Como a China se confirmou como a principal alternativa a craques do futebol?

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Pato comemora gol na Champions League Asiática (Power Sport Images/Getty Images)
Pato comemora gol na Champions League Asiática (Power Sport Images/Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Ano após ano, o futebol chinês vem se confirmando como destino alternativo a craques de futebol. O alto investimento aliado a políticas públicas do governo tem tornado o país cada vez mais competitivo na tentativa de atrair grandes nomes do esporte. Mas, afinal, como a China tem se tornado cada vez mais uma opção aos craques da Europa e América do Sul?

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O primeiro passo nessa transformação foi popularizar o esporte no país, com um campeonato competitivo. A China tem tradição de formar grandes atletas e está entre as maiores potências olímpicas, mas a ascensão no futebol masculino ainda parecia distante. Para isso, os clubes do país passaram a investir alto na contratação de estrelas para dar mais brilho ao espetáculo – a exemplo de Pelé e Cruyff nos Estados Unidos na década de 1970.

Didier Drogba, Alexandre Pato e Carlitos Tevez foram alguns dos nomes que desembarcaram na liga chinesa nos últimos anos. O argentino, inclusive, foi o jogador mais bem pago do mundo no período em que defendeu o Shanghai Shenhua, em 2017, com vencimentos anuais de aproximadamente 38 milhões de euros. O português Cristiano Ronaldo chegou a recusar uma oferta de 105 milhões de dólares por ano para atuar no país. As altas cifras de salários acima do mercado foram suficientes para colocar a China para bater de frente com destinos que apostam na mesma moeda, como Japão e futebol árabe, e passou a chamar a atenção de muitos jogadores.

Outro ponto importante para que o país seguisse no mapa do futebol foi a política pública de incentivo ao esporte. Nos últimos anos, o governo chinês dedicou grande esforço à modalidade e prometeu criar uma nova geração de jogadores por meio da construção de milhares de campos de futebol, além da criação de programas de futebol em milhares de escolas. Atualmente, cerca de 5 mil unidades escolares já contam com programas específicos. Até 2025, a meta de expansão é de 50 mil unidades.

Tudo isso somado ao investimento para que grandes clubes europeus levem seus planos de jogo para a China, incluindo a ida de profissionais e a recriação de ambientes que façam os chineses experimentarem um pouco da cultura futebolística de países com tradição. Em 2015, por exemplo, o ex-atacante Ronaldo lançou duas escolas de futebol no país asiático.

“Tenho certeza que, em alguns anos, podemos ter um grande jogador na China. Estamos prontos para ensinar tudo o que aprendi”, disse o Fenômeno à época.

Vale lembrar que, ao contrário do histórico futebolístico dos homens no país, a China já obteve bons resultados entre as mulheres, com uma medalha de prata na Olimpíada de Atlanta, e o vice-campeonato no Mundial de 1999.

A China, no entanto, conta com concorrentes de peso na tentativa de seguir sendo uma alternativa a craques. A MLS (Major League Soccer), por exemplo, também tem investido na contratação de grandes jogadores para tornar o futebol do país mais atraente. Recentemente, o sueco Zlatan Ibrahimovic se transferiu para o Los Angeles Galaxy – equipe que já contou com o inglês David Beckham. O brasileiro Kaká também atuou no Orlando City antes de se aposentar.

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A próxima aposta chinesa para a evolução do futebol no território também é grandiosa. O país já demonstrou interesse em sediar uma edição de Copa do Mundo. No ano passado, uma estatal chinesa de eletrônicos que patrocinou a edição de 2018 destacou que a China deve se candidatar para ser a sede em próximas votações.

Mesmo diante do alto investimento e presença de craques no gramados chineses, o país ainda encontra dificuldades obter resultados. Na última Eliminatória Asiática, a seleção não alcançou vaga para disputar a Copa do Mundo na Rússia.

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