Como foi ver ao vivo a pior seleção do mundo

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Andrea Grandoni no chão durante a derrota de San Marino por 9 a 0 (Stanislav Krasilnikov\TASS via Getty Images)
Andrea Grandoni no chão durante a derrota de San Marino por 9 a 0 (Stanislav Krasilnikov\TASS via Getty Images)

Por Fábio Paine

Quando o sorteio das eliminatórias da Eurocopa de 2020 colocou San Marino no caminho da Rússia anotei esta partida na agenda, pois faria questão de ver de perto a pior seleção do planeta neste 8 de junho.

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E foi isso que me levou a Saransk, cidade a pouco menos de 700 quilômetros de Moscou que foi sede da Copa do Mundo e onde eu já havia estado antes do torneio.

O resultado do jogo não foi nada surpreendente. Uma sonora goleada de 9 a 0 para os russos, novo recorde para os anfitriões do último Mundial.

Dzyuba, com quatro gols, foi o artilheiro da jornada.

Mas como queria ver mesmo de perto a pior seleção do mundo, vou falar dela.

San Marino tem tal status pois é a última colocada entre 211 seleções do planeta no ranking da Fifa.

Em toda a sua história, já disputou 161 jogos. São 155 derrotas, cinco empates e uma única vitória. Ela aconteceu em um amistoso em 2004 no Estádio Olímpico de San Marino contra a não menos frágil seleção de Liechtenstein: 1 a 0.

O histórico gol foi anotado por Andy Selva, maior artilheiro da história do time com oito anotações.

Como é óbvio, jamais esteve em uma Copa do Mundo ou Eurocopa. Claro também que jamais venceu uma partida nas classificatórias deste torneio.

E sabe qual a maior derrota? Um 13 a 0 para a Alemanha, em 2006, em partida válida pelas eliminatórias da Euro de 2008.

E aqui alguns números ainda mais impressionantes que atestam a fragilidade da seleção da pequena república encravada na Itália.

O saldo de gols históricos é de -662. Foram 685 gols sofridos e somente 23 anotados.

O time também perdeu todas as últimas 30 partidas que disputou, incluindo a deste sábado.

A última vez que saiu de campo sem derrota foi em 15 de novembro de 2014, um 0 a 0 com a Estônia.

Elia Benedettini teve sua meta vazada nove vezes (Stanislav Krasilnikov\TASS via Getty Images)
Elia Benedettini teve sua meta vazada nove vezes (Stanislav Krasilnikov\TASS via Getty Images)

Como não poderia deixar de ser durante toda a semana na TV russa a pergunta aos comentaristas era qual seria o placar do jogo e não se haveria vitória ou derrota. O triunfo era certo.

Até mesmo jogadores russos foram perguntados se o Chertanovo - time da segunda divisão e que foi derrotado por 6 a 0 em um amistoso na preparação para a partida - seria um rival mais duro.

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Ciente de toda a sua fragilidade, a seleção de San Marino chegou a Saransk para desfrutar a possibilidade de jogar em um palco de Copa.

"Jogar contra uma seleção como a Rússia em um palco de mundial já é uma vitória para San Marino. Claro que vencer é uma missão quase impossível, mas esperamos fazer nosso melhor", disse na véspera o treinador Franco Varella.

"É um sonho e um orgulho jogar em um estádio de Copa. Faremos de tudo para honrar esta camisa", afirmou o defensor Fabio Vitaioli, que além de jogador é proprietário de um bar, de onde tira sua maior fonte de renda.

De todos os atletas convocados para a partida, há apenas três profissionais. O mais destacado é o atacante Nicola Nanni. Ele defende o Crotone, 11º colocado da última edição da segunda divisão italiana.

O resto atua em equipes e associações amadoras ou times que jogam a liga de San Marino.

E sim, apesar de ser um país minúsculo - com uma área de 61,2 quilômetros quadrados e pouco mais de 33 mil habitantes - sua liga nacional de futebol é composta por 15 times.

O campeão Tre Penne vai jogar a fase classificatória preliminar da Liga dos Campeões da Uefa, a partir do dia 25.

Mas voltando ao jogo. Em que pese todos os números negativos e fragilidade, em nenhum momento os atletas de San Marino apelaram para a violência.

Claro que em alguns momentos mostraram falta de intimidade com a bola e problemas táticos.

A resistência aos russos durou até que bastante. Foram 25 minutos. Foi o tempo necessário para um gol contra de Cevoli após chute cruzado de Golovin abrir o caminho da goleada.

Desde o apito inicial, os torcedores que encheram a Arena Mordóvia esperavam por este momento que era questão de tempo.

Até mesmo os san marinenses sabiam disso.

Os visitantes até que tentaram algumas chegadas ao ataque, mas esbarraram em suas próprias limitações. Cada vez que chegavam perto da meta russa erravam o passe ou eram facilmente neutralizados pela defesa.

Tanto assim que passaram os 90 minutos sem dar um mísero chute ao gol, enquanto os russos tiveram 44 oportunidades, sendo que 19 chutes foram à meta defendida por Benedettini.

E olha que se não fosse o goleiro poderia ter sido muito mais. Ele até pegou um pênalti no segundo tempo, mas não conseguiu defender o rebote de Dzyuba.

O bem da verdade é que enquanto esteve 0 a 0 San Marino até mostrava algum ânimo e conseguia se defender. Mas a medida que os gols iam saindo o desânimo era evidente

A partida foi se encaminhando ao fim. O placar chegou 9 a 0 e tive a certeza que via mesmo uma seleção muito ruim em campo.

A diferença de nível é de fato absurda e ainda mais vendo ao vivo. E isso que a Rússia está longe de ser uma potência.

A San Marino resta agora se preparar para mais uma derrota. Na terça-feira enfrenta o Cazaquistão fora de casa. Desta vez o revés deverá ser menos elástico.

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