Como ligação de irmão ajudou em segunda medalha de Tiago Camilo

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Ter duas medalhas olímpicas é um feito que poucos podem dizer que alcançaram. Com oito anos de diferença, Tiago Camilo foi prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008. Enquanto o primeiro pódio olímpico veio com pouco tempo de carreira, o segundo já foi mais complicado e precisou da ajuda do irmão. 

Em 1996, Tiago Camilo estava na sala de casa vendo as Olimpíadas de Atlanta pela televisão e viu dois judocas brasileiros subirem ao pódio. Isso foi determinante para que quatro anos depois, ele foi aos Jogos de Sydney.

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Tiago teve uma excelente campanha em Sydney, vencendo o israelense Gil Offer e o argelino Noueddine Yagoubi por ippon antes de derrotar o português Michel Almeida em um confronto complicado. Na semifinal, mais uma vitória por ippon, desta vez contra o sul-coreano Cho Yong-sin.

Na final, ele foi batido por Giuseppe Maddaloni, italiano que havia conquistado o campeonato europeu nos dois anos anteriores.

"Eu lembro que eu saí chorando da final. Chorando e bravo né, porque eu tinha perdido. Aí fui pra área de aquecimento e os meus amigos tavam lá, os atletas da seleção também, e a gente conversou e tudo, me acalmaram e me tranquilizaram que eu tinha conquistado a medalha de prata", conta o ex-judoca em entrevista ao Yahoo Brasil.

"Depois, o momento do pódio é um momento muito especial porque é a glória do atleta você estar num pódio olímpico. Então você vê a bandeira, tem toda aquela magia. O príncipe de Mônaco entregou a medalha pra mim. É um momento muito especial, é difícil você resumir em poucas palavras porque realmente porque realmente é algo mágico. A gente que fica buscando tanto a medalha olímpica, essa conquista, a gente persegue ela durante muito tempo da nossa vida. E quando você tá lá é uma sensação muito especial de tá no pódio e ter a sensação de dever cumprido assim", relembra.

Oito anos depois, Tiago chegou aos Jogos de Pequim como um dos grandes favoritos, mas acabou derrotado pelo alemão Ole Bischof, campeão olímpico na oportunidade, nas quartas de final. Com isso, ele ganhou uma vaga na repescagem e a chance de lutar pelo bronze. 

Na primeira luta da repescagem, o brasileiro bateu o norte-americano Travis Stevens por apenas um yuko, pontuação que não existe mais no esporte. 

"Eu tava muito apático mesmo tentando me reorganizar, depois que você perde as quartas você tem um período muito curto para poder voltar a lutar", conta Tiago. "Meu irmão tava comentando por um canal de televisão e ele conseguiu o telefone do coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô. E ele ligou pra esse coordenador e conseguiu falar comigo".

E a ligação de Luis Camilo foi fundamental.

"Aí meu irmão teve uma conversa comigo. Quantos atletas não queriam tá naquele momento e agora eu tinha que lutar pelo bronze. E eu tinha trabalhado tanto por aquilo. Acho que aquela foi a mensagem mais forte. Porque eu fiquei fora das Olimpíadas de Atenas, então eu tinha trabalhado oito anos por aquele momento. E eu não podia esperar mais quatro anos para lutar por uma medalha", relembra sobre a ligação.

Tiago bateu o britânico Euan Burton e o holandês Guillaume Elmont para garantir a medalha de bronze, sua segunda na história dos Jogos.

"Quando eu ganhei a última luta eu acho que eu chorei tanto, porque a gente traz uma carga, uma pressão que é nossa. A gente se cobra muito, o atleta. E aí tem toda a expectativa criada em cima do seu sonho. E quando eu ganhei a luta, e o locutor ele narra 'bronze medal for Brazil' e aquilo foi tão forte. E eu saí ali feliz, sorrindo. E depois eu comecei a chorar porque é uma descarga de adrenalina muito grande. E aí passa um filme muito rápido na sua cabeça de toda a sua história", lembra.

"É uma explosão de sentimentos, de sensações, e é muito especial. São momentos da minha vida esportiva que eu carrego e levarei com muito carinho por toda a minha vida", finaliza o medalhista de bronze em Pequim. 

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