Confusão deixa um morto e paralisa jogo do Boca Juniors

Jogo entre Gimnasia e Boca Juniors era disputado no Estadio del Bosque, em La Plata. Foto: Gustavo Garello/Jam Media/Getty Images
Jogo entre Gimnasia e Boca Juniors era disputado no Estadio del Bosque, em La Plata. Foto: Gustavo Garello/Jam Media/Getty Images

Tudo começou aos oito minutos do primeiro tempo da partida entre Gimnasia e Boca Juniors pelo campeonato argentino. A fumaça deixada pelo gás lacrimogêneo com o qual a polícia reprimiu os distúrbios do lado de fora e parcialmente dentro do campo impediram que a partida continuasse.

Os jogadores já estavam cobertos com a camisa até Néstor Gorosito ter que entrar em campo. Foi quando o juiz Hernán Mastrángelo parou o jogo, os jogadores foram para os vestiários e vários torcedores deixaram o estádio.

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A repressão começou fora do campo porque, aparentemente, havia pessoas incomodadas porque as portas do estádio estavam fechadas quando tinham interesse em entrar. Isso aconteceu às 20h45, segundo um platista, que estava com um menor. "As cercas foram jogadas em nós", disse o torcedor.

O mais grave: uma pessoa de 57 anos, identificada como César Regueiro, morreu de parada cardiorrespiratória. O indivíduo havia perdido a vida a caminho do hospital San Martín.

O ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, Sergio Berni, falou sobre Regueiro: "Aparentemente, quando ele estava saindo do estádio, ele teve uma descompensação cardíaca".

Segundo relatos de torcedores, o episódio que serviu como um estopim para a confusão, foi quando um policial empurrou uma menina. Além do gás lacrimogêneo, balas de borracha foram usadas pelos policiais para tentar acalmar os ânimos.

As pessoas começaram a deixar o campo e a polícia continuou a repressão. Muitos torcedores do Gimnasia foram vistos dentro do campo, cobrindo o rosto da fumaça. Mesmo os que ainda estavam na arquibancada tinham os olhos irritados pela fumaça. Muitas pessoas preferiram esperar nas arquibancadas porque sabiam da gravidade dos incidentes fora do estádio.

Enquanto era possível ver correria fora do estádio, os tiros continuavam, que podiam ser ouvidos dentro do campo. Mesmo muitos torcedores, que haviam entrado no campo de jogo, saíram pelo túnel de saída dos jogadores.

Outros relatos davam conta que muitas crianças perderam contato com seus pais durante a confusão, o que complicou ainda mais a situação. Segundo Leonardo Morales, jogador de Gimnasia, um menino de sete anos perdeu a visão.

O árbitro da partida, Hernán Mastrángelo, falou com a imprensa ao sair do estádio. "O pessoal da Aprevide (Agência de Prevenção de Violência no Esporte da Argentina) entrou em contato comigo, não estava em condições de jogar e tomamos a decisão de suspender o jogo. Senti uma profunda tristeza por um evento esportivo terminar assim. Não voltei para o campo de jogo. No vestiário tivemos que atender muita gente, demos água para eles. Tinha gente com crianças no colo e não nos divertimos".

"Não tenho informações sobre quando será jogado. Não resolvemos sozinhos. Suspendemos a partida aos nove minutos do primeiro tempo. Vamos cumprir o que a Liga e a AFA dizem", acrescentou.

A equipe do Boca só conseguiu sair do estádio às 23h45, duas horas após a suspensão do jogo. Nenhum membro da delegação quis falar com a imprensa.