Como treinadores jovens superam medalhões e se destacam até com pequenos nos estaduais

O futebol brasileiro não tem mais espaço para técnicos medalhões? A dúvida paira no ar ao ver que a maioria dos grandes clubes aposta em treinadores jovens. Contudo, a resposta se torna um sim quase unânime quando se torna perceptível a força dos pequenos nos torneios estaduais com iniciantes na profissão.

Um dos melhores exemplos é o de Tiago Nunes, de 37 anos, comandante do Veranópolis-RS. Classificado para as quartas de final do Campeonato Gaúcho como quinto colocado da primeira fase, o time contou com o bom trabalho de seu técnico para se tornar um dos melhores da competição regional.

O jovem treinador avalia o processo de renovação dos treinadores do futebol brasileiro e destaca este como um caminho natural:

“É um processo natural de renovação. Existe um envelhecimento natural dos treinadores. Há também uma linha de raciocínio muito voltada para o estudo. Parece que, após o 7 a 1, começou a borbulhar mais essa questão do conteúdo e da qualificação profissional. O Roger chegou ao Grêmio e obteve resultados, o Zé Ricardo no Flamengo”, disse à Goal Brasil.

“Primeiro tem que se ter o cuidado de separar e não associar qualificação com idade. Existem bons e maus profissionais. É crucial que se tenha muito conteúdo. É bom ter a capacidade de gestão de grupo por meio de conteúdos táticos, capacidade de manter esses atletas concentrados e motivados. Aquele discurso de "vamos lá, porque somos uma família" tem prazo de validade. Se você não tiver capacidade de explicar por que ter equipe capacitada e organizada, naturalmente vai sucumbir. A abordagem pelo conteúdo consegue manter o atleta mais motivado”, acrescentou.

Sem se tornar jogador profissional, Tiago Nunes iniciou a trajetória como preparador físico depois de cursar Educação Física. O conhecimento acadêmico, segundo o comandante do time que enfrentará o Grêmio no mata-mata do Gauchão, ainda não é bem visto por muitos da área:

Tiago Nunes passou pela base do Juventude


Tiago Nunes tem passagem vitoriosa pela base do Juventude (Foto: Arthur Dallegrave/E.C.Juventude)

“Eu atuei como atleta de categoria de base até os 20 anos. Com 18 para 19 anos, entrei na faculdade. Tentava jogar e cursei Educação Física. Quando vi que não poderia atuar em bom nível, eu me dediquei e passei a trabalhar com o intuito de entrar no futebol. Iniciei no profissional como preparador físico e sempre trabalhei com pessoas mais velhas que eu”, comentou.

“Existe sim, até porque existe uma reserva de mercado natural para o ex-atleta. Quem não jogou tem que ser conhecido. Dificilmente, os dirigentes apostam em nomes que eles não conhecem ou não ouviram falar. É mais fácil apostar em um nome forte. Vejo que existe uma reserva de mercado para o ex-atleta. Não vejo de maneira algum problema em um ex-atleta virar treinador. O ideal é que a gente consiga contemplar”, completou.