Corinthians foi fundamental na negociação dos direitos de TV da Sulamericana

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Cássio, goleiro do Corinthians x Flamengo, válida pela segunda partida da Semifinal da Copa Brasil 2018, na capital paulista. 26/09/2018, Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Cássio, goleiro do Corinthians x Flamengo, válida pela segunda partida da Semifinal da Copa Brasil 2018, na capital paulista. 26/09/2018, Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O Corinthians, mesmo sem sentar à mesa de negociações, foi fundamental na venda dos direitos de TV da Sul-Americana que obrigou a Conmebol a se desdobrar depois de a propriedade encalhar após duas tentativas de vendê-la no Brasil. O time do Parque São Jorge foi o atrativo que convenceu executivos do aplicativo DAZN a pôr as mãos nos bolsos.

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A primeira tentativa de a Conmebol, representada pela FC Diez, joint-venture formada por Perform e IMG, negociar a Sul-Americana foi no primeiro semestre, quando lançou um leilão no qual oferecia dois pacotes: um que incluía a primeira escolha de jogos e a transmissão exclusiva da final e outro que contemplava as demais partidas e a exclusividade na Recopa.

Em meio à crise financeira no país, e o inflacionamento do mercado, com a disputa entre Globo e Turner pelos direitos do Brasileiro-2019, o jogo duro da CBF ao negociar os jogos da seleção, o iminente fim do Esporte Interativo e o anúncio da fusão de dois competidores por direitos, Fox Sports e ESPN, os lances ficaram (bem) abaixo da expectativa da Conmebol.

Entra em cena o plano “B” da Conmebol, quando a FC Diez deixou o formato de leilão de lado e passou a negociar tête-a-tête com as emissoras. A nova estratégia também fez água.

Com o ano se aproximando do fim, assim como  o prazo para que uma negociação fosse levado a cabo, surgiu a ideia de oferecer os direitos de transmissão ao aplicativo DAZN, especializado em esportes e com uma forte atuação dentro da Europa e dos EUA.

O problema: O dono do DAZN é o grupo Perform, um dos dois sócios da agência FC Diez, cuja função era justamente ofertar a Sul-Americana no mercado brasileiro e sul-americano.

Cartolas da Conmebol coçaram a cabeça ao ouvir a proposta. Está fresco na memória o escândalo envolvendo a entidade que controla o futebol sul-americano com o Fox Sports, que culminou no Fifagate e, no fim das contas, na queda de cartolas da própria Conmebol.

Medidas foram implementadas para impedir uma repetição daqueles problemas: A negociação foi auditada pela Ernst & Young, a FC Diez se afastou e teve um papel limitado no processo, foi definido que a proposta do DAZN teria, obrigatoriamente, que ser no mínimo uma porcentagem maior do que a proposta que ficasse em segundo lugar.

Os preços mínimos giravam em torno de US$ 30 milhões/ano (cerca de R$ 120 milhões) pelos direitos da Sul-Americana no Brasil e US$ 20 milhões/ano para a América do Sul.

Na outra ponta, era preciso convencer os executivos do DAZN a pôr as mãos no bolso para produzir um valor superior ao que fora apresentado até aquele momento.

A tarefa  foi facilitada por um às que a Conmebol tinha na manga: A presença do Corinthians, um dos dois times mais populares do país, na próxima edição da Sulamericana.

Foi assim que executivos do DAZN ouviram que, para uma empresa especializada em esporte que está entrando no Brasil, nada melhor do que ter como chamariz para sua marca os Jogos da Sul-Americana, que terá entre seus times justamente o Corinthians.

Convencidos os representantes do DAZN, ficou nas mãos deles apresentar uma proposta pelos preços mínimos, correndo um pequeno risco de abrir espaço para uma segunda rodada, ou fazer uma oferta acima dos mínimos, garantindo os direitos de transmissão.

No fim das contas, o DAZN levou os direitos de transmissão da Sul-Americana ao apresentar uma oferta bem superior à do segundo colocado, para a satisfação (e alívio) da Conmebol.

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