Conheça Lucescu, sondado para substituir Sampaoli no Santos

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Clube santista busca um treinador estrangeiro para 2020 (AP Photo/Peter Morrison)
Clube santista busca um treinador estrangeiro para 2020 (AP Photo/Peter Morrison)

Treinadores nascidos no Leste Europeu não são tão comuns no futebol brasileiro. O único caso de sucesso, o húngaro Bela Gutmann, foi técnico do São Paulo campeão paulista de 1957. 62 anos depois, o Santos, vice daquele estadual de 1957, volta seus olhos para o leste do Velho Continente para buscar o substituto de Jorge Sampaoli: o romeno Mircea Lucescu confirmou o convite para assumir o clube santista em 2020, mas não se decidiu.

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Aos 74 anos, Mircea Lucescu é o segundo técnico com mais títulos na carreira, graças a passagens bem-sucedidas no futebol romeno, italiano (Brescia), turco (Galatasaray e Besiktas), russo (Zenit St Petersburg) e, sobretudo, ucraniano (Shakhtar Donetsk).

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O início na Romênia e o sucesso no “lado B” da Itália

A carreira de treinador começou na temporada 1979-80, quando se despediu da seleção romena e assumiu o comando do Corvinul Hunedoara enquanto ainda era jogador (só pendurou as chuteiras em 1982) e logo foi campeão da segunda divisão da Romênia. Já em 1981 assumiu a seleção nacional, lá ficando até 1986, quando foi para o Dínamo Bucareste e conquistou uma liga e duas copas romenas.

O sucesso chamou a atenção do então poderoso futebol italiano na virada dos anos 80 para a década de 1990. Após um ano no Pisa, ficou de 1991 a 1996 no Brescia, onde conquistou uma Série B e uma Copa Anglo-Italiana (torneio extinto em 1996, que reunia times ingleses e italianos). Após uma temporada no Reggiana, vieram anos vitoriosos no Rapid Bucareste (uma liga, uma copa e uma supercopa) intercalados por uma rápida volta à Itália para dirigir a Inter de Milão em 1998-99.

Festejado por dois rivais na Turquia e multicampeão na Ucrânia 

Lucescu desembarcou em Istambul em 2000 com a responsabilidade de dar seguimento ao trabalho de Fatih Terim no Galatasaray, campeão da Copa da UEFA. Começou bem, batendo o Real Madrid na Supercopa da UEFA, mas perdeu a Liga Turca (Süper Lig) para o rival Besiktas.

Recuperou-se com o título turco na temporada 2001-02, mas acabou demitido para a volta de Terim. Ironicamente, assinou com o Besiktas logo depois e foi campeão turco em 2002-03, temporada que marcava o centenário do clube. Coisas do futebol: o vice foi justamente o Galatasaray.

Mircea Lucescu treinou o time turco (AP Photo)
Mircea Lucescu treinou o time turco (AP Photo)

O ano de 2004 foi o primeiro de doze anos de Mircea Lucescu no comando do Shakhtar Donetsk, com o qual conquistou oito títulos da Liga da Ucrânia, seis Copas nacionais, sete Supercopas e a Copa da UEFA 2008-09. Somados ao título da Supercopa da Rússia pelo Zenit St Petersburg em 2016-17, Lucescu conquistou um total de 32 torneios como treinador, sendo o segundo técnico com mais títulos no futebol mundial, atrás apenas do escocês Alex Ferguson, lenda do Manchester United.

Em agosto de 2017 voltou a treinar uma seleção, a da Turquia. Curiosamente, de novo substituindo Fatih Terim. Ao assumir, afirmou que seria o último trabalho de sua carreira. Não conseguiu se classificar para a Copa da Rússia 2018, mas seguiu no cargo até fevereiro de 2009.

Capitão na volta de seu país a uma Copa do Mundo e camisa do Rei na bagagem

A Romênia disputou as três Copas do Mundo antes da II Guerra Mundial, em 1930, 1934 e 1938. Após o conflito, só voltou ao mundial em 1970, no México, tendo Mircea Lucescu como capitão. O sorteio, ingrato, colocou a Romênia no mesmo grupo do então bicampeão Brasil, da atual campeã Inglaterra e da Tchecoslováquia vice-campeã oito anos antes.

Após perder na estreia para a Inglaterra por 1 x 0, a Romênia se recuperou 2 x 1 na Tchecoslováquia, chegando à última rodada com chances de avançar à fase seguinte caso batesse um Brasil praticamente classificado e a Inglaterra não vencesse os tchecos.

O Brasil venceu por 3 x 2, a Romênia se despediu em terceiro lugar no grupo e só voltaria a um Mundial 20 anos depois, na Itália. Se a Copa acabou ali, restou a Lucescu ao menos um troféu: a camisa de Pelé, autor de dois gols, trocada ao final daquela partida.

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