Como o prêmio milionário da Libertadores impacta no futuro de Palmeiras e Flamengo; veja quanto cada um vai ganhar

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Ostentar três títulos da Libertadores é o sonho de qualquer torcedor. Neste sábado, rubro-negros ou palmeirenses poderão fazer isso. Para o clube, além do feito histórico, conquistar a principal competição da América num curto período de tempo é um aviso ao mercado: pode confiar a nós a sua marca, que terá exposição positiva em todo território sul-americano. O mercado acredita e injeta mais dinheiro nos anos seguintes. Tem sido assim com Flamengo e Palmeiras nas últimas temporadas na esteira das conquistas nacionais e internacionais. Algo que o River Plate já vivenciou uns anos antes.

Diretamente, uma montanha de dinheiro cai no caixa do clube. Quem levantar o troféu hoje em Montevidéu ficará, somada todas as fases, cerca de R$ 120 milhões mais rico — o vice-campeão leva, no total, aproximadamente R$ 73 milhões. Mas é o efeito indireto que cria o chamado ciclo virtuoso das equipes hegemônicas.Os números recentes dos dois clubes mostram um acréscimo nos valores totais de patrocínios após conquistas.

O Flamengo, por exemplo, teve receita de R$ 78 milhões em 2019. No ano seguinte, após o segundo título continental, o valor passou dos R$ 100 milhões. O Palmeiras também tem superado essa barreiras, com leve crescimento, entre as temporadas.

— Num aspecto direto, a premiação já aumenta, não só a dada pela Conmebol. Os patrocinadores principais costumam atrelar bônus a conquistas por saber que terá exposição da marca ainda maior nesse momento. Além disso, a Libertadores não se encerra nela mesma, o título leva ao Mundial. É mais um evento que agrega esse relacionamento com a marca. São ganhos significativos diretos e indiretos — analisa o especialista e finanças e gestão do futebol brasileiro Cesar Grafietti, executivo do Itaú BBA.

O Palmeiras, por exemplo, renovou o contrato com o patrocinador master por mais três anos. O valor do patrocínio da Crefisa/FAM é de R$ 81 milhões, mas pode chegar a R$120 milhões, em caso de títulos.O Flamengo já sentou com a Adidas, fornecedora de material esportivo, para renegociar o contrato, que se encerra em 2022.

Atualmente, o clube recebe R$ 40 milhões anuais, entre mercadoria e dinheiro. O rubro-negro quer mais dinheiro e menos uniformes. O tri da Libertadores ajudaria ainda mais no poder de barganha.Campeão das edições de 2015 e 2018 da Libertadores — tem quatro títulos no total —, o River Plate, que também é patrocinado pela Adidas, vai ter um aumento de US$ 3 milhões (quase R$ 17 milhões) no contrato pelos próximos três anos.

— Embora seja complexa a análise do impacto real de conquistas esportivas nas finanças de clubes sul-americanos, especialmente em função da variação cambial e situação econômica dos dois principais mercados da região, os times mais bem-sucedidos na temporada anterior tendem a ser naturalmente mais valorizados aos olhos do mercado e de seus próprios torcedores no ano seguinte. Esse é o ciclo virtuoso que equipes como River Plate, Flamengo e Palmeiras vêm experimentando desde 2018, quando se sagraram campeões das últimas edições da Libertadores — afirma Felipe Soalheiro, diretor da agência SportBiz Consulting.

A presença constante em finais da Libertadores também sinaliza ao mercado que são clubes sadios financeiramente e com gestão profissional. Assim, novas portas podem ser abertas a marcas que não tinham o costume de investir no futebol. Os casos esporádicos, como Santos e Corinthians, dificilmente se mantém no jogo sem uma profunda reestruturação.

— Só uma mudança drástica na gestão de Flamengo e Palmeiras pode mudar esse cenário. A tendência é que eles dominem os campeonatos e os mercados por um tempo — diz Grafietti.

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