Como representantes do "Brasil europeu" levaram Croácia às semis em sua primeira Copa

Davor Suker e Zvonimir Boban na Copa do Mundo da França, em 1998. Foto: Michael Steele/EMPICS via Getty Images
Davor Suker e Zvonimir Boban na Copa do Mundo da França, em 1998. Foto: Michael Steele/EMPICS via Getty Images

Quando o Brasil entrar em campo ao meio-dia (horário de Brasília) desta sexta (9) para disputar uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo, a Seleção terá pela frente a principal herdeira do “Brasil europeu”, alcunha que a antiga Iugoslávia recebeu e acabou sendo repassada também aos croatas.

A Croácia é um dos muitos países do mundo do futebol no qual muitos dos jogadores que jogam pela seleção nacional são mais velhos do que a própria nação que representam. Luka Modric e Ivan Perisic, dois dos jogadores croatas mais conhecidos internacionalmente, nasceram em solo croata enquanto a região ainda pertencia à Iugoslávia. A República da Croácia foi declarada independente em junho de 1991, quando Perisic tinha dois anos de idade, e Modric estava perto de completar seis.

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A dissolução da Iugoslávia em diversas outras repúblicas tirou dos croatas o histórico esportivo que ajudaram a construir enquanto parte do país. Foi então que a Croácia mostrou sua força. Já como nação independente conquistou os melhores resultados entre qualquer seleção ex-Iugoslávia em Copas e Eurocopas.

Quando a Croácia se tornou independente todo o histórico esportivo ficou com os iugoslavos, e hoje são contados como parte da Sérvia, que é a ‘herdeira’ direta da Iugoslávia. Mas quando se separou, a Croácia levou consigo alguns dos melhores nomes da Iugoslávia no futebol, incluindo Davor Suker, artilheiro da Copa do Mundo de 1998, escolhido o terceiro melhor jogador do mundo naquele ano, atrás apenas de Zidane e Ronaldo.

No Catar o futebol croata chegou à sua sexta participação em Copas do Mundo, apesar de existir como um país independente há apenas 31 anos. Elegível para participar de competições da FIFA apenas a partir de 1992, e da UEFA no ano seguinte, a Croácia ficou de fora de apenas dois grandes torneios desde então: a Eurocopa em 2000 e a Copa do Mundo 2010.

Em sua primeira Copa do Mundo, a da França em 1998, os croatas foram parados apenas na semifinal pela seleção da casa, em jogo inspirado de Lilian Thuram, que marcou dois gols. Aquele time contava em seu elenco Robert Prosinecki, Robert Jarni, Igor Stimac, Zvonimir Boban e Davor Suker, que pode-se dizer, eram velhos conhecidos do futebol brasileiro.

Acontece que os cinco jogadores faziam parte da seleção sub-20 da Iugoslávia em 1987, responsável por eliminar a seleção brasileira nas quartas-de-final da competição. Após vencer o Brasil, os então iugoslavos passaram pela Alemanha Oriental antes de fazer a grande final contra a outra Alemanha, a Ocidental. Zvonimir Boban marcou o gol iugoslavo naquela final, que acabou empatada em 1 a 1. Com uma vitória na decisão por pênaltis a Iugoslávia se sagrou campeã mundial sub-20, o único título mundial da seleção, em qualquer categoria.

Jarni, Prosinecki e Suker chegaram a jogar a Copa do Mundo de 1990 pela seleção iugoslava, e retornaram ao mundial 8 anos depois para encantar o mundo com suas camisas xadrez e futebol bonito. A derrota para a França nas semis foi superada rapidamente e a Croácia ainda venceu a Holanda para ficar com o terceiro lugar naquele mundial.

Chamada de “Brasil europeu” pelo estilo que emula o futebol brasileiro, a Croácia tem agora a chance de chegar em uma semifinal de Copa pela terceira vez em sua curta história. Para isso precisa derrotar seu “irmão mais velho” Brasil, o que nunca conseguiu anteriormente. Foram quatro confrontos, sendo dois amistosos e dois por Copas do Mundo, totalizando três vitórias brasileiras e um empate.