Como lidar com a fama aos 13 anos? Especialistas explicam os cuidados que Rayssa Leal deve se atentar

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Dona do sorriso mais carismático da Olimpíada, Rayssa Leal, de 13 anos, emocionou o Brasil ao conquistar a histórica medalha de prata no skate street. O 'boom' digital foi instantâneo. Antes dos Jogos Olímpicos serem iniciados, a menina somava 100 mil seguidores. Hoje (29), ela ultrapassa a marca de 6 milhões de fãs. Os próximos passos da "Fadinha" serão acompanhados por milhões de usuários, como lidar tão jovem com a fama?
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Ao L!, especialistas explicam desde o fenômeno digital envolvendo Rayssa Leal até a importância da família no processo de amadurecimento da medalhista olímpica.

Assim como Douglas Souza, jogador de vôlei que viralizou nas redes sociais mostrando de forma despojada os bastidores da Olimpíada, a jovem 'quebrou' o Instagram nos últimos dias. O crescimento da 'Fadinha' foi consideravelmente maior que o de Douglas.

Pedro Valério, especialista em conteúdo estratégico e CEO da agência Allfluence, explica que a comoção nacional pela conquista histórica de Rayssa são os motivos para tamanha discrepância em números.

- A rayssa ter viralizado mais até que o Douglas é explicado por alguns fatores. O assunto que está em hype é a Olimpíada, que serve para os dois. O Douglas usou como uma espécie de roteiro de Tóquio, mostrando quartos e passeios em 'stories'. A Rayssa, no entanto, já é uma personalidade por si só. Pela idade que tem e por já ter seguidores antes de ir pra lá, esses fatores potencializam esse hype - disse.

- Ela é uma skakista de 13 nos que conquistou uma medalha de prata em uma Olimpíada. Houve uma comoção nacional. Olha quantos 'stories' e publicações tivemos. Isso tudo bombou a Rayssa. Todos queriam estar conectados em um momento histórico em que uma menina de 13 anos ganha uma medalha olímpica - completa

Ele alerta também sobre os cuidados que a influenciadora Rayssa deverá se atentar.

- Ela tem um mundo pela frente, uma vida pela frente. É bem cedo para definirem ou ela definir algo. Ela está muito mais querendo se divertir com o skate, ela mostra muito isso. Mas acredito que a melhor forma para lidar com essa idade é tendo muita cautela, não subir a cabeça e, principalmente, ter alguém para gerir isso. Aos 13 anos, ela não esteja preparada para lidar com negociações e o poder de audiência. O poder da influência na adolescência é muito responsável pelo adulto que Rayssa será - analisa.

A psicóloga Claudia Melo também vê lados opostos em adquirir a fama tão cedo. Segundo ela, apesar de impactos positivos e negativos, a presença da família é imprescindível para o amadurecimento da "Fadinha".

- Temos um impacto positivo: reconhecimento, aplausos, valorização. Temos o lado negativo: excesso de cobrança, pessoas trazendo pesos para o futuro e não deixando a curtir a vitória com amigos e familiares. É importante entender que dentro desse universo, a cobrança é muito maior e pesada. Essa cobrança pode afetar o atleta. Pode causar doenças, crises de ansiedade pelo medo de errar ou a sensação de vazio. É muito importante que o atleta dê continuidade ao trabalho terapêutico para manter os pés no chão e não perder sua identidade - afirma Claudia Melo.

- Se a família for saudável será excelente na vida desse atleta, porque a família vai sempre a trazer para a realidade. Colocar na cabeça dela que ela não precisa de uma medalha para ser especial. A família saudável traz segurança e bem-estar ao atleta - pondera.

Por fim, Antônio Carlos Marques Fernandes, advogado especialista em direito digital, explica que a internet é um ecossistema repleto de facilidades, mas que há cuidados essenciais a serem seguidos.

- Surgem milhões de seguidores de todo o mundo no perfil da fadinha, e pasmem, o Instagram entende que 13 anos já é idade para ter um perfil sem anuência de um adulto. Isso facilita o assedio, ataque de hackers e vazamento de informações e dados. Para evitar este tipo de situação, Rayssa tem que se preservar não só no que posta, como também no tipo de autorização que dispõe em seus aplicativos no celular, e para se proteger, o ideal é a autenticação em dois fatores, senhas fortes com números, letras maiúscula e minúsculas, símbolos para evitar fraudes - lembra.

- Outro cuidado que deverá ter é em relação a postura que será passada para seus seguidores, como ganhou notoriedade, acaba que virou uma influência no esporte e na vida de muitos adolescentes. E como sempre, algumas marcas podem estar de olho na postura que será adotada pela pequena fadinha para oferecimento de patrocínio, contratos decorrentes de uso de imagem na internet são cada vez mais comuns, com grupos setorizados e pessoas especificas as propagandas são muito mais certeiras - conclui.

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