicato de trabalhadores da Fiat, patrocinadora do clube bianconero, anunciou que os funcionários entrarão de greve por causa da contratação do camisa 7.

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“Enquanto os trabalhadores e suas famílias apertam os cintos cada vez mais, a empresa decide investir muito dinheiro em um único recurso humano! Isso é justo? É normal que uma pessoa ganhe milhões, enquanto milhares de famílias não conseguem nem chegar ao meio do mês?”, afirma o comunicado do sindicato.

“O salário de Cristiano poderia dar 200 euros (R$ 917) de aumento para todos os funcionários da empresa”

A empresa Exor, da familia Agnelli que é dona da Fiat, da Juventus e outras empresas do ramo automobilístico, pagará uma grande porcentagem dos 100 milhões de euros investidos na contratação de Cristiano Ronaldo. Essa não é a primeira vez que o clã investe em um atleta. Em 2016, a empresa bancou uma grande quantia dos 96,7 milhões de euros para comprar Higuaín junto ao Napoli.

Gerado Giannone, funcionário da empresa há 18 anos, reclama: “Depois de Higuaín (contratado junto ao Napoli em 2016, por 94,7 milhões de euros), também Cristiano Ronaldo? É uma vergonha. Os trabalhadores não recebem aumento há 10 anos. O salário de Cristiano poderia dar 200 euros (R$ 917) de aumento para todos os funcionários da empresa. Já perdemos 10,7% devido a inflação na última década, algo que nunca foi reposto. E a empresa gasta 126 milhões de euros por ano com patrocínios, sendo 26,5 milhões só para a Juventus”.

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Em nota oficial, o clube de Turim confirmou a contratação de Cristiano Ronaldo junto ao Real Madrid por 100 milhões de euros mais 12 milhões de euros do mecanismo de solidariedade da FIFA. Além disso, o empresário Jorge Mendes receberá entre 12 e 15 milhões de euros pela negociação.

O sindicato dos funcionários soltou uma nota repudiando o negócio. Leia na íntegra.

Não é aceitável que os trabalhadores da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e da CNH Industrial continuem fazendo enormes sacrifícios econômicos, enquanto a companhia gasta centenas de milhões de euros num jogador.

Dizem que os tempos estão difíceis, que precisamos recorrer a redes de segurança social, à espera do lançamento de novos modelos, que nunca chegam. E enquanto os trabalhadores e suas famílias apertam os cintos cada vez mais, a empresa decide investir muito dinheiro em um único recurso humano!

Isso é justo? É normal que uma pessoa ganhe milhões, enquanto milhares de famílias não conseguem nem chegar ao meio do mês?

Somos todos funcionários do mesmo proprietário, mas essa diferença de tratamento não pode e não deve ser aceita.

Os trabalhadores da Fiat conquistaram a fortuna da empresa por pelo menos três gerações, mas, em troca, receberam apenas uma vida de miséria.

A empresa deve investir em modelos de carros que garantam o futuro de milhares de pessoas, em vez de enriquecer apenas uma.

Esse deveria ser o objetivo, uma empresa que coloca os interesses de seus funcionários em primeiro lugar. Se não é, é porque eles preferem o mundo do futebol, entretenimento e tudo mais.

Pelos motivos descritos acima, a Unione Sindacale di Base declarou uma greve na FCA Melfi entre as 22h do domingo, 15 e 18 de julho, na terça-feira, 17 de julho.


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