Conheça a trajetória do kicker Balka, que decidiu o Brasileirão da CBFA com um field goal na final

Foto: (Laisa Leonelo) - Balka não sentiu o peso da decisão e acertou o field goal que virou a partida nos segundos finais


Faltam seis segundos para o fim da final do Brasileirão da CBFA. O Coritiba Crocodiles está perdendo a decisão no estádio Couto Pereira por 14 a 13, mas um avanço do ataque consegue colocar a bola na linha de 44 jardas. O kicker Balka vai para o chute. O título está nos pés do jovem jogador de 19 anos, que assumiu a titularidade nesta temporada. Ele se prepara, corre e chuta. A bola viaja, cai rente à trave e o time paranaense conquista o tricampeonato brasileiro.

Parece roteiro de filme de superação, mas a jogada descrita acima aconteceu no último domingo (27/11) e rendeu ao kicker Leonardo Sbalqueiro, popularmente conhecido como Balka, o prêmio de MVP ofensivo da final do Brasileirão da CBFA.

Sobre o lance que decidiu o campeonato, Balka recorda que passou um filme em sua cabeça na caminhada até o local do field goal de 44 jardas. Ele também enalteceu o apoio dos companheiros, como o experiente wide receiver Adan Rodriguez.

“No caminho até o local do field goal passou muita coisa na minha cabeça. Mas eu estava focado, tentando me acalmar, tentando ficar frio, porque sabia que seria a única maneira de vencer. Meus companheiros de equipe ajudaram muito. Segundos antes do chute, o Adan Rodriguez falou assim pra mim: ‘como é o sangue de crocodilo?’ Eu respondi: ‘sangue frio’. Àquela hora eu sabia que todos estavam comigo”, destacou.

Sobre a distância do field goal, Balka ressaltou que, na temporada passada, conseguiu acertar um chute mais distante em uma partida do sub-23, mas sem ter a pressão que foi decidir um confronto disputado e tão importante quanto o de domingo.
“O field goal mais longo que chutei durante um treino foi de 60 jardas, uma apostinha valendo um refrigerante. Mas, em jogo, foi um de 56 jardas contra o Sorriso Hornets, no campeonato do sub-23 do ano passado. Ainda não caiu a ficha do chute da final de domingo, porque prova o motivo de treinar o ano todo e, sinceramente, era meu sonho ganhar uma partida com um game winner, com o relógio prestes a zerar. É um sonho realizado”, afirmou.

Mas o jogo não só foi de alegrias para Balka. No terceiro quarto, um snap errado - em um extra point - não permitiu que ele executasse o chute. Em uma partida tão disputada, aquele lance poderia fazer muita falta no final.

“Na hora que o snap veio errado, saí de cabeça baixo, porque sabia que faria falta, o jogo estava muito apertado. Mesmo sabendo que provavelmente sairia mais um TD a favor do Croco e pudéssemos converter os dois pontos, eu tinha um sentimento lá no fundo de que no final, bem no finalzinho, iria acabar nas minhas pernas”, comentou.

Prêmio de MVP
Em elenco recheado de jogadores históricos do FABR, o jovem Balka foi eleito o MVP da decisão. O jogador destacou a honra de ser nomeado o mais valioso da final do Brasileiro da CBFA, contudo, ele enalteceu a força do elenco do Coritiba Crocodiles.

“É uma grande honra ganhar este prêmio, mas todos que estavam lá merecem esse prêmio também. Foi uma temporada gigantesca para a defesa e para o ataque. Os jogadores que estão no time são excelentes, atletas de seleção brasileira e que são veteranos. Eu tinha um ano de idade quando aconteceu o primeiro jogo full pads aqui no Brasil e alguns desses jogadores estavam nesta partida. Este prêmio representa toda a força que meus companheiros me passaram, toda a experiência, todo o ensinamento que me proporcionaram. O prêmio é deles também, sou muito grato a todos”, salientou.

Sobre a rotina de treinos, que deixam seus chutes tão precisos, Balka explicou como se dão os treinos e também destacou o papel do coach dos special teams do Croco na sua evolução como atleta.

“Minha rotina de treino, assim como os outros kickers - Clayton e Chile, consiste em chutes de distâncias diferentes, fazendo zerinho e um desafiando o outro. Esses exercícios nos ajudam a mirar corretamente, calibrar a força e a perna. Os outros kickers, com certeza, são um ponto fundamental para meu progresso dentro dos gramados e, assim, como todos os coaches que me cobraram, me incentivaram e me ensinaram. Preciso destacar o Betiato, coach dos special teams. Ele tem um lugar guardado para o resto da vida no meu coração. Ele que me colocou para chutar e me ensinou desde o começo. Ele sempre esteve comigo, seja nos treinos que acabei indo bem, seja nos treinos que me destaquei. Ele sempre esteve estava e vai estar comigo, posso confiar nele e sei que ele pode confiar em mim”, revelou.

Foi Betiato, inclusive, que enxergou o potencial de Balka e o trocou de posição, passando-o de wide receiver para kicker.

“Eu acompanho a NFL há um tempo e, desde sempre brincava com meu primo de jogar a bola de um para o outro. Até que decidi que gostaria ter a experiência de jogar como um wide receiver. Fiz o tryout e acabei entrando para o time de base como recebedor, até que chegou um treino em que experimentei chutar. O coach Betiato gostou de mim e comecei a treinar mais a fundo até que passei da base para o adulto”, completou.