Comentarista é demitido de TV turca ao citar ídolo da seleção

Hakan Sükür foi o grande nome da Turquia na Copa do Mundo de 2002. Foto: Neal Simpson/EMPICS via Getty Images
Hakan Sükür foi o grande nome da Turquia na Copa do Mundo de 2002. Foto: Neal Simpson/EMPICS via Getty Images

O Marrocos venceu o Canadá por 2 a 1 na quinta-feira (1) e avançou para as oitavas de final da Copa do Mundo. A equipe saiu na frente já aos quatro minutos, quando Hakim Ziyech aproveitou um erro do goleiro marcando um gol rápido, mas longe de ser o mais rápido da história das Copas.

Ao comentar o lance no canal de televisão turco TRT, o comentarista Alper Bakırcıgil lembrou aos telespectadores turcos que o gol mais rápido em uma Copa do Mundo de futebol foi marcado pela lenda turca Hakan Sükür, após apenas 11 segundos, na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo em 2002.

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A informação custou caro para o comentarista já que durante o intervalo, Bakırcıgil foi retirado da transmissão e substituído por um colega. Após a partida ele recebeu uma notificação de demissão, como explicou em sua conta no Twitter.

“Fui demitido do TRT, onde trabalhei com muito orgulho por muitos anos, após o ocorrido hoje”, escreveu.

Sükür caiu em desgraça em seu país natal, onde está ligado ao terrorismo pelo governo turco. Nos anos 90 e 2000, Hakan Sükür foi uma das maiores estrelas da seleção turca e do Galatasaray, clube de Istambul. Ele marcou 51 gols em 112 partidas internacionais.

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Aposentando, ele entrou na política e em 2011 foi eleito para o Parlamento turco pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento do presidente Erdogan. Dois anos depois, deixou o partido e tornou-se independente, e foi aqui que as coisas começaram a dar errado quando Recep Tayyip Erdogan se viu revoltado com o antigo perfil do futebol.

Sükür deixou a política turca em 2015, mas em 2017 teve que fugir com sua família para os Estados Unidos depois de ser acusado de ter participado da tentativa fracassada de golpe em 2016.

O governo turco ligou Hakan Sükür a Fethullah Gülen, um estudioso islâmico rival de Erdogan, a quem o presidente Erdogan culpou pela sangrenta tentativa de golpe.

Em 2020, o próprio Sükür disse em entrevista ao jornal alemão Welt Am Sontag que havia perdido tudo e que agora se sustentava dirigindo um táxi nos Estados Unidos.

“Eu não tenho mais nada. Erdogan levou tudo: meu direito à liberdade, meu direito à liberdade de expressão e meu direito ao trabalho”, disse ele.

Hakan Sükur explicou ainda que Erdogan o forçou e sua família a sair da Turquia ao emitir um mandado de prisão pelo suposto papel de Sükür na tentativa de golpe de 2016.