Como serviço militar mudou carreira de galã coreano

Cho Gue-sung comemora gol contra Gana na Copa do Mundo. Foto: Li Gang/Xinhua via Getty Images
Cho Gue-sung comemora gol contra Gana na Copa do Mundo. Foto: Li Gang/Xinhua via Getty Images

A Coreia do Sul entra em campo nesta sexta-feira (02) para decidir sua vida na Copa do Mundo do Catar. Com apenas um ponto na tabela, os coreanos precisam de uma vitória sobre Portugal para ter chances de classificação. Presente em todas as Copas desde 1986 a Coreia do Sul ainda luta para fazer campanhas regulares no torneio. Semifinalista em 2002 quando jogou em casa, desde então somente passaram da fase de grupos em 2010.

Para tentar surpreender os portugueses, o país conta com Cho Gue-sung, o herói improvável que se apresentou ao mundo durante o jogo dos coreanos contra Gana. Com dois gols na partida, Cho não conseguiu evitar a derrota, mas se tornou o jogador mais importante da seleção coreana nessa Copa, na qual ainda não brilhou a estrela Son Heung-min.

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Com tanta atenção sobre Cho Gue-sung logo surgiu o questionamento: seria Cho obrigado a parar sua carreira para servir ao exército sul-coreano? A resposta é não, pois o jogador já serviu seu tempo obrigatório nas forças armadas do país entre 2021 e 2022, atuando pelo Gimcheon Sangmu FC.

Para não prejudicar a carreira dos atletas do país o exército criou uma divisão de esportes, com times de basquete, vôlei, handebol e diversos outros esportes. O Gimcheon Sangmu FC é o time de futebol desse braço esportivo militar, e a cada dois anos recebem vinte e cinco jogadores emprestados, entre os que precisam cumprir seu período de serviço militar. Quando encerram o serviço obrigatório, os atletas retornam aos seus clubes originais.

O Gimcheon Sangmu foi campeão da segunda divisão da liga coreana em 2021, com ajuda de Cho Gue-sung, que marcou 8 gols na competição. O jogador recebeu a primeira convocação para a seleção já atuando pelo time do exército, em setembro de 2021.

Já promovido, em 2022 o time participou da K1 League, o principal campeonato do país. Cho marcou 13 gols pelo Gimcheon Sangmu. Em setembro encerrou seu alistamento militar e foi devolvido ao seu clube, o Jeonbuk Hyundai Motors, pelo qual marcou mais 4 gols, se tornando o principal artilheiro da competição.

O companheiro de seleção de Cho Gue-sung, Kwon Chang-hoon, também presente no Catar, é atualmente jogador do Gimcheon Sangmu, e por ser militar ativo precisa prestar continência durante o hino coreano, ao ser substituído e até durante a comemoração de gols. Kwon precisou sair de seu clube, o Freiburg da Alemanha, para se apresentar ao exército do país natal.

Como funciona o exército coreano?

Em um país que vive um armistício contra seu vizinho do norte, o alistamento é necessário para manter a paz, segundo o governo sul-coreano. Oficialmente a guerra entre as duas Coreias nunca terminou e o medo de um conflito nuclear assombra a península da Coreia inteira. Cada recruta coreano participa de um treinamento básico de um mês, e depois é transferido para uma das forças armadas do país: exército, marinha, fuzileiros navais e força aérea. O tempo de alistamento depende de qual o braço das forças o recruta irá servir. O exército tem o maior contingente das forças armadas, e o tempo de duração do serviço obrigatório é de um ano e meio.