Como Marcus Rashford se tornou um ícone contra a fome na Inglaterra

Goal.com

O futebol sempre foi um espaço muito importante para que mudanças pudessem acontecer na sociedade. E Marcus Rashford, do Manchester United, é um bom exemplo disso. O jogador se tornou um importante símbolo na luta contra a fome na Inglaterra, principalmente após a pandemia do novo coronavírus. 

Com as escolas fechadas por conta do isolamento social, o governo inglês distribuiu um vale-refeição para as famílias com dificuldade de comprar comida para as crianças. Porém, o governo britânico havia anunciado no início do mês que o programa não seria prolongado durante as férias escolares.

Foi então que o atacante de 22 anos passou a pressionar o governo para estender a ajuda às famílias carentes. Nesta segunda-feira (15), através de uma carta aberta destinada aos deputados ingleses, o jogador lembrou que há dez anos ele era uma dessas crianças que passa fome e pediu para que a decisão fosse revista.

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“Quando você acordar hoje de manhã e tomar um banho, pense um pouco nos pais que tiveram a água desligada durante o bloqueio”, escreveu o jogador na carta que foi publicada em sua conta no Twitter. 

“Quando você for à geladeira pegar o leite, pare e reconheça que os pais de pelo menos 200.000 crianças em todo o país nesta manhã estão olhando para prateleiras vazias. 9 em cada 30 crianças de uma determinada sala de aula estão perguntando hoje 'por quê?'. Por que nosso futuro não importa?”.

Mas o pedido foi inicialmente negado. Então, políticos, celebridades e a população, de maneira geral, passaram a pressionar o governo em campanha liderada pelo jogador do Manchester United. Nesta terça-feira (16), em um artigo publicado na revista The Times, Rashford novamente pediu para que o governo “faça a coisa certa”.

"As pessoas me perguntam como foi marcar o pênalti decisivo contra o PSG que os eliminou da Liga dos Campeões na última temporada. Minha resposta é sempre a mesma: vencemos o torneio? A sensação que tenho é exatamente a mesma agora”, escreveu o jogador.

"Hoje me concentro em um troféu que representa algo muito maior que o futebol. Uma decisão que pode nos ajudar a chegar à próxima rodada, mas ainda temos um longo caminho a percorrer como país para, eventualmente, levantar o troféu. Nesse caso, o troféu está combatendo a pobreza infantil”, completou.

Após a pressão e os protestos aumentarem, Boris Johnson, primeiro-ministro da Inglaterra, anunciou que o auxílio continuará sendo distribuído durante o período das férias de verão.

A decisão beneficiará cerca de 1,3 milhão de crianças e o total disponibilizado será de 120 milhões de libras (R$ 772 milhões na cotação atual). 

"Eu nem sei o que dizer. Basta ver o que podemos fazer quando nos reunimos, ISTO é a Inglaterra em 2020”, escreveu Rashford em sua conta no Twitter após o anúncio. 

O atacante do United tem sido amplamente elogiado por colegas, políticos e celebridades por sua campanha, que também ajudou a arrecadar 20 milhões de libras para o FareShare, uma instituição de caridade destinada a aliviar a pobreza alimentar durante a pandemia.

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