Como a Premier League ajuda a Inglaterra a crescer e sonhar com título da Eurocopa

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"O futebol está voltando para casa", diz a canção "Three Lions", clássico revisitado pela torcida da Inglaterra na Copa do Mundo de 2018, quando a equipe foi semifinalista. Composta como uma espécie de hino do torcedor inglês em 1996, ano em que o país foi sede da Eurocopa, a canção narra um incessante sonho do país inventor do futebol de voltar a levantar um novo troféu desde o Mundial de 1966. Vinte e cinco anos depois da criação do “hit”, os ingleses voltam a sonhar com um inédito título europeu, que não parece mais uma possibilidade distante.

Tradicionalmente, poucos jogadores da seleção inglesa atuam fora da Premier League, considerada por muitos a melhor liga do mundo. Com Southgate, essa tendência não se alterou, e uma mudança veio de dentro para fora: há anos a liga inglesa, conhecida por ter uma presença maciça de atletas estrangeiros, não fornecia uma safra tão farta de talentos para o English Team, em misto de jovens talentos e outros chegando ao auge nesta Euro.

É o caso Harry Kane. Destaque da Inglaterra na última Copa, o jogador terminou a última edição da Premier League como artilheiro (23 gols) e maior assistente (13 passes para gol). Aos 27 anos, é produto de um Tottenham que olhou com carinho para base e colheu frutos como o atacante e o lateral-direito Kyle Walker, hoje no Manchester City.

Além do "Big 6"

Equipes como Chelsea, Liverpool e Manchester United também encontraram soluções em suas academias. Os atuais campeões da Champions têm três convocados: o defensor multi-tarefas Reece James, o lateral-esquerdo Ben Chilwell e o meia Mason Mount. James e Mount são frutos de um aceno de emergência à base na temporada retrasada, quando o clube foi proibido de contratar.

A valorização das pratas da casa vem em um cenário de maior equilíbrio financeiro entre as equipes. Até antes da pandemia da Covid-19, as cifras totais investidas em direitos de transmissão cresciam na casa dos bilhões triênio a triênio. O maior montante e um sistema de divisão equilibrado possibilitaram às equipes médias desenvolverem suas estruturas, crescerem em competitividade e revelarem mais e melhor.

Não à toa, dos 26 convocados, nove vêm de equipes inglesas que não fazem parte do chamado "Big 6", as seis principais equipes da liga. Há casos ainda como os dos zagueiros Harry Maguire e John Stones, que brilharam por Everton e Leicester City e rumaram a Manchester United e Manchester City, respectivamente.

As opções eram tantas para Southgate, que até mesmo a lista preliminar de 30 jogadores, divulgada dias antes da convocação definitiva, teve ausências questionadas. Nas eliminatórias, o técnico foi fortemente questionado por torcedores do Liverpool e até pelo técnico Jurgen Klopp por deixar de fora Trent Alexander-Arnold, um dos principais letarais-direitos do país. Independentemente do motivo, o técnico podia se dar esse "luxo": só para o setor, tinha opções de alto nível como Kyle Walker, Kieran Trippier, Reece James, entre outros. Alexander-Arnold acabou ficando fora da Euro, por lesão.

— Não há drama para mim quanto a isso. Eu aceito que, como técnico da Inglaterra, são coisas com as quais terei que lidar — avalia Southgate.

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