Hora marcada para passear com cachorro e planejamento para ir ao mercado: como é a vida em lockdown

Yahoo Notícias
Soldados no centro de Santiago, Chile, monitoram se cidadãos estão cumprindo lockdown (Foto: Martin Bernetti/AFP via Getty Images)
Soldados no centro de Santiago, Chile, monitoram se cidadãos estão cumprindo lockdown (Foto: Martin Bernetti/AFP via Getty Images)

Essa história de lockdown não é novidade para quem vive no Chile, como eu. No dia 26 de março, às 22h, a comuna de Providencia, em Santiago, entrou em quarentena total. Foram 16 dias com restrições para sair de casa. Na próxima sexta-feira, o lockdown estará de volta.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Quando uma região do Chile entra em quarentena, só se pode sair para atividades pré-estabelecidas, como ir a mercado e farmácia, resolver burocracias bancárias, passar com cachorro, sair com crianças autistas e mais algumas.

Leia também

Para conseguir essas permissões é preciso entrar no site dos carabineiros, a polícia daqui, e preencher o formulário com dados e endereço.

Temos um cachorro e, para sair com ele, precisa com autorização. Os passeios têm limitação de 30 minutos e até duas quadras de distância de casa. A autorização para sair tinha hora marcada e só horas cheias. Todo dia às 7h da manhã eu estava na rua com ele e às 7h30 tinha de estar de volta.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Não há autorizações que permitam sair às ruas para fazer exercícios físicos, sendo assim, atividade, só em casa mesmo.

O tempo máximo da autorização para ir ao mercado ou farmácia é de quatro horas. Há limitação de pessoas que podem entrar no estabelecimento. Sem máscara, nem pensar. Cada pessoa só podia pegar esse tipo de autorização duas vezes na semana. A autorização para ir aos dois tipos de estabelecimento é a mesma, por isso, o planejamento era essencial.

Há fiscalização nas ruas e é preciso sempre ter documento e autorização, que pode ser eletrônica. Em caso de descumprimento, há advertências e multas.

Depois do primeiro lockdown, ficamos um mês em quarentena voluntária, sem restrições, mas evitando sair o máximo possível e sempre de máscara. O governo chileno ia colocando e tirando regiões do país em quarentena total conforme os números aumentavam e diminuíam.

Mas na quarta-feira, a quantidade de novos casos foi a maior desde o início da pandemia: mais de 2,6 mil pessoas contagiadas, a maior parte da região metropolitana de Santiago. Foi então que o governo federal anunciou: toda a capital entrará em quarentena total, mesmo as comunas que já tinham passado pela medida. A partir de sexta-feira, 15, às 22h, sair de casa, só com autorização.

Nesta quinta-feira, o Chile teve o maior número de mortes registradas em 24h, quando 22 pessoas morreram de Covid-19. No total, são 368 mortes e 37.040 casos confirmados, entre os quais 15 mil pessoas já estão recuperadas.

Na sexta, voltam as restrições. Na prática, pouca coisa muda. É preciso mais planejamento e cumprir regras ao sair de casa. O grande efeito dessas medidas é fazer as pessoas pensarem antes de sair de casa, porque dá mais trabalho, tem que pensar bem antes de sair. E isso evita que a população vá para rua sem realmente precisar.

A pesquisa Pulso Ciudadano, da Activa Research, divulgada nesta quinta-feira, mostra que 84,4% dos chilenos concordam com o lockdown em todo o país por duas semanas. A princípio, a medida durará uma semana, podendo ser prorrogada.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Leia também