Conheça o dirigente catari que fez a Copa acontecer no Oriente Médio

O dirigente catari Hassan Al-Thawadi foi o grande responsável pela Copa no Catar em 2022. Foto: Alexander Hassenstein - FIFA/FIFA via Getty Images
O dirigente catari Hassan Al-Thawadi foi o grande responsável pela Copa no Catar em 2022. Foto: Alexander Hassenstein - FIFA/FIFA via Getty Images

Nos dias que antecederam a abertura, o espaçoso escritório de Hassan Al-Thawadi no centro de Doha se transformou no olho do furacão. O órgão que o dirigente catari ocupa o cargo de secretário-geral teve de comunicar a Fifa que não haveria cervejas à venda nos estádios do Mundial.

A decisão não era do Supremo Comitê da Entrega e do Legado, o órgão responsável pela organização da primeira Copa do Mundo no Oriente Médio. A mudança de rota aconteceu por pressão dos meios conservadores da sociedade do Catar. O temor era a má influência na juventude do país.

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Al-Thawadi cumpriu a determinação que, em último caso, veio do emir sheik Tamin bin Hamad Al Thani. E saiu em defesa dela, que foi a vitória de um grupo conservador da sociedade catari sobre outro mais liberal, que desejava liberar a cerveja nos estádios e cumprir o acordo com a Fifa, pelo menos durante a Copa do Mundo.

Afinal, o objetivo final do país é se posicionar em um papel mais relevante na geopolítica do planeta. Al-Thawadi era um dos defensores da abertura.

“Esta Copa do Mundo é provavelmente a mais escrita e comentada, mesmo antes de uma bola ter sido chutada. É profundamente lamentável que grande parte destes comentários tenha se desviado para uma aceitação da desinformação, rejeição de nuances e profundidade, e muitas vezes sustentada por tropos racistas baseados em preconceitos e estereótipos de longa data do Oriente Médio e do mundo árabe”, atacou, sobre as críticas que o país tem sofrido nos últimos 12 anos, desde que venceu a eleição para receber o torneio, em dezembro de 2010.

Além de ser o responsável final por toda a logística do evento, Al-Thawadi é o cão de guarda do Mundial. Isso significa sair em defesa da realização do torneio em sua terra natal em todas as oportunidades.

“A Copa do Mundo é o ponto de partida para mudanças na sociedade e o Ocidente não consegue ver o quano o Catar mudou nos últimos anos”, disse, em 2020, em uma roda de imprensa com jornalistas.

Reservado e capaz de falar inglês como se fosse um nativo, o advogado formado na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, é uma força em ascensão no regime do país. O sucesso na campanha para que o Catar fosse eleito sede do Mundial e a organização do torneio o fizeram ser premiado. No começo deste ano, foi nomeado pelo emir para cargo no conselho do fundo soberano do país. O órgão financeiro, que basicamente administra a riqueza da nação, tem patrimônio avaliado em US$ 440 bilhões.

De quebra, Al-Thawadi é, indiretamente, dirigente de futebol. Em última instância, o fundo é o dono do Paris Saint-Germain (FRA), onde joga Neymar.

Na abertura do Mundial, neste domingo (20), entre Catar e Equador, ele estava no estádio Al Bayt, mas quase não foi visto. Era o momento do emir, figura que tem a imagem espalhada por todos os cantos do país, aparecer mais.

A realização da Copa era a vitória final do secretário, que sempre bateu na tecla de que os turistas deveriam se adaptar à cultura do Catar, não o contrário. Esta era uma opinião polêmica mas teve ressonância. No auge da crise da cerveja, um dia antes do primeiro jogo, o presidente Gianni Infantino, passou basicamente a mesma mensagem como maneira de desviar as críticas à organização do tormeio.

É algo que Al-Thawadi vem fazendo há 12 anos.

“Estamos orgulhosos de quem somos e dos valores que defendemos. Somos uma nação que sempre defendeu a abertura, o diálogo entre os povos e a aproximação das pessoas”, defendeu o secretário-geral da Copa.