Como Camila Pitanga e a filha contraíram malária

O Globo
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Camila Pitanga e a filha Antonia

RIO — Camila Pitanga e sua filha, Antonia, de 12 anos, foram diagnosticadas com malária. A confirmação do quadro, segundo a atriz, aconteceu após as duas testarem negativo para o coronavírus.

"Foram 10 dias de muito sufoco. Entre picos de febre alta, calafrios e total incerteza. Havia a sombra da possibilidade de estar com Covid-19. Somente no domingo recebi o resultado negativo. Mas no lugar de me aliviar, permaneci agoniada, pois eu não fazia ideia do que eu poderia ter. Estava à deriva", contou a atriz, em relato publicado no Instagram.

Como Camila Pitanga contraiu malária

A artista cumpria o isolamento social numa casa em meio à Mata Atlântica, no litoral de São Paulo, quando contraiu a doença. "Uma amiga minha suspeitou que esses picos de febre associados ao fato de estar em isolamento social numa zona de Mata Atlântica podiam ser malária", contou a atriz. Ela foi, então, aconselhada a se consultar com infectologistas.

Transmitida por meio da picada de mosquitos do gênero Anopheles, a malária é uma doença que voltou a ser registrada com mais frequência nos últimos anos no Brasil. De 2016 a 2018, o país viu um aumento de 3.550% nos casos.

A doença está presente em países localizados na faixa tropical do planeta. Como ressalta um documento publicado pela Fiocruz, regiões com criadouros naturais demosquitos — como beiras de rio e áreas alagadas no final datarde até o amanhecer —, são mais propícias a transmissão da doença. A ausência de infra-estrutura adequada para o saneamento básico também é um dos fatores cruciais para a maior reprodução dos mosquitos transmissores.

Não à toa, cerca de 99% dos registros da doença se concentram em regiões cercadas pela Floresta Amazônica, no Norte e no Centro-Oeste do país. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), município mais indígena do Brasil — e onde não existe fornecimento de água, além de haver uma precária coleta de lixo —, a malária saltou de 50 casos em 2016 para 6.367 casos em 2018.

De acordo com especialistas, o retorno no número de registros se deve ao próprio sucesso dos programas de controle do vírus — como o sarampo e a pólio, a malária foi dada por resolvida e deixou de ser prioridade — e à chegada de imigrantes doentes em fuga da vizinha Venezuela. .

Segunda doença infecciosa que mais mata no planeta — e ainda sem vacina —, a malária tem como principal manifestação clínica a febre, associada ou não a calafrios, tremores, suores, dor de cabeça e indisposição no corpo. Outros sintomas também são frequentes, como vômitos, diarréia, dor abdominal, falta de apetite, tonteira e sensação de cansaço.

Atriz foi atendida no SUS

Por indicação de dois infectologistas, Camila Pitanga foi aconselhada a procurar ajuda numa unidade do Sistema Único de Saúde (SUS), referência no tratamento contra a malária. A atriz e a filha buscaram atendimento no Hospital das Clínicas da USP, onde o diagnóstico foi confirmado.

"Uma vez que a supeita era malária, doença muito rara, não há melhor lugar para você ser tratado do que a rede SUS, local de referência e excelência para doenças endêmicas", disse Camila.

O tratamento é feito de maneira a interromper o ciclo de transmissão, com drogas que diminuem a carga de parasitas no sangue. Assim, se a pessoa doente for picada, o parasita não será transmitido a outro mosquito.

"No Hospital das Clínicas, fui prontamente atendida por uma mulherada. Sim, uma equipe 100% de mulheres fantásticas do laboratório da Sucen. Faço questão de dar seus nomes: Drª Ana Marli Sartori, Drª Silvia Maria di Santi, Drª Dida Costa, Drª Simone Gregorio, Drª Renata Oliveira e tão importantes quanto, as agentes de saúde Cida Kikuchi e Gildete Santos. Todas foram extremamente profissionais, eficientes e gentis", elogiou a filha de Antonio Pitanga.