As contratações de Alexandre Mattos no Palmeiras desde 2015

O Palmeiras demitiu Alexandre Mattos após a derrota para o Flamengo e encerrou uma gestão de cinco anos do diretor. Homem de confiança do futebol do clube desde a virada para 2015, ele contratou no atacado, acertou bastante e foi protagonista de um Palmeiras que voltou a ser relevante no mercado, mas não se poupou dos excessos.

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Quando o time sucumbiu aos grandes adversários, ficou evidente a falta de um olhar mais certeiro para o plantel, que apesar de numeroso e valioso no papel não foi capaz de superar os grandes rivais que surgiram no caminho dos duelos eliminatórios (caiu para São Paulo, Internacional e Grêmio), além de ter sido atropelado pelo Flamengo no Brasileirão.

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Diante do fim do ciclo, lembramos os cinco anos de contratações de Alexandre Mattos no Palmeiras, que assinou com mais de 70 jogadores ao longo dessas temporadas.

2015

A primeira temporada foi aquela em que se priorizou a quantidade. O time comandado por Oswaldo de Oliveira na final do Campeonato Paulista de 2015, contra o Santos, ainda tem Valdivia e já é liderado por Fernando Prass, mas do resto é inteiramente novo, em nada lembra o time quase rebaixado de meses antes.

Do atacado, o grande destaque é Dudu, cobiçado por outros clubes e firmado como principal voto de confiança para o momento que se iniciava, a marca de um Palmeiras buscando retomar o protagonismo e com o alto faturamento da combinação entre patrocínio e novo estádio. Mas chegam também outros nomes interessantes, desembolsando por gente como Robinho, destaque do Coritiba, Leandro Pereira, atacante da Chapecoense, e Lucas Barrios, contratado após a Copa América.

Aproveita o fim de contrato de gente bem cotada por aí, como Arouca, Aranha, Cleiton Xavier, Lucas, Zé Roberto, Egídio e Alecsandro, e ainda acerta empréstimos para apostar em Vitor Hugo, Kelvin e Rafael Marques. Claro que entre as mais de 20 chegadas, muita gente vira frustração, mas o título da Copa do Brasil no final do ano com protagonismo da maior estrela, Dudu, faz o ano terminar com resultados satisfatórios, ainda que com um Brasileirão de meio de tabela e o irregular desempenho do time que já é de Marcelo Oliveira.

Zé Roberto Corinthians Palmeiras Paulista 22022017
Zé Roberto Corinthians Palmeiras Paulista 22022017
(Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

Avaliação: depois do desastre de 2014, quantidade e gente relevante eram importantes; o título da Copa do Brasil deu confiança e mais tranquilidade para seguir o trabalho.

O que deu muito certo: ganhar a concorrência por Dudu valeu a pena, além da liderança de Zé Roberto e do bom futebol de Robinho.

Quem não vingou: muita gente não conseguiu convencer, como Allan Patrick, Ryder, Fellype Gabriel, Leandro Almeida, Amaral, Jackson.

Quem se lembra? João Paulo, lateral-esquerdo que veio emprestado do Flamengo, jogou a Série B deste ano pelo América-MG.

2016

Segue a tendência de alta rotatividade e uma boa turma que chegou com Mattos já vai buscar outros ares, como Victor Ramos, Andrei Girotto, Jackson, Amaral. Vitor Hugo e Rafael Marques fecham em definitivo, e quatro contratações são fundamentais para o título brasileiro: Rogér Guedes, jovem atacante do Criciúma, Moisés, do Rijeka (Croácia), Mina, do Santa Fé (Colômbia), e Tchê Tchê, do Audax - esses dois últimos já no meio da temporada.

Também fica evidente a superlotação do elenco, com contratações que tiveram pouco espaço e sem margem para desenvolvimento no clube, como o goleiro Vagner, do Avaí, que desde então rodou por vários clubes; o meia Régis, que chegou do Sport e logo foi emprestado ao Bahia, e o volante Rodrigo, de bom futebol pelo Goiás que praticamente não jogou. O ponto fora da curva é Jailson: o veterano goleiro do Ceará, que nunca havia jogado na Série A, chega para compor o banco, mas vira destaque do time com a lesão de Prass.

Mattos também valoriza jogadores experientes, com títulos no currículo, para deixar o elenco mais graúdo, ao menos no papel. Assim busca Edu Dracena, em fim de contrato no Corinthians, e Jean, pagando ao Fluminense.

Mas a presença do Palmeiras agressivo no mercado começa a fazer com que o time pague um preço alto por jogadores concorridos pelos grandes clubes, e nem sempre o investimento dá certo. Erik, atacante do Goiás, custa R$ 13 milhões e não vinga.

Com Cuca, que chega depois da péssima Libertadores de Marcelo, vem o título do Brasileiro depois de mais de 20 anos, com destaque para a revelação do clube, Gabriel Jesus, já negociado com o Manchester City ainda quando buscava a taça nacional.

Yerry Mina Palmeiras
Yerry Mina Palmeiras
(Foto: Miguel Rojo)

Avaliação: Fica evidente que o time contrata mais do que precisa quando jogador contratado não cabe nem no banco de reservas. Ainda assim, acerta em peças importantes para o título brasileiro.

O que deu muito certo: a aposta em Moisés, a contratação do cobiçado Roger Guedes, o rápido olhar sobre Tchê Tchê no Paulistão e a chegada de Yerry Mina.

Quem não vingou: Vagner, Régis, Rodrigo e o prejuízo técnico da troca com o Cruzeiro.

Quem se lembra? O lateral-esquerdo Fabrício chegou, junto de Fabiano, com as saídas de Robinho e Lucas para o Cruzeiro.

2017

Eduardo Baptista começa a temporada mas dura apenas até maio, quando Cuca retorna. Alexandre Mattos faz sua contratação mais agressiva ao pagar mais de 10 milhões de dólares por Borja, a maior contratação da história do Palmeiras, que apesar de algumas fases goleadoras nunca justifica tamanho status.

O clube segue gastando também com Alejandro Guerra, Luan, Hyoran, Keno, Raphael Veiga, Juninho e Bruno Henrique, todos custando seus alguns milhões. Com moral na praça, continua cativando atletas em fim de contrato, como Felipe Melo. Acerta com Willian Bigode, trocado por Robinho, e no ataque paga quase R$20 milhões por Deyverson, pedido de Cuca, que não se encanta por Borja.

O treinador deixa o time na reta final do Brasileirão e o Palmeiras termina o ano comandado por Alberto Valentim. O time é vice-campeão brasileiro e passa a temporada sem conquistas.

Deyverson Palmeiras Junior Barranquilla Libertadores 10042019
Deyverson Palmeiras Junior Barranquilla Libertadores 10042019

(Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)
 

Avaliação: Já campeão, continua contratando muito. Borja acaba sendo caro e, por tabela, Deyverson também. Definitivamente o mercado acaba inflacionado, ainda que seja inegável a qualidade do elenco no papel.

O que deu muito certo: Willian Bigode é importante desde então, Keno se firmou rápido e Bruno Henrique virou um dos destaques do time.

Quem não vingou: Guerra e Borja tiveram seus momentos, mas nunca com o brilho do título da Libertadores; Hyoran e Veiga não conseguiram virar grandes destaques.

Quem se lembra? Michel Bastos, em fim de contrato com o São Paulo, ganhou sua chance no Palmeiras.

2018

O ano começa com Roger Machado e Mattos busca nomes de destaque em clubes brasileiros, pagando por Diogo Barbosa, do Cruzeiro, Weverton, do Athletico-PR, e Gustavo Scarpa, do Fluminense, além de Lucas Lima, em fim de contrato com o Santos, e Marcos Rocha, que chega por empréstimo do Atlético-MG. Assim como aconteceu com Mina dois anos antes, Gustavo Gómez é o estrangeiro que chega para se firmar na zaga, emprestado do Milan.

Bruno Henrique Palmeiras campeão Brasileirão Série A 02122018
Bruno Henrique Palmeiras campeão Brasileirão Série A 02122018
(Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Mais uma vez o treinador não durou a temporada, e em julho Roger foi trocado por Felipão. O Palmeiras parou nas semifinais das Copas, do Brasil e Libertadores, e venceu o Brasileiro numa arrancada invicta que mostrou o bom nível do elenco. Alternando praticamente o time inteiro entre um jogo e outro, ganha o campeonato com destaque de jogadores que nem era os titulares absolutos, como por exemplo Mayke, eleito para a seleção do campeonato mesmo jogando menos que Marcos Rocha na lateral-direita.

Diogo Barbosa Palmeiras Cruzeiro Copa do Brasil 12092018
Diogo Barbosa Palmeiras Cruzeiro Copa do Brasil 12092018
(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

Avaliação: O elenco mais equilibrado do Brasil dá resultado no Brasileiro, campeão usando e abusando do time misto e mesmo assim chegando a 80 pontos. O time não é brilhante, mas perde muito pouco. Começa a se questionar a falta de mais jogadores protagonistas nas quedas nos torneios eliminatórios e também o pouco uso da base, feita apenas para exportação.

O que deu muito certo: Weverton se firmou como um dos melhores goleiros do país, e Gustavo Gómez, titular da seleção do Paraguai, deu qualidade para a zaga

Quem não vingou: Lucas Lima e Gustavo Scarpa ainda não alcançaram o protagonismo de outros tempos, quando eram donos do time no Santos e no Flu

Quem se lembra? Nico Freire, argentino que veio da Holanda, e Emerson Santos, zagueiro ex-Botafogo, mal jogaram na defesa palmeirense

2019

Diferente de dois anos antes, o time ganha o Brasileiro mas não perde nenhum destaque, pelo contrário: reforça o elenco e portanto tem um início de ano com grupo bastante inchado, tendendo a seguir com o modelo de dois times que funcionara meses antes.

Mayke e Marcos Rocha são contratados em definitivo, Felipe Pires chega por empréstimo, assim como Ricardo Goulart - ambos duram pouco. No mais, o clube desembolsa uma boa grana por Zé Rafael, Arthur Cabral, Matheus Fernandes, Carlos Eduardo e, depois, Vitor Hugo. Arthur acaba emprestado e para seu lugar vem Luiz Adriano, mais pronto, em fim de contrato. Ramires é outro que chega sem custos, mas sem ritmo de jogo.

Com Scolari, o time se frustra novamente nas Copas e é ultrapassado pelo Flamengo no Campeonato Brasileiro que liderava mais uma vez. Chega Mano Menezes, que dura apenas 20 partidas num ano sem conquistas nem grande futebol.

Ricardo Goulart Leila Pereira Palmeiras 06022019
Ricardo Goulart Leila Pereira Palmeiras 06022019
(Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras)

Avaliação: Manter a mesma toada foi pouco, e o time rendeu menos que ano passado. Como não saiu ninguém, os novatos tiveram espaço apertado no time titular, e a impressão é que vários passaram o ano vivendo uma peneira, precisando provar o tempo todo. O modelo de muitas contratações, pouca evolução de jogadores e mal rendimento nos grandes duelos saturou com a reta final do Brasileiro.

O que deu muito certo: Muito certo, mesmo, de forma notável, ninguém. Zé Rafael teve altos e baixos, e Luiz Adriano fez seus gols, mas pegou o time em queda técnica.

Quem não vingou: Arthur Cabral mal teve chances, Matheus Fernandes também jogou pouco, Goulart chegou, se machucou e foi embora... mas a grande frustração é o caro Carlos Eduardo.

Quem se lembra? Henrique Dourado chegou por empréstimo em julho e mal chutou a gol - será que um dia irão se lembrar dessa passagem?

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