Conheça Luís Campos, diretor ex-Real Madrid especulado no Palmeiras

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Nas redes sociais, os palmeirenses se animaram com a informação, divulgada pelo jornalista Alexandre Praetzel, de que o Palmeiras estaria interessado na contratação do diretor executivo Luís Campos. No entanto, nem todos conhecem os trabalhos passados do dirigente que teve importantes passagens pelo futebol espanhol e francês.

Carreira

Sem muito sucesso como treinador, Luís abandonou os gramados em 2005, após comandar o Beira-Mar, que, atualmente, está na terceira divisão portuguesa. Apenas em 2012, o cartola retornou ao esporte, como ‘scout’ do Real Madrid, trabalhando, na época, com José Mourinho.

Depois de uma temporada, mudou novamente de função, tornando-se diretor de futebol do Mônaco. Na equipe, foi responsável por importantes chegadas, como as de James Rodriguez, Bernardo Silva e, principalmente, Mbappé. Em 2017, foi contratado pelo Lille, equipe na qual participou do início da campanha que culminou no título francês, na temporada passada.

Perfil de trabalho

No Lille, Luís Campos tinha um perfil de trabalho muito bem definido. Conhecendo a realidade financeira do clube na qual se encontrava, entendia que não poderia contratar os principais jogadores do mundo. Por isso, observava competições menores em busca de talentos desconhecidos que poderiam agregar à equipe.

Em entrevista ao Record, jornal português, o dirigente explicou que acompanha o campeonato da Eslováquia, por ser uma liga de menor visibilidade e com potencial de revelar bons atletas.

– O campeonato da Eslováquia é um dos que acompanhamos e um nicho de mercado acessível para o Lille. Sabemos que não podemos contratar os jogadores dos grandes clubes, por isso procuramos talentos nos campeonatos nos quais temos capacidade económica para poder intervir.

Na hora de contratar um jogador, no entanto, o preço não é o único dos fatores considerados por Campos. O diretor explicou que busca, acima de tudo, atletas que encaixem com o estilo de jogo proposto pelo treinador e com as características do elenco.

Para decidir isso, a equipe de ‘scouting’ analisa as estatísticas do nome pretendido e vídeos das partidas nas quais ele esteve presente. Posteriormente, se este momento inicial for positivo, é realizada uma observação ao vivo.

– Construir uma equipa é como construir um ‘puzzle’. Não basta ser só bom jogador, é preciso que as peças encaixem até fazerem clique. O futebol é coletivo e o maior erro do scouting, na minha opinião, é escolher jogadores que até podem ser bons, mas que não encaixam no modelo de jogo da equipe – e continuou – eu utilizo o ‘fast scouting’. É uma rede que, em poucos minutos, me dá a informação se o jogador tem o perfil tático da equipa e uma avaliação das suas qualidades mais importantes. Os dados estatísticos também são muito importantes. Se for um jogador muito interessante, entra numa linha de observação, primeiro numa análise em vídeo e depois ao vivo. A análise ao vivo é fundamental, porque não acredito que só a análise em vídeo seja suficiente para contratar um jogador. Poder, pode-se, mas a margem de erro é muito maior. Outro fator importante é o contato. Acho impor- tante beber um café, almoçar ou jantar com o jogador antes de contratá-lo e perceber toda a sua linguagem corporal, que nos dá dados importantes.

Relativamente à equipe de ‘scouting’, Luís explicou como é a divisão de tarefas para uma análise mais rápida e precisa dos atletas que estão sendo observados.

– Atuamos em seis zonas, uma mais fixa na França e outras zonas de rotação, em que cada scout fica com uma área de três países. Esse olheiro fica nessa zona durante dois meses e meio até passar para outra, ficando com a infor- mação do observador que esteve lá antes – os três melhores jogadores por posição de cada país com três níveis de preços diferentes: de zero a 3 milhões de euros, de 3 a 6 e de 6 a 9 milhões. Todos os relatórios são colocados numa base de dados que eu desenvolvi com uma equipe portuguesa tecnologicamente muito avançada. Só eu, praticamente, tenho acesso a todos os relatórios. Se três scouts sinalizarem o mesmo jogador, a aplicação avisa-me de que há um jogador que devo observar ao vivo e estudá-lo em profundidade. Depois do ‘fast scouting’ e dos relatórios feitos pela equipa em rotação, existe a minha intervenção final.

Luís Campos está sem clube desde 2020, quando deixou a direção de futebol do Lille, da França.

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