Como geração americana superou vexame de 2018 por vaga nas oitavas em 2022

Josh Sargent e Tim Weah comemoram classificação na Copa do Mundo. Foto:John Todd/ISI Photos/Getty Images
Josh Sargent e Tim Weah comemoram classificação na Copa do Mundo. Foto:John Todd/ISI Photos/Getty Images

O jogo entre Estados Unidos e Holanda abre a fase de oitavas-de-final da Copa do Mundo neste sábado (03), às 12h, horário de Brasília. Será o primeiro confronto entre os dois países por uma competição oficial, e o primeiro jogo entre os dois desde um amistoso em 2015.

Na história, os holandeses e os americanos se encontraram em cinco amistosos entre 1988 e 2015, sendo os quatro primeiros vencidos pela equipe europeia. É buscando ignorar esse retrospecto negativo que os americanos pretendem entrar em campo no Catar para decidir o primeiro país confirmado nas quartas-de-final da Copa. Seria um feito e tanto para os Estados Unidos, que ficaram de fora do mundial da Rússia, em 2018, após um vexame nas qualificatórias da CONCACAF.

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Na ocasião, disputando o hexagonal final que deu três vagas diretas na Copa e mais uma vaga para a repescagem mundial, os Estados Unidos terminaram a campanha em 5º lugar. Na última partida os americanos precisavam apenas de uma vitória sobre o lanterna Trinidad e Tobago para garantir uma das vagas na Copa do Mundo, mas foram derrotados por 2 a 1 e ficaram fora da competição pela primeira vez desde 1986, quando não foram à Copa disputada no México.

A seleção americana ainda conta com quatro jogadores que estavam na fatídica partida contra Trinidad e Tobago. Christian Pulisic, o maior nome do time atual, fez o gol dos Estados Unidos naquela noite. DeAndre Yedlin também participou do jogo, enquanto Kellyn Acosta entrou durante o segundo tempo. O quarto jogador, Tim Ream, assistiu do banco a decepção dos companheiros.

Para chegar ao Catar os americanos renovaram seu elenco, apostando em jovens como Tim Weah, de 22 anos, e Yunus Musah, de 19. O time dos Estados Unidos tinha a segunda seleção mais jovem no início da competição, mas com a eliminação de Gana ficaram com a com o título entre as seleções que passaram para as oitavas-de-final. São apenas três jogadores na casa dos 30 anos, mas isso não significa que é uma equipe inexperiente. Entre os jogadores mais jovens existem muitos atuando na Europa e acumulando experiência internacional. Sergiño Dest, jogador do Barcelona, é um desses jovens que participa de competições importantes como La Liga e Champions League, mesmo caso de Giovanni Reyna, de 20 anos, estrela no Borussia Dortmund, da Alemanha.

Essa aparição de jogadores mais jovens tem a ver com uma certa mudança de rumo no futebol no país. Apenas 7 dos 26 convocados para a Copa do Mundo jogaram pelo futebol universitário, um contraste com gerações anteriores. As universidades americanas são grande fornecedoras de atletas em todas as modalidades esportivas no país, mas para o futebol isso significava que os jogadores só iriam atuar em ligas profissionais com idades acima dos 23 anos.

Essa nova geração de jogadores americanos se formou no esporte de maneira diferente, muitos com passagem por categorias de base de grandes clubes europeus e sem jogar pelo futebol universitário. Aliar a pouca idade e muita experiência foi essencial para os americanos esquecerem da vergonha das últimas eliminatórias e chegar em 2022 com boas chances de igualar sua melhor campanha em Copas do Mundo, as quartas-de-final alcançadas em 2002.