Como Pep Guardiola tentou levar Neymar para Barcelona e Bayern de Munique no passado

Victor Mendes
·4 minuto de leitura


Josep Guardiola nunca escondeu sua admiração pelo futebol brasileiro. Perguntado pela imprensa após a vitória do Barcelona na final do Mundial de Clubes de 2011 contra o Santos, por 4 a 0, sobre o jogo encantador dos catalães, Pep respondeu sobre como foi influenciado pelo avô, que sempre lhe contava da Seleção de 70 e seus craques. Também já citou o Brasil de 82 em outra oportunidade: "não há coisa mais bonita que ver que uma geração de jogadores que jogou bola como esse Brasil de 1982 pode dizer coisas boas de uma pessoa ou dos times que ela treinou".

>>> Veja a tabela da Liga dos Campeões 2020/2021

Por onde passou, ele sempre fez questão de contar com um jogador brasileiro como peça-chave de seu esquema: Daniel Alves no Barcelona, Rafinha no Bayern de Munique e Fernandinho no Manchester City. Potencializou outros nomes como Maxwell, Adriano, Douglas Costa e Gabriel Jesus.

Mas de todos os destaques produzidos pela escola canarinha nos últimos tempos, justamente o maior deles Guardiola nunca teve a chance (até o presente momento) de treinar: Neymar Junior. Na terça-feira, na coletiva às vésperas do primeiro confronto da semifinal da Liga dos Campeões da UEFA entre PSG x Manchester City (o LANCE! transmite em tempo real a partir das 16h), o catalão voltou a se derreter pelo camisa 10 do time parisiense, como já o fizera outras vezes. Há dois anos, afirmara que Neymar "é o talento individual mais parecido com Messi, sobretudo em criatividade".

- É uma alegria ver Neymar jogar. Como espectador, eu me divirto muito. É legal ver a plasticidade do estilo dele, não só a efetividade e a personalidade. Ele faz o futebol ser melhor - disse o técnico do Manchester City.

Brechas não faltaram para a união entre Guardiola e Neymar acontecer. Afinal de contas, tanto quando treinava o Barcelona, quanto no Bayern de Munique, Pep tentou transformar Ney em seu comandado. Em terras barcelonistas, a ideia era renovar o grupo multicampeão entre 2008 e 2012 após o fracasso na temporada 2011/2012, quando perdeu o Campeonato Espanhol para o Real Madrid e caiu na semifinal da Liga dos Campeões para o Chelsea.

De acordo com as informações da imprensa espanhola à época, Neymar estava na lista de prioridades para os reforços no mercado. No entanto, Guardiola resolveu deixar o comando do Barça e tirou um ano sabático antes de voltar a trabalhar. O ex-santista desembarcaria no Camp Nou em 2013, mas com o argentino Tata Martino como treinador.


No Bayern de Munique, a disposição de Guardiola foi mais alta. Assumindo um projeto novo, num país novo e numa cultura futebolística diferente da anterior, ele sabia que precisaria de mais gás para triunfar em solo germânico. E, mais uma vez, pensou em Neymar. Segundo a ata da reunião que culminou na venda do craque do Santos para o Barcelona, o vice-presidente do Peixe, Odílio Rodrigues, em junho de 2013, revelou ao Conselho do clube que o pai de Neymar reuniu-se diretamente com Guardiola e quase foi "seduzido".

Para Guardiola, o encaixe entre Messi e Neymar não seria bem feito pelo técnico do Barça. A oferta balançou o staff do astro; no entanto, pesou a vontade do brasileiro de defender o uniforme azul e grená. Anos depois, o repórter Christian Falk, do jornal alemão "Bild", revelou no livro "Inside Bayern" que Pep teria ficado "decepcionado" com a diretoria do Bayern por não enxergar muito esforço na contratação de Neymar. Os dirigentes entendiam que o elenco não precisava de mais contratações após concluir a negociação com Mario Götze, xodó nacional e visto com um futuro maior que o do santista.

Já na Europa, Neymar deu o troco em cima de Guardiola na semifinal da Liga dos Campeões de 2014/2015. Plenamente adaptado e fazendo parte do histórico trio de ataque do Barcelona ao lado de Messi e Luis Suárez, Neymar foi um dos nomes da eliminatória que resultou na classificação à final: marcou um gol na ida na vitória por 3 a 0 e dois na volta, na derrota por 3 a 2. O Barcelona viria a ser campeão na decisão contra a Juventus, onde mais uma vez Neymar deixou sua marca.

Entre as poucas semelhanças que envolvem as trajetórias de Neymar e Guardiola, uma delas é o fato de, desde que saíram do Barcelona, os dois nunca mais voltaram ao topo da Liga dos Campeões da Uefa. Agora, para encurtarem o caminho e alcançarem o sonho, um vai precisar deixar o outro para trás. A primeira parte desta história conheceremos logo mais.