Comitê Olímpico dos EUA diz que apoiará atletas que protestam

AFP
A atleta americana Gwen Berry recebeu com satisfação a declaração dos chefes olímpicos do país, apoiando o direito dos atletas de protestar
A atleta americana Gwen Berry recebeu com satisfação a declaração dos chefes olímpicos do país, apoiando o direito dos atletas de protestar

A diretoria do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) afirmou estar errada ao não ouvir os protestos de seus atletas contra o racismo e prometeu defender esse direito e promover mudanças em nível internacional.

Gestos de significado político não são bem recebidos nos eventos olímpicos. O próprio USOPC advertiu dois de seus atletas por protestarem contra a desigualdade racial no pódio dos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, enquanto o COI (Comitê Olímpico Internacional) alertou que tais protestos nos Jogos de Tóquio-2020 seriam sancionados.

Agora, em meio à onda de indignação nos Estados Unidos devido ao assassinato do afro-americano George Floyd nas mãos de um policial branco, o USOPC anunciou a criação imediata de um grupo liderado por atletas para "desafiar as regras e sistemas de nossa própria organização que criam barreiras ao progresso, incluindo o direito de protestar ".

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- Também em nível mundial -

"Também defenderemos mudanças globalmente", disse a diretora executiva do USOPC, Sarah Hirshland, em uma carta aberta aos atletas.

"A dor sentida pelos atletas negros e pela comunidade negra - nas últimas semanas e por muito tempo antes do assassinato de George Floyd - é inadmissível", escreveu ela.

"Durante décadas conversaram sobre igualdade e unidade e sacrificaram seu momento no pódio para pedir uma mudança", disse Hirshland. "E não ouvimos e deixamos de ouvir e tolerar o racismo e a desigualdade. Sinto muito. Eles merecem mais".

"É hora de igualar a coragem deles (...) de eliminar as barreiras, mudar as regras e empoderar as vozes negras para que sejam ouvidas", afirmou.

A declaração de Hirshland ocorre após várias semanas de intensos protestos nos Estados Unidos contra o racismo e a brutalidade policial contra afro-americanos, desencadeada após o crime de Floyd em Minneapolis, no dia 25 de maio.

A posição do USOPC em relação ao direito de protestar foi questionada depois que, em 2019, alertou os atletas Gwen Berry (arremesso de martelo) e Race Imboden (esgrima) por se manifestarem no pódio dos Jogos Pan-Americanos em Lima.

Berry, que levantou o punho fechado durante o hino, e Imboden, que se ajoelhou, foram repreendidos pelo USOPC, que impôs um período de 12 meses durante o qual eles poderiam ser penalizados se repetissem atos semelhantes.

Berry, que na semana passada pediu desculpas ao USOPC pela advertência, descreveu os comentários de Hirshland como "encorajadores".

"Isso mostra que os protestos pacíficos dos atletas são poderosos e podem promover mudanças", disse Berry em declarações coletadas pelo Washington Post nesta terça-feira.

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